O problema do plástico, como o de outros poluentes, é o seu custo em termos de vida. Gigantescas tartarugas-do-mar confundem sacos de lixo flutuantes com as translúcidas e ondulantes medusas — um dos seus pratos favoritos. As tartarugas ou ficam sufocadas com os sacos, ou os engolem inteiros. De qualquer modo, o plástico as mata.
Todos os tipos de vida marinha, das baleias aos golfinhos e focas, ficam enredados em linhas e redes de pesca descartadas. As focas brincalhonas metem o focinho em anéis abandonados de plástico e então, sendo incapazes de retirá-los, ou de sequer abrir a boca, vêm lentamente a morrer de fome. As aves marinhas ficam enredadas nas linhas de pescar e freneticamente se debatem nelas até morrer, ao tentarem soltar-se, e não se trata de casos isolados. O lixo sufoca cerca de um milhão de aves marinhas e cem mil mamíferos marinhos por ano.
A poluição química também contribui com seu quinhão para o tributo de mortes. No verão setentrional passado, focas mortas começaram a dar nas praias do mar do Norte. Em questão de meses, cerca de 12.000 das 18.000 focas das baías do mar do Norte foram exterminadas. O que as matou? Um vírus. Mas há algo mais envolvido. Os bilhões de litros de resíduos regularmente despejados no mar do Norte e no Báltico também desempenharam uma parte, enfraquecendo o sistema imunológico das focas, e contribuindo para tal doença espalhar-se.
Ao passo que a poluição concentra-se especialmente no mar Báltico e no mar do Norte, nos dias atuais um animal teria muita dificuldade em encontrar uma faixa de oceano que não estivesse poluída. Nos longínquos lugares do Ártico e da Antártida, os pingüins, os narvais, os ursos-polares, os peixes e as focas apresentam todos, nos tecidos do corpo, vestígios das substâncias químicas e pesticidas produzidos pelo homem. As carcaças das belugas ou baleias-brancas no golfo de São Lourenço, no Canadá, são consideradas resíduos perigosos, por estarem tão carregadas de toxinas. Na costa atlântica dos Estados Unidos, cerca de 40 por cento dos golfinhos da área morreram em apenas um ano, dando às praias com furúnculos, lesões, e com retalhos de pele se soltando.
sábado, 10 de julho de 2010
A Praga do Plástico
Com o plástico, o homem se vê confrontado com outro prodígio da imaginação que fugiu do controle. Às vezes, parece que a tecnologia não pode existir sem ele. O plástico pode parecer indispensável; e também é virtualmente indestrutível. Quando o homem acaba de usá-lo, tem muita dificuldade de livrar-se dele. O plástico de um pacote de seis latas de cerveja poderia durar entre 450 a 1.000 anos.
Uma forma popular de livrar-se desse material, como talvez tenha imaginado, é lançá-lo no mar. Com efeito, recente relatório calculava que, anualmente, cerca de 26.000 toneladas de embalagens e 150.000 toneladas de itens para pesca são perdidos ou jogados no mar. Segundo a revista U.S.News & World Report, “navios mercantes ou da marinha de guerra descartam-se de 690.000 recipientes de plástico por dia”. Um perito calculou que, mesmo no meio do oceano Pacífico, existem cerca de 50.000 fragmentos de plástico para cada quilômetro quadrado.
Os oceanos não conseguem absorver esta praga de plástico. Geralmente ele flutua intato até que o mar o vomita em alguma praia, onde continua a macular a beleza da Terra. Mas, no ínterim, faz algo muito mais grave.
Uma forma popular de livrar-se desse material, como talvez tenha imaginado, é lançá-lo no mar. Com efeito, recente relatório calculava que, anualmente, cerca de 26.000 toneladas de embalagens e 150.000 toneladas de itens para pesca são perdidos ou jogados no mar. Segundo a revista U.S.News & World Report, “navios mercantes ou da marinha de guerra descartam-se de 690.000 recipientes de plástico por dia”. Um perito calculou que, mesmo no meio do oceano Pacífico, existem cerca de 50.000 fragmentos de plástico para cada quilômetro quadrado.
Os oceanos não conseguem absorver esta praga de plástico. Geralmente ele flutua intato até que o mar o vomita em alguma praia, onde continua a macular a beleza da Terra. Mas, no ínterim, faz algo muito mais grave.
Um Esgoto Global
Mas, para o homem, eles são mais do que isso. Eles são também um depósito de lixo. Esgotos sanitários, resíduos químicos de fábricas, e as águas carregadas de pesticidas, que escorrem das terras agrícolas, tudo isso segue em direção aos oceanos, via barcaças, rios e tubulações. O homem há muito trata os oceanos como gigantesco esgoto. Mas, agora, o esgoto começou a voltar-se contra ele. Praias de recantos populares ao redor do mundo tiveram de ser interditadas, nos anos recentes, à medida que o lixo dava na praia, numa amostragem repulsiva.
Parafernália de remédios e resíduos de tratamentos médicos, tais como ataduras sujas, agulhas hipodérmicas e frascos de sangue — alguns contaminados pelo vírus da AIDS — ganharam as manchetes, ao emergirem nas praias costeiras do leste dos Estados Unidos. Pelotas de esgotos não-tratados, ratos de laboratório mortos, um revestimento de estômago humano, e alguns itens mais repugnantes, todos mostraram sua horripilante presença. Alguns se tornaram bem comuns.
Tal crise assola as praias do mar do Norte e do mar Báltico, no norte da Europa, do mar Adriático e do Mediterrâneo, no sul da Europa, e até mesmo existe ao longo das praias soviéticas do mar Negro e do oceano Pacífico. Praias têm sido interditadas, uma vez que os banhistas, em tais lugares, arriscavam-se a contrair uma ampla variedade de doenças. Jacques Cousteau, famoso explorador mundial dos oceanos, escreveu recentemente que os banhistas em algumas das praias do Mediterrâneo enfrentavam 30 doenças, que iam dos furúnculos à gangrena. Ele predisse uma época em que ninguém ousaria enfiar a ponta do pé na água.
Os resíduos da humanidade, porém, fazem mais do que fechar praias e causar inconveniências para os nadadores. Seus danos se espalharam às águas mais profundas.
Há vários anos, Nova Iorque começou a despejar a vasa de esgoto que produz, a cerca de 200 quilômetros da costa de Nova Iorque, EUA. Recentemente, de canyons submarinos situados a cerca de 130 quilômetros, pescadores começaram a trazer peixes que apresentavam lesões e escamas podres, e crustáceos e lagostas com a “doença burn spot” — buracos em suas carapaças que pareciam ter sido feitos por maçaricos. Autoridades governamentais negam qualquer relação entre o local de despejo de esgoto e os peixes doentes, mas os pescadores não pensam assim. Um superintendente das docas disse à revista Time que os nova-iorquinos “receberão seu lixo todo de volta nos peixes que estão comendo”.
Os peritos acham que a poluição oceânica está-se tornando rapidamente uma epidemia global; nem se limita às nações industrializadas. Os países em desenvolvimento também estão sob cerco, por dois motivos. Primeiro, os oceanos do mundo são, na realidade, um só grande oceano, com correntes que ignoram fronteiras. Segundo, as nações industrializadas têm-se aproveitado das mais pobres como depósitos para seus resíduos. Apenas nos últimos dois anos, os Estados Unidos e a Europa mandaram cerca de três milhões de toneladas de resíduos perigosos para os países da Europa Oriental e da África. Além disso, alguns empreiteiros estrangeiros constroem fábricas na Ásia e na África sem incluir nelas os sistemas necessários de disposição final dos resíduos.
Parafernália de remédios e resíduos de tratamentos médicos, tais como ataduras sujas, agulhas hipodérmicas e frascos de sangue — alguns contaminados pelo vírus da AIDS — ganharam as manchetes, ao emergirem nas praias costeiras do leste dos Estados Unidos. Pelotas de esgotos não-tratados, ratos de laboratório mortos, um revestimento de estômago humano, e alguns itens mais repugnantes, todos mostraram sua horripilante presença. Alguns se tornaram bem comuns.
Tal crise assola as praias do mar do Norte e do mar Báltico, no norte da Europa, do mar Adriático e do Mediterrâneo, no sul da Europa, e até mesmo existe ao longo das praias soviéticas do mar Negro e do oceano Pacífico. Praias têm sido interditadas, uma vez que os banhistas, em tais lugares, arriscavam-se a contrair uma ampla variedade de doenças. Jacques Cousteau, famoso explorador mundial dos oceanos, escreveu recentemente que os banhistas em algumas das praias do Mediterrâneo enfrentavam 30 doenças, que iam dos furúnculos à gangrena. Ele predisse uma época em que ninguém ousaria enfiar a ponta do pé na água.
Os resíduos da humanidade, porém, fazem mais do que fechar praias e causar inconveniências para os nadadores. Seus danos se espalharam às águas mais profundas.
Há vários anos, Nova Iorque começou a despejar a vasa de esgoto que produz, a cerca de 200 quilômetros da costa de Nova Iorque, EUA. Recentemente, de canyons submarinos situados a cerca de 130 quilômetros, pescadores começaram a trazer peixes que apresentavam lesões e escamas podres, e crustáceos e lagostas com a “doença burn spot” — buracos em suas carapaças que pareciam ter sido feitos por maçaricos. Autoridades governamentais negam qualquer relação entre o local de despejo de esgoto e os peixes doentes, mas os pescadores não pensam assim. Um superintendente das docas disse à revista Time que os nova-iorquinos “receberão seu lixo todo de volta nos peixes que estão comendo”.
Os peritos acham que a poluição oceânica está-se tornando rapidamente uma epidemia global; nem se limita às nações industrializadas. Os países em desenvolvimento também estão sob cerco, por dois motivos. Primeiro, os oceanos do mundo são, na realidade, um só grande oceano, com correntes que ignoram fronteiras. Segundo, as nações industrializadas têm-se aproveitado das mais pobres como depósitos para seus resíduos. Apenas nos últimos dois anos, os Estados Unidos e a Europa mandaram cerca de três milhões de toneladas de resíduos perigosos para os países da Europa Oriental e da África. Além disso, alguns empreiteiros estrangeiros constroem fábricas na Ásia e na África sem incluir nelas os sistemas necessários de disposição final dos resíduos.
Oceanos — precioso recurso ou esgoto global?
Vai deslizando, ó tu, oceano profundo e azul-marinho — vai deslizando!
Dez mil frotas te singram em vão;
O homem marca a terra com a ruína — seu controle
Cessa na praia.
De Childe Harold’s Pilgrimage (Peregrinação de Childe Harold), de Lorde Byron.
OUVE época em que tais palavras eram mais do que apenas poéticas; elas eram verdadeiras. Mas isso não mais acontece. Atualmente, as palavras do poeta, que tão bem expressam a vastidão do oceano e sua aparente invulnerabilidade aos insignificantes esforços humanos de conspurcá-lo, soam tão falsas e tão vazias quanto a idéia de que o homem jamais voaria. O controle do homem não mais cessa na praia. Ele tem deixado sua marca no mar, e se trata duma marca feia.
Já foi alguma vez à praia? Caso tenha ido, sem dúvida tem gratas recordações dessa experiência: o brilho da luz do sol sobre a água; a rebentação tranqüilizadora e rítmica das ondas na praia; o nado revigorante; as brincadeiras nas ondas. Só em pensar nisso faz com que anseie a próxima vez, não faz? Mas talvez não exista uma próxima vez. E essa talvez seja a menor de nossas preocupações; o oceano faz mais do que agradar aos nossos sentidos.
Por exemplo, respire fundo. De acordo com The New Encyclopædia Britannica, você deve muito desse ar inalado aos oceanos. Como assim? Ela afirma que as águas deste planeta, especificamente as algas nelas contidas, fornecem cerca de 90 por cento do oxigênio que respiramos. Outros calculam que apenas os microscópicos fitoplânctons dos oceanos fornecem até um terço do oxigênio do planeta. Os oceanos também moderam a temperatura do globo, sustentam uma variedade incrivelmente rica de vida, e desempenham um papel crucial no clima global e nos ciclos da chuva. Em suma, os oceanos são uma chave para a vida neste planeta.
Dez mil frotas te singram em vão;
O homem marca a terra com a ruína — seu controle
Cessa na praia.
De Childe Harold’s Pilgrimage (Peregrinação de Childe Harold), de Lorde Byron.
OUVE época em que tais palavras eram mais do que apenas poéticas; elas eram verdadeiras. Mas isso não mais acontece. Atualmente, as palavras do poeta, que tão bem expressam a vastidão do oceano e sua aparente invulnerabilidade aos insignificantes esforços humanos de conspurcá-lo, soam tão falsas e tão vazias quanto a idéia de que o homem jamais voaria. O controle do homem não mais cessa na praia. Ele tem deixado sua marca no mar, e se trata duma marca feia.
Já foi alguma vez à praia? Caso tenha ido, sem dúvida tem gratas recordações dessa experiência: o brilho da luz do sol sobre a água; a rebentação tranqüilizadora e rítmica das ondas na praia; o nado revigorante; as brincadeiras nas ondas. Só em pensar nisso faz com que anseie a próxima vez, não faz? Mas talvez não exista uma próxima vez. E essa talvez seja a menor de nossas preocupações; o oceano faz mais do que agradar aos nossos sentidos.
Por exemplo, respire fundo. De acordo com The New Encyclopædia Britannica, você deve muito desse ar inalado aos oceanos. Como assim? Ela afirma que as águas deste planeta, especificamente as algas nelas contidas, fornecem cerca de 90 por cento do oxigênio que respiramos. Outros calculam que apenas os microscópicos fitoplânctons dos oceanos fornecem até um terço do oxigênio do planeta. Os oceanos também moderam a temperatura do globo, sustentam uma variedade incrivelmente rica de vida, e desempenham um papel crucial no clima global e nos ciclos da chuva. Em suma, os oceanos são uma chave para a vida neste planeta.
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