quarta-feira, 30 de junho de 2010

ATÉ QUE TAMANHO PODEM CHEGAR?

Tubarão-branco
Polvo-gigante-do-pacífico
Tubarão-baleia
Lula-gigante*
Lula-colossal*
*tamanho estimado
Cachalote
Baleia-azul
pés 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
metros 30 25 20 15 10 5 0
[Foto na página 15]
Tubarão-branco

O gigante tímido

Outra grande criatura do mar é o polvo-gigante-do-pacífico, que pode pesar até 270 quilos. Antigamente, acreditava-se ser capaz de afundar navios. Mas esse polvo na realidade é tímido e se esconde em tocas nas pedras e em fendas no leito oceânico. A distância entre as extremidades de seus oito tentáculos pode chegar a 10 metros, e ele possui o maior cérebro dos invertebrados. De fato, os polvos são muito inteligentes e conseguem aprender a realizar tarefas complexas, como sair de um labirinto e girar a tampa de um pote para abri-lo!
Assim como a lula-gigante, o polvo-gigante-do-pacífico consegue se camuflar mudando de cor, usar propulsão a jato para se locomover na água e fugir do perigo por esguichar uma densa nuvem de tinta. Ele pode até sair da água por pouco tempo para procurar comida em terra seca!
Essas criaturas das profundezas realmente dão louvor ao nome de seu Criador, Deus. De modo apropriado, o salmista bíblico cantou: “Louvai a Jeová desde a terra, vós, monstros marinhos e todas as águas de profundeza.” — Salmo 148:7.

O gigante tímido

Outra grande criatura do mar é o polvo-gigante-do-pacífico, que pode pesar até 270 quilos. Antigamente, acreditava-se ser capaz de afundar navios. Mas esse polvo na realidade é tímido e se esconde em tocas nas pedras e em fendas no leito oceânico. A distância entre as extremidades de seus oito tentáculos pode chegar a 10 metros, e ele possui o maior cérebro dos invertebrados. De fato, os polvos são muito inteligentes e conseguem aprender a realizar tarefas complexas, como sair de um labirinto e girar a tampa de um pote para abri-lo!
Assim como a lula-gigante, o polvo-gigante-do-pacífico consegue se camuflar mudando de cor, usar propulsão a jato para se locomover na água e fugir do perigo por esguichar uma densa nuvem de tinta. Ele pode até sair da água por pouco tempo para procurar comida em terra seca!
Essas criaturas das profundezas realmente dão louvor ao nome de seu Criador, Jeová. De modo apropriado, o salmista bíblico cantou: “Louvai a Jeová desde a terra, vós, monstros marinhos e todas as águas de profundeza.” — Salmo 148:7.

O feroz e o dócil

Com seus impressionantes 3 mil dentes, o tubarão-branco talvez seja o mais assustador dos peixes carnívoros. O maior tubarão-branco de que se tem registro tinha 7 metros de comprimento e pesava cerca de 3.200 quilos. O olfato desse tubarão é extraordinário — consegue detectar uma gota de sangue diluída em 25 litros de água.
O tubarão-baleia é a maior espécie de peixe ainda viva, tendo em média 7,5 metros de comprimento. Mas alguns podem ter quase o dobro desse tamanho. Sua boca pode ter até 1,4 metro de largura, podendo engolir um homem com facilidade. Mas, longe de ser um feroz predador de outras grandes criaturas marinhas, esse dócil gigante se alimenta do minúsculo plâncton e de peixes pequenos.
“A anatomia digestiva incomum do tubarão-baleia”, comenta a revista National Geographic, “torna provável as histórias sobre Jonas”, referindo-se ao relato bíblico sobre o profeta Jonas ter sido engolido por um grande peixe. Os tubarões-baleia têm “uma maneira inofensiva de se livrar de objetos grandes engolidos sem querer e que são difíceis de digerir”. — Jonas 1:17; 2:10.

Baleias gigantes

No entanto, a lula-colossal e a lula-gigante são apenas uma refeição para um animal ainda maior: o cachalote, que pode chegar a medir 20 metros de comprimento e pesar 50 toneladas. Um só dente pesa quase 1 quilo. Cachalotes que foram encontrados mortos tinham partes de lulas-gigantes no estômago. A cabeça gigante e quase quadrada dessas baleias mortas tinha marcas circulares causadas pelas ventosas de lulas, indícios de um combate mortal. Em 1965, a tripulação de um navio-baleeiro soviético alegou ter visto uma luta entre uma lula-gigante e um cachalote de 40 toneladas. Nenhum dos dois sobreviveu. A baleia estrangulada foi encontrada flutuando no mar com a cabeça da lula no estômago.
A lula-gigante e o cachalote realmente são enormes, mas a baleia-azul, o maior mamífero, os ultrapassa em tamanho. Apanhada na Antártida, a maior baleia-azul de que se tem registro era uma fêmea adulta de 33 metros. A baleia-azul pode pesar até 150 toneladas. Só o peso de sua língua é igual ao peso de um elefante adulto! E imagine só — seu filhote já nasce com 3 toneladas e 7 a 8 metros de comprimento! Alvo de baleeiros, a baleia-azul se tornou praticamente extinta nos anos 60 e hoje ainda corre grande perigo de extinção.

Os grandes monstros das profundezas do mar

Um monstro gigante sai de repente do mar, agarra um barco e arrasta os marinheiros para morrerem no fundo do mar. Essa situação inspira o enredo de muitas lendas que são contadas através das eras. Mas será que existem mesmo monstros desse tamanho?
EM 2007, pescadores apanharam por acaso uma lula-colossal no mar de Ross, na Antártida. Ela tinha uns 10 metros de comprimento, incluindo seus tentáculos, e pesava quase 500 quilos. Os cientistas acreditam que essa espécie de lula pode crescer ainda mais.
Um monstro marinho similar conhecido como lula-gigante tem o corpo no formato de um torpedo, olhos que podem chegar ao tamanho de uma cabeça humana, oito braços com fileiras de ventosas, dois longos tentáculos que levam comida à boca e um bico parecido ao de um papagaio que é forte o bastante para cortar um cabo de aço. Graças ao seu poder de propulsão, consegue movimentar-se na água a 30 quilômetros por hora — e pode até saltar para fora da água.
De acordo com registros, essas criaturas gigantes foram vistas menos de 50 vezes no último século e nunca foram estudadas em seu ambiente selvagem.

O econômico peixe-cofre

Para produzir um carro robusto, mais econômico e que não agrida a natureza, os engenheiros buscaram inspiração num lugar pouco provável — o mar! O peixe-cofre, encontrado perto dos recifes de corais de águas tropicais, é um excelente modelo para um veículo de estrutura leve e de aerodinâmica impressionante.
Analise o seguinte: O peixe-cofre consegue nadar rápido, cobrindo uma distância de até seis vezes o comprimento de seu corpo por segundo. Mas sua velocidade é mais do que uma questão de força. Contrariando as expectativas, seu formato cúbico na verdade melhora suas qualidades aerodinâmicas. De fato, os engenheiros que construíram uma réplica do peixe-cofre e a testaram num túnel de vento constataram que seu deslocamento no ar é mais eficiente que o de carros compactos.
O peixe-cofre tem um revestimento ósseo externo que lhe dá força máxima com mínimo peso. Pequenos redemoinhos se formam em volta dele, dando-lhe estabilidade em águas turbulentas. Por isso, o peixe-cofre tem espantosa mobilidade e proteção contra lesões.
Os engenheiros acreditam que o segredo para a produção de um veículo mais seguro, mais econômico e ainda assim leve está no peixe-cofre. “Para ser honesto”, diz o Dr. Thomas Weber, chefe de pesquisa e desenvolvimento, “a última coisa que esperávamos é que esse peixe de aparência desajeitada se tornasse nosso modelo para projetar um carro aerodinâmico e econômico”.
O que você acha? O econômico peixe-cofre surgiu por acaso? Ou teve um projeto?

domingo, 20 de junho de 2010

Coexistência

Os tubarões vasculham o mar à procura dos doentes, dos moribundos, dos decrépitos e das carcaças. Uma população de tubarões saudáveis, em outras palavras, significa oceanos saudáveis e limpos.
A Comissão de Sobrevivência das Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza, ciente da ameaça à sobrevivência dos tubarões, formou o Grupo Especializado em Tubarões para estudar toda a questão envolvendo esses peixes. Estudar o tubarão-branco não é nada fácil — ele não se reproduz em grande quantidade e não sobrevive no cativeiro. Portanto, deve-se estudá-lo no seu habitat.
A atitude dos humanos para com os tubarões vai mudando à medida que vamos conhecendo e compreendendo melhor essas criaturas fascinantes. Mas o tubarão-branco continua o mesmo. Ele não é um monstro, mas não deixa de ser um animal perigoso e deve ser tratado com cautela e com respeito — muito respeito!

O tubarão-branco, a presa

A imagem que as pessoas fazem do tubarão tem muito a ver com o livro Jaws (Tubarão), que inspirou o filme de tanto sucesso. Da noite para o dia, o tubarão-branco se tornou a encarnação do mal e “caçadores de troféus se puseram a correr para ver quem seria o primeiro a exibir a cabeça ou a mandíbula do predador de humanos em cima da lareira”, diz o livro Great White Shark. Com o tempo dava para arrebatar até 1.000 dólares (na Austrália) por um dente de tubarão-branco e mais de 20.000 dólares por uma mandíbula.
Mas a grande maioria dos tubarões-brancos morrem fisgados nas redes de pesca comerciais. Além disso, milhões de outros tubarões são pescados a cada ano para satisfazer a crescente demanda de produtos do tubarão, especialmente as barbatanas. Em anos recentes, com a queda na pesca de tubarões, há uma grande preocupação no mundo todo especialmente com o tubarão-branco.

Morde—solta

O tubarão-branco costuma abocanhar a presa, soltá-la e depois esperar que ela morra para comê-la. Esse hábito dá a chance de salvar a vítima, no caso de um humano. E isso já aconteceu, graças a companheiros corajosos, mostrando assim como é bom seguir o conselho de nunca nadar sozinho.
Mas tentar salvar a vítima seria quase um suicídio se não fosse por outro hábito do tubarão-branco. O cheiro de sangue não o deixa voraz como no caso de outros tubarões. E por que será que o tubarão-branco usa essa tática morde—solta?
É por causa dos olhos, especula um cientista. O tubarão-branco, diferentemente dos outros tubarões, não possui membranas que cobrem o olho para protegê-lo, mas gira os olhos para trás logo antes de atacar. No momento do impacto, o olho fica exposto a um possível golpe das nadadeiras de uma foca. É por isso que é hábito do tubarão-branco desferir um rápido golpe mortal e depois soltar.
É bom ter em mente também que o tubarão-branco se comporta como bebê — tudo é levado à boca para uma avaliação inicial. “O triste é que a mordida inicial de um grande-tubarão-branco pode ter conseqüências trágicas”, explica John West, biólogo marinho em Sydney, Austrália.
O tubarão-branco é um animal perigoso, mas não é nenhum monstro esfomeado louco por carne humana. Um mergulhador à procura de conchas orelhas-do-mar, nas 6.000 horas que passou debaixo da água, só viu dois tubarões-brancos e nenhum deles o atacou. Muito pelo contrário, a tendência deles é fugir dos humanos.
O explorador dos oceanos, Jacques Yves Cousteau, e um companheiro, ao mergulharem nas águas costeiras das ilhas do Cabo Verde de repente se confrontaram com um imenso tubarão-branco. “A reação [dele] foi a menos previsível”, escreveu Cousteau. “Apavorado, o monstro soltou uma nuvem de excremento e sumiu em uma velocidade incrível.” A conclusão dele: “Analisando as experiências que tivemos com o tubarão-branco, fico perplexo com a disparidade que existe entre o que o público imagina sobre essa criatura e o que vimos a seu respeito.”

Predador de humanos?

Há 368 espécies conhecidas de tubarão, mas apenas 20 são perigosas. E entre essas só quatro são responsáveis pela maioria dos 100 ataques contra humanos registrados a cada ano no mundo todo, dos quais 30 são fatais. Essas quatro espécies são o cabeça-chata, o que talvez já fez mais vítimas, o tubarão-tigre, o galha-branca oceânico e o tubarão-branco.
Por incrível que pareça, cerca de 55% — e em alguns lugares do mundo, cerca de 80% — dos que foram atacados por tubarões-brancos sobreviveram. Como tantos conseguiram escapar desse predador tão temido?

A força reside no sangue quente

O sistema circulatório da família Lamnidae de tubarões, que inclui o mako, o cação e o tubarão-branco é muito diferente do que o da maioria dos outros tubarões. A temperatura do sangue deles é de 3 a 5 graus Celsius acima da temperatura da água. Seu sangue mais quente acelera a digestão e aumenta a força e a resistência. O mako, que se alimenta de peixes rápidos do oceano, como o atum, chega a atingir uma velocidade de 100 quilômetros por hora, em arrancadas curtas.
Ao nadar, os tubarões ganham impulso por meio das duas barbatanas peitorais. Se nadarem muito devagar, eles afundam como uma aeronave e isto apesar da flutuação causada pelo óleo armazenado num fígado tão grande que chega a um quarto do peso total do tubarão. Por outro lado, para poder respirar, muitas espécies de tubarão não podem parar de nadar, visto que deste modo a água rica em oxigênio entra pela boca e pelas guelras. Isso explica o porquê do sorriso cruel do tubarão.

Descrição

O nome é grande-tubarão-branco, mas na realidade só a parte de baixo do corpo é branca ou clara. O dorso é geralmente cinza-escuro. As duas cores se encontram nas laterais do peixe formando uma linha irregular que varia de tubarão a tubarão. Essa particularidade favorece a camuflagem, mas também ajuda os cientistas a identificar tubarões específicos.
Qual o tamanho de um tubarão-branco adulto? “O comprimento dos maiores tubarões-brancos medidos corretamente é de 5,80 metros a 6,40 metros”, diz o livro Great White Shark (Grande-Tubarão-Branco). Um peixe desse tamanho pode pesar mais de duas toneladas. Mas, graças às barbatanas triangulares encurvadas para trás, junto com o tronco semelhante a um torpedo, esses monstros deslizam na água como mísseis. A cauda quase simétrica, projetada para aumentar a força, é outra raridade no mundo dos tubarões, visto que a maioria das outras espécies de tubarão tem cauda bem assimétrica.
O que mais distingue o tubarão-branco e o que mais apavora é a enorme cabeça cônica, os olhos pretos e frios e a boca com fileiras sucessivas de dentes afiados, serrilhados e triangulares. À medida que essas “facas” de dois gumes trincam ou caem, uma ‘correia dental’ empurra dentes da fileira de trás para substituir os da frente.

O grande-tubarão-branco ameaçado

O maior peixe carnívoro do mundo, o grande-tubarão-branco, é talvez o animal mais temido pelo homem. Apesar disso, atualmente é uma espécie protegida em todas ou em algumas das águas costeiras da África do Sul, da Austrália, do Brasil, dos Estados Unidos, da Namíbia e também no mar Mediterrâneo. Outros países e estados também têm planos para protegê-lo. Mas por que proteger um assassino? A questão, como veremos, não é tão simples assim e a imagem que se faz do tubarão-branco nem sempre se baseia em fatos.
O GRANDE-TUBARÃO-BRANCO, a orca e o cachalote estão no topo da cadeia alimentar marinha. Na família dos tubarões, ele é o rei, o supertubarão. Ele come de tudo — peixes, golfinhos e até tubarões, mas à medida que fica mais velho, maior e mais lento, ele passa a preferir focas, pingüins e carniça — especialmente baleias mortas.
A maioria dos tubarões, quando quer localizar alimento, usa todos os sentidos: a excelente visão, o olfato apurado e a audição aguçada, quase nada escapando aos seus ouvidos.
Células sensoras nas laterais do corpo ajudam a audição. Nada escapa a esse sistema de escuta especialmente sintonizado para captar vibrações violentas — como um peixe se debatendo na ponta de um arpão. Por esta razão, os mergulhadores que pescam com arpão fazem bem em tirar imediatamente da água peixes que se debatem ou que sangram.
Os tubarões também têm um sexto sentido. Graças às ampolas de Lorenzini, minúsculos dutos distribuídos em volta do nariz, eles detectam de longe campos elétricos gerados pelas batidas do coração, pelo movimento das guelras, ou dos músculos de presas potenciais. Esse sexto sentido é tão aguçado que torna os tubarões sensíveis à interação do campo magnético da Terra com o oceano. Assim, eles têm um senso de direção sabendo onde fica o norte e onde fica o sul.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A difícil situação do tubarão

DO REDATOR DE DESPERTAI! NO MÉXICO

POUCOS animais são tão amedrontadores como o tubarão. Calcula-se que no mundo inteiro haja em média, todo ano, 75 ataques não provocados de tubarão contra humanos, dos quais cerca de 10 são fatais. Esses ataques amplamente divulgados, junto com a imagem negativa transmitida pelos filmes, retratam o tubarão como um predador de humanos. É claro que se deve tomar cuidado com os tubarões. Mas, encarando o assunto na perspectiva certa, muito mais mortes são causadas por ferroadas de abelha e por crocodilos do que por ataques de tubarão.

Na realidade, é o tubarão que está sofrendo ataques da parte dos humanos. “Todo ano cem milhões de tubarões são capturados — um número tão grande que, se os colocássemos um atrás do outro, seria possível dar cinco voltas no globo”, relata um pesquisador da organização Argus Mariner Consulting Scientists na revista Premier. Além dessa pesca predatória, outros fatores responsáveis pelo declínio rápido da população de tubarões incluem seu índice de natalidade naturalmente baixo, o tempo prolongado que leva para se tornarem adultos, os longos períodos de gestação e a poluição de seus locais de reprodução. Uma vez reduzida demais, levaria anos para a população de tubarões voltar ao normal.

A maioria dos tubarões são capturados por causa de suas barbatanas. Elas são muito valorizadas por alguns asiáticos que lhes atribuem propriedades medicinais e afrodisíacas. A sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria cara que pode custar até 150 dólares a tigela! Para suprir o lucrativo mercado asiático, tem sido empregado o método cruel e desperdiçador de cortar as barbatanas de um tubarão vivo e depois soltá-lo no mar para morrer de fome ou afogado.

As principais atrações da baía dos Tubarões

As principais atrações da baía dos Tubarões são os golfinhos-nariz-de-garrafa de Monkey Mia, uma praia na extremidade da península de Denham. Monkey Mia é um dos poucos lugares no mundo onde golfinhos não-domesticados aproximam-se da praia para interagir com humanos. Ninguém sabe ao certo quando essa interação começou.

Alguns dizem que nos anos 50, golfinhos costumavam encurralar peixes na parte rasa da praia — prática que ainda ocorre hoje. Pode ser que algumas pessoas tenham aproveitado essa situação para alimentar os golfinhos e fazer amizade com eles. Em 1964, em Monkey Mia, uma pescadora local jogou um peixe para um golfinho solitário que brincava ao redor do seu barco. Na noite seguinte, o golfinho, que as pessoas passaram a chamar de Charlie, voltou e apanhou um peixe da mão dela. Logo os amigos de Charlie se juntaram a ele.

Desde então, três gerações de golfinhos têm encantado milhões de visitantes, bem como biólogos de vários países. Mais de cem biólogos estudaram esses animais, fazendo desses os golfinhos mais pesquisados do mundo.

Atualmente, na maioria das manhãs, golfinhos visitam a praia de Monkey Mia, em geral com seus filhotes. Multidões de visitantes ansiosos aguardam a chegada deles, mas apenas poucos conseguem alimentá-los. Por quê? Porque os responsáveis pelo local querem ter certeza de que os animais não fiquem dependentes dos humanos para se alimentar. No entanto, todos os espectadores conseguem ver como isso é feito. Uma mulher exclamou: “Como seria maravilhoso se pudéssemos desfrutar dessa proximidade com todas as criaturas da Terra!”

A Bíblia mostra que esse tipo de desejo reflete o propósito original de Deus de que todos os animais estivessem sujeitos aos humanos de modo pacífico. (Gênesis 1:28) Se você gosta de animais, ficará feliz em saber que o cumprimento do propósito de Deus, embora temporariamente interrompido pelo pecado, será realizado de forma plena quando o Reino de Deus, um governo celestial às mãos de Jesus Cristo, governar a Terra. — Mateus 6:9, 10; Revelação (Apocalipse) 11:15.

Sob o Reino de Deus, a Terra inteira será um santuário de beleza natural cheio de vida. Em breve, lugares como a baía dos Tubarões terão ainda mais a oferecer a seus visitantes. — Salmo 145:16; Isaías 11:6-9.

São rochas mesmo?

Em contraste com outras partes da baía dos Tubarões, Hamelin Pool, situada na extremidade sul da baía, parece deserta e sem vida. Por causa do elevado índice de evaporação, suas águas rasas e mornas são duas vezes mais salgadas que as do oceano. Na beira da água há algo semelhante a pedras cinzentas. No entanto, um exame mais cuidadoso revela que essas “pedras” na realidade são estromatólitos — produto de colônias de microorganismos unicelulares chamados cianobactérias, ou algas azuis. Cada metro quadrado é ocupado por cerca de três bilhões deles!

Esses resistentes microorganismos secretam um muco pegajoso que, misturado com partículas e sedimentos existentes na água do mar, produz um tipo de cimento que é acrescentado camada por camada ao seu lar com aparência de pedra. O processo é extraordinariamente lento. Na verdade, quando um estromatólito chega a uma altura de 30 centímetros, ele já deve ter cerca de mil anos!

Hamelin Pool tem a maior quantidade e diversidade de estromatólitos marinhos do mundo. Além disso, é um dos últimos refúgios ecológicos de estromatólitos do planeta.

Prados cheios de vida

Se tivesse olhado debaixo da água, Pelsaert teria encontrado seus prados verdejantes. Isso porque a baía dos Tubarões possui a maior e mais diversificada floresta de plantas marinhas do mundo, com mais de 4 mil quilômetros quadrados. Só o banco de plantas marinhas de Wooramel se estende por 130 quilômetros ao longo do braço oriental da baía dos Tubarões.

Essas plantas, que são floríferas, sustentam uma enorme variedade de vida marinha. Camarões, pequenos peixes e incontáveis outras criaturas do mar habitam esse santuário repleto de plantas. Os prados de plantas marinhas também fornecem bastante alimento a cerca de 10 mil dugongos, ou vacas-marinhas. Esses dóceis e curiosos mamíferos, que podem pesar até 400 quilos, alimentam-se tranqüilamente do pasto marinho, às vezes em rebanhos com mais de cem deles. O norte da Austrália, desde a baía dos Tubarões no oeste até à baía de Moreton no leste, talvez abrigue a maioria dos dugongos do mundo.

Como o próprio nome indica, há muitos tubarões de mais de 12 espécies nessa baía. Entre eles está o temido tubarão-tigre e o gigantesco, mas inofensivo, tubarão-baleia, o maior peixe do mundo. Os tubarões dividem essas águas com os golfinhos, contrariando o mito de que onde há golfinhos não há tubarões. Na verdade, pesquisadores descobriram que cerca de 70% dos golfinhos da região têm cicatrizes de ataques de tubarões. A diversificada vida animal da baía também inclui milhares de baleias jubarte (ou corcunda), que param aqui para descansar durante sua migração anual para o sul. Um número similarmente grande de tartarugas chega todos os anos para desovar nas praias.

Baía dos Tubarões — um paraíso marinho

DO REDATOR DE DESPERTAI! NA AUSTRÁLIA

A BAÍA DOS TUBARÕES é uma extensa enseada de águas rasas localizada no extremo oeste da Austrália, a uns 650 quilômetros ao norte da cidade de Perth. Em 1629, o explorador holandês Francois Pelsaert rotulou esse lugar deserto de “região vazia e amaldiçoada, desprovida de vegetação”. Mais tarde, alguns visitantes descreveram o que acharam da região usando nomes como Lugar sem Esperança, Baía Inútil e Arco da Decepção.

Hoje, porém, mais de 120 mil pessoas visitam a baía dos Tubarões anualmente. Essa região remota possui atrações tão extraordinárias que, em 1991, foi acrescentada à Lista do Patrimônio Mundial.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pingüins-anões, desafios gigantes

Como ocorre com outras criaturas que habitam o globo, os pingüins-anões enfrentam diversos desafios, muitos deles relacionados ao homem. As ameaças à sua sobrevivência incluem derramamentos de petróleo, diminuição do habitat devido à atividade humana e predadores (como raposas e animais de estimação) introduzidos em seu ambiente natural.
Fazem-se esforços louváveis para resolver essas questões. Em anos recentes, a população dos pingüins-anões na reserva ecológica da ilha Phillip tem-se estabilizado. “Estamos vencendo a batalha . . . mas devagar”, reflete o professor Cullen. “O maior desafio agora é garantir sua reserva alimentar . . . e isso é algo que depende do destino dos oceanos e da humanidade como um todo.” O aquecimento global e os fenômenos climáticos, como o El Niño, têm afetado os suprimentos alimentares dos oceanos e apresentam grandes questões com as quais se debatem os pesquisadores.
Os resultados de suas pesquisas sem dúvida nos conscientizarão ainda mais não só da grande diversidade, mas também da fragilidade dos ecossistemas de nosso planeta. Graças à proteção da vida selvagem que já é praticada na ilha Phillip, quem sabe um dia você também estará entre os observadores que cochicham empolgados: “Vai começar o desfile dos pingüins-anões!”

Começa o desfile!

Ao anoitecer, centenas de visitantes ansiosos ficam na expectativa para ver o desfile noturno dos pingüins, que já estão aglomerados longe da praia, além da rebentação das ondas, em bandos de centenas de aves. A praia está iluminada com vários holofotes. Sopra uma brisa suave, e pequenas ondas varrem a praia. A expectativa aumenta. Onde estão os pingüins? Será que virão à praia? De repente, os primeiros pingüins-anões aparecem e se agitam indecisos à beira da praia. Assustados, eles desaparecem nas ondas. Sabendo que podem ficar expostos a predadores, como águias, eles se mantêm em alerta máximo. Mas logo reaparecem e, aos poucos, vão ganhando confiança. Por fim, um corajoso sai da água e vai caminhando resolutamente em direção ao abrigo nas dunas. Os demais do grupo logo vão atrás. Sem fazer caso das luzes e dos observadores, eles vão marchando pela praia, como num desfile animado.
Ao chegarem à segurança das dunas, os pingüins relaxam visivelmente e se juntam em grupos maiores para alisar as penas com o bico. Grupo após grupo atravessa a praia, pausando para se confraternizar e “conversar” com os vizinhos antes de ir para casa. Para alguns, isso significa uma caminhada árdua e escalar desajeitadamente uma ladeira de uns 50 metros até chegar ao ninho.

Vida na terra

O litoral da ilha Phillip e do continente próximo é agreste e arenoso, coberto por densa vegetação. Isso o torna um habitat ideal para a colônia de 26.000 pingüins-anões. Tudo começa num ninho laboriosamente escavado pelos pais numa duna, onde a fêmea bota o ovo. Mesmo que fique vários dias exposto ao frio, o ovo ainda pode ser incubado pelos pais que se revezam conscienciosamente na tarefa. Nessa fase, o pai ou a mãe protege o ovo envolvendo-o com uma prega cutânea ricamente vascularizada do baixo ventre. A pele em contato com o ovo se incha, aquecida pelo sangue, transmitindo assim o calor essencial para o desenvolvimento do embrião. No intervalo entre as incubações, a dobra de pele murcha e a plumagem impermeável volta a recobrir a área, permitindo que a ave volte ao mar para se alimentar.
Ao sair da casca, o filhote cresce rapidamente. Num período de apenas oito a dez semanas, ele já é do tamanho de um adulto e está pronto para entrar no mar. “É impressionante que os jovens pingüins saiam para longas viagens no mar munidos apenas do seu fantástico equipamento fisiológico . . . e instintos de sobrevivência”, diz o livro Little Penguin—Fairy Penguins in Australia (Os Pingüins-Anões da Austrália).
Por um período de um a três anos os jovens pingüins percorrem milhares de quilômetros, passando grande parte do tempo no mar. Os que sobrevivem em geral voltam à colônia para reproduzir — a uns 500 metros do lugar onde nasceram. Como sabem o caminho de casa? Há quem diga que os pingüins se orientam pelo Sol, valendo-se do relógio biológico que os guia na direção certa apesar da mudança aparente da posição do astro nas várias estações. Outros acreditam que eles reconhecem marcos geográficos familiares. De qualquer forma, avistar esses marinheiros retornando à terra, depois de uma longa viagem ou após um dia árduo de pesca, é um espetáculo que atrai multidões à ilha Phillip.

“Colete salva-vidas”

Ao saírem em busca de alimentos, chegam a nadar 100 quilômetros por dia, permanecendo no mar por vários dias ou mesmo semanas, se preciso. Como dormem no mar? Isso é possível graças ao notável desenho de sua plumagem. O pingüim é dotado de grossa camada de penugem e penas imbricadas, o que torna sua plumagem três ou quatro vezes mais densa do que a das aves voadoras. O ar que fica preso debaixo dessa camada isolante o protege do frio e permite que flutue facilmente, como se fosse um colete salva-vidas. Assim, ele não tem nenhuma dificuldade em dormir no mar, boiando ao sabor das ondas como uma rolha, as nadadeiras estendidas como estabilizadores e o bico descansando incólume sobre a superfície das águas.
É claro que nem mesmo a densa plumagem lhe serviria de proteção se ficasse encharcada com as águas gélidas onde ele procura alimento. Mas isso não é problema para o pingüim: com a secreção oleosa produzida por uma glândula especial sobre a cauda, ele lubrifica as penas, mantendo-as impermeáveis, limpas e saudáveis. É uma roupa de causar inveja a qualquer mergulhador de águas profundas!
Como essa criatura que passa tanto tempo no mar dribla a falta de água doce? Ela dessaliniza a água com duas glândulas situadas sobre os olhos. Basta uma sacudida no bico para expelir o sal das narinas.
Os pingüins são também dotados de olhos especialmente projetados para enxergar tão bem debaixo da água quanto acima dela. Vemos assim que essa criatura é perfeitamente adaptada para a vida aquática. Mas, para a nossa felicidade, os pingüins-anões não passam o tempo todo no mar.

“Graciosos, mas briguentos”

Vestidos a rigor com sua plumagem de peitilho branco e dorso negro, os pingüins-anões encantam a todos. Medindo pouco mais de 30 centímetros de altura e pesando apenas 1 quilo, eles são os menores da família. Mas não se deixe enganar pela aparência. Apesar de pequenos, o que não lhes falta é garra e valentia.
“Os pingüins-anões são graciosos, mas briguentos”, explica o professor Mike Cullen, que estuda os pingüins da colônia da ilha Phillip há mais de 20 anos. Esse menor representante da família é também o mais barulhento. À noite, ouve-se uma gritaria na colônia — são os pingüins defendendo o ninho de intrusos, atraindo uma companheira, ou casais ensaiando um canto.
Quando descritos pela primeira vez em 1780, os pingüins-anões foram apropriadamente chamados de Eudyptula minor, que, em grego, significa “pequeno mergulhador habilidoso”. Com o corpo hidrodinâmico que lembra um torpedo, plumagem impermeável e asas semelhantes a nadadeiras, eles literalmente “voam” na água.

O desfile dos pingüins-anões

DO REDATOR DE DESPERTAI! NA AUSTRÁLIA
COM os olhos atentos, a multidão em silêncio aguarda a entrada dos “artistas”. De repente, no cenário iluminado por holofotes, a primeira criaturinha sai da água. Para o encanto da multidão, segue-se outra, e mais outra. Começa o espetáculo noturno. É o desfile dos pingüins-anões da ilha Phillip!
Os pingüins se tornaram conhecidos ao mundo quando os famosos exploradores Vasco da Gama e Fernão de Magalhães navegaram pelos mares do sul no século 16. Não foi fácil encaixar na classificação zoológica essa criatura que tem penas como ave, nada como peixe e anda em terra como qualquer outro animal terrestre. Mas por fim, foi a plumagem que decidiu a questão. Visto que somente as aves têm penas, o pingüim só podia ser uma ave. As 18 espécies dessa família de aves que não voam incluem desde o majestoso pingüim-imperador e o pingüim-de-adélia, da Antártida, até o pingüim-das-galápagos.
Gostaria de visitar uma colônia de pingüins em seu habitat? Então venha à ilha Phillip, que fica a apenas 140 quilômetros a sudeste da moderna cidade de Melbourne, Austrália. Cerca de 500.000 turistas afluem todo ano a esse lugar para admirar o pequeno prodígio. O que torna os pingüins-anões da ilha Phillip tão simpáticos?