Mas, de onde provém toda essa areia, de qualquer maneira? Tinha a impressão de que resultava de a maré constantemente rebentar sobre as rochas costeiras? Isto talvez esteja envolvido, mas realmente só é responsável por uma pequena porcentagem da areia total das praias. Para a ampla maioria das praias do mundo, a resposta é bem diversa. Não foi senão nos últimos vinte anos mais ou menos que os homens começaram a entender melhor as forças que atuam sobre as praias e os efeitos resultantes.
À medida que os processos comuns de envelhecimento decompõem as formações rochosas, não raro bem no interior, as correntes e os rios transportam diferentes quantidades de sedimento para serem depositados nas embocaduras dos rios. Os sedimentos e argilas mais finos são logo levados para o mar, deixando atrás grandes quantidades de areia nos deltas dos rios. Mas, daí, como é que areia chega onde as praias são formadas? Para entender esta transferência, temos que examinar algumas das forças que atuam sobre uma praia.
As ondas que são geradas pelo vento no alto mar por fim gastam suas energias no litoral. Não obstante, nem sempre açoitam de frente a praia, isto é, as ondas nem sempre são paralelas ao litoral. Por esta razão, a energia das ondas da enchente se divide em duas partes. A parte principal se dirige perpendicularmente à praia e se dissipa na rebentação. A segunda parte, muito inferior em energia total, se dirige numa corrente paralela à praia e se restringe entre a areia seca e a linha de rebentação. Esta corrente pode ser assemelhada a um rio, tendo como uma das “margens” a beira da praia seca, a outra “margem” sendo a linha mar adentro em que a primeira onda começa a rebentar.
Este rio talvez flua costa acima ou costa abaixo, dependendo da direção das ondas de enchente. Este “rio” costeiro é bem semelhante a seus primos que fluem através da terra firme, no sentido de que é capaz de transportar grande quantidade de sedimento. O sedimento transportado pelo “rio” costeiro, naturalmente, é a areia que constitui a praia pela qual flui.
A areia trazida por estes “rios” costeiros talvez envolva grandes quantidades — em algumas áreas, milhões de toneladas de areia por ano. Isto envolveria muitos vagões ferroviários de areia que chegassem à costa a cada dia do ano. A quantidade, contudo, varia de região a região, mas podemos claramente ver que a areia trazida pelos rios e correntes até o oceano vem a ser distribuída ao longo do litoral.
Ao passo que este processo de transporte de areia prossegue de contínuo, ainda outro processo se acha em operação. Este processo é um que transforma a aparência da própria praia de uma estação para outra. Na maioria das praias do mundo, as ondas de enchente são menores e mais brandas nos meses de verão, e maiores e mais poderosas nos meses de inverno. As ondas mais brandas tendem a puxar a areia praia acima, ao passo que as ondas tempestuosas do inverno arrastam a areia da praia e a depositam em grandes montes paralelos à praia. Chamamos estes montes de bancos de areia. Ao retornarem as ondas mais brandas do verão, os bancos de areia tendem a desaparecer, à medida que a areia é mais uma vez levada para a praia.
Caso todas as areias trazidas pelos rios para os oceanos permanecessem nas praias, por fim teríamos amplas e arenosas praias ao redor de todos os nossos continentes. Mas, conforme se verifica, grandes quantidades de areia são perdidas em alto mar à cada ano, além do ponto em que as ondas possam influir nelas.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Nem Todas São Iguais
Se a pessoa não viajou muito nem visitou outras partes do mundo, concluirá facilmente que todas as praias são quase iguais. Deveras, porém, há grandes variações — na cor, na qualidade da areia, na inclinação da praia, e assim por diante. Por exemplo, em áreas vulcânicas, a praia freqüentemente consistirá em areia escura grossa, que se deriva da lava. Em outras regiões, as areias talvez sejam bem coloridas, compostas de corais de alto mar que se tornaram bem finas. Ainda outras praias talvez sejam reluzentemente brancas, pois são formadas de conchas quebradas que foram reduzidas a pó.
A maioria das praias, contudo, tem areia composta de pequenos cristais arredondados de quartzo, junto com diminutas partículas de muitos tipos diferentes de rocha. Esta areia vem principalmente das áreas interiores, sendo levada para o mar pelos rios e correntes. Talvez varie desde a muito grossa até a finíssima.
É tal grossura ou fineza da areia, convém lembrar, que determina em grande parte as características da praia. Se a areia da praia for razoavelmente grossa, então a inclinação da praia será relativamente íngreme. Tais grãos de areia grossa não se tornam densamente compactados por causa de sua própria natureza.
Por outro lado, a areia fina forma uma praia de forma inteiramente diversa. A inclinação da praia será mais gradual, a linha de rebentação continuará rasa por uma distância maior e, por esta razão, as ondas rebentarão muito mais longe. E a areia fina se compacta bem solidamente, de modo que se pode guiar carro sobre ela. Um notável exemplo disso é a Praia de Daytona, Flórida, nos EUA.
A maioria das praias, contudo, tem areia composta de pequenos cristais arredondados de quartzo, junto com diminutas partículas de muitos tipos diferentes de rocha. Esta areia vem principalmente das áreas interiores, sendo levada para o mar pelos rios e correntes. Talvez varie desde a muito grossa até a finíssima.
É tal grossura ou fineza da areia, convém lembrar, que determina em grande parte as características da praia. Se a areia da praia for razoavelmente grossa, então a inclinação da praia será relativamente íngreme. Tais grãos de areia grossa não se tornam densamente compactados por causa de sua própria natureza.
Por outro lado, a areia fina forma uma praia de forma inteiramente diversa. A inclinação da praia será mais gradual, a linha de rebentação continuará rasa por uma distância maior e, por esta razão, as ondas rebentarão muito mais longe. E a areia fina se compacta bem solidamente, de modo que se pode guiar carro sobre ela. Um notável exemplo disso é a Praia de Daytona, Flórida, nos EUA.
O que forma uma praia?
Do correspondente de “Despertai!” na Guatemala
PARA multidões de pessoas, a idéia de passarem um dia de agradável recreação à beira-mar é muitíssimo convidativa. Pode significar muito divertimento — nadar, tomar sol, empenhar-se em esportes e associar-se com amigos e entes queridos no ar fresco e livre, com o suavizante som da rebentação ao fundo. Em especial, no verão, a praia exerce poderosa atração.
Ao redor do mundo, as praias se alinham por milhares de quilômetros à beira dos oceanos, mares e lagos. Constituem locais de folguedo naturais, imaginados como sendo imutáveis, duradouros, quase permanente. Mas, para as pessoas observadoras que visitam a mesma praia, ano após ano, mudanças definidas se tornam patentes. A quantidade de areia na praia talvez flutue. Em alguns casos, mudanças radicais para melhor ou para pior podem ser notadas.
Ao usufruirmos as atrações da praia e observarmos suas transformações graduais, talvez algumas perguntas entrem em nossa mente. De onde veio toda essa areia? Por que algumas praias se tornaram tão vítimas da erosão, e outras praticamente desapareceram? Por que algumas faixas agradáveis são quase desnudadas de areia no inverno, apenas vindo a recobrar o suprimento nos meses do verão? As respostas a estas perguntas talvez nos surpreendam, em especial se, como a maioria das pessoas, nos inclinarmos a ver as praias em grande parte como coisas corriqueiras.
PARA multidões de pessoas, a idéia de passarem um dia de agradável recreação à beira-mar é muitíssimo convidativa. Pode significar muito divertimento — nadar, tomar sol, empenhar-se em esportes e associar-se com amigos e entes queridos no ar fresco e livre, com o suavizante som da rebentação ao fundo. Em especial, no verão, a praia exerce poderosa atração.
Ao redor do mundo, as praias se alinham por milhares de quilômetros à beira dos oceanos, mares e lagos. Constituem locais de folguedo naturais, imaginados como sendo imutáveis, duradouros, quase permanente. Mas, para as pessoas observadoras que visitam a mesma praia, ano após ano, mudanças definidas se tornam patentes. A quantidade de areia na praia talvez flutue. Em alguns casos, mudanças radicais para melhor ou para pior podem ser notadas.
Ao usufruirmos as atrações da praia e observarmos suas transformações graduais, talvez algumas perguntas entrem em nossa mente. De onde veio toda essa areia? Por que algumas praias se tornaram tão vítimas da erosão, e outras praticamente desapareceram? Por que algumas faixas agradáveis são quase desnudadas de areia no inverno, apenas vindo a recobrar o suprimento nos meses do verão? As respostas a estas perguntas talvez nos surpreendam, em especial se, como a maioria das pessoas, nos inclinarmos a ver as praias em grande parte como coisas corriqueiras.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Navegando de olho no céu
Como os antigos navegadores usavam os corpos celestes para guiar suas embarcações? O nascente e o poente indicavam o leste e o oeste. Ao amanhecer, os marinheiros podiam perceber o aparente desvio do Sol em relação ao dia anterior, comparando a localização do nascente com as estrelas que se desvaneciam. À noite, podiam determinar sua posição observando a Estrela Polar, que parece ficar quase que diretamente acima do Pólo Norte após o anoitecer. No Hemisfério Sul, uma constelação brilhante conhecida como Cruzeiro do Sul ajudava-os a localizar o Pólo Sul. De modo que, numa noite de céu limpo, navegantes de todos os mares podiam verificar seu rumo usando pelo menos um ponto de referência no céu.
Mas esses não eram os únicos marcos estelares. Os polinésios e outros marinheiros do Pacífico, por exemplo, podiam ler o céu noturno como se fosse um mapa rodoviário. Uma de suas técnicas envolvia estabelecer um rumo em direção ao nascente ou ao poente de alguma estrela, que eles sabiam estar na mesma direção do seu destino. Durante toda a noite, esses navegadores também verificavam a posição relativa de outras estrelas para ter certeza de que estavam viajando na direção certa. Se o seu rumo estivesse errado, o céu mostrava-lhes como corrigi-lo.
Esse sistema era confiável? Numa época em que os marinheiros europeus costumavam navegar próximo ao litoral com medo de despencar da borda de uma Terra plana, os marujos do Pacífico, ao que tudo indica, faziam longas travessias no meio do oceano entre ilhotas minúsculas. Por exemplo, mais de 1.500 anos atrás, navegadores polinésios deixaram as ilhas Marquesas e rumaram para o norte, atravessando o enorme oceano Pacífico. Quando desembarcaram no Havaí, haviam viajado 3.700 quilômetros! O folclore das ilhas conta as idas e vindas dos antigos polinésios entre o Havaí e o Taiti. Alguns historiadores dizem que esses relatos não passam de lendas. Apesar disso, marinheiros da atualidade conseguiram refazer a viagem, orientando-se pelas estrelas, vagas oceânicas e outros fenômenos naturais — sem instrumentos.
Mas esses não eram os únicos marcos estelares. Os polinésios e outros marinheiros do Pacífico, por exemplo, podiam ler o céu noturno como se fosse um mapa rodoviário. Uma de suas técnicas envolvia estabelecer um rumo em direção ao nascente ou ao poente de alguma estrela, que eles sabiam estar na mesma direção do seu destino. Durante toda a noite, esses navegadores também verificavam a posição relativa de outras estrelas para ter certeza de que estavam viajando na direção certa. Se o seu rumo estivesse errado, o céu mostrava-lhes como corrigi-lo.
Esse sistema era confiável? Numa época em que os marinheiros europeus costumavam navegar próximo ao litoral com medo de despencar da borda de uma Terra plana, os marujos do Pacífico, ao que tudo indica, faziam longas travessias no meio do oceano entre ilhotas minúsculas. Por exemplo, mais de 1.500 anos atrás, navegadores polinésios deixaram as ilhas Marquesas e rumaram para o norte, atravessando o enorme oceano Pacífico. Quando desembarcaram no Havaí, haviam viajado 3.700 quilômetros! O folclore das ilhas conta as idas e vindas dos antigos polinésios entre o Havaí e o Taiti. Alguns historiadores dizem que esses relatos não passam de lendas. Apesar disso, marinheiros da atualidade conseguiram refazer a viagem, orientando-se pelas estrelas, vagas oceânicas e outros fenômenos naturais — sem instrumentos.
Quando a vida dependia da navegação por estima
Os primeiros marujos tinham de confiar na navegação por estima. Isso exigia que o navegador estivesse a par de três informações, conforme a gravura abaixo: (1) o ponto de partida do navio, (2) a velocidade e (3) o rumo (direção do movimento). Saber o ponto de partida era fácil. Mas como se poderia determinar o rumo?
Em 1492, Cristóvão Colombo usou uma bússola para verificar seu rumo. Mas as bússolas só se tornaram disponíveis na Europa no século 12 EC. Sem a bússola, os navegadores consultavam o Sol e as estrelas. Quando nuvens ocultavam a visão, os marinheiros orientavam-se pelas vagas oceânicas longas e regulares produzidas por ventos constantes. Eles prestavam atenção à posição do nascente e do poente do Sol e das estrelas em relação a essas vagas.
E como eles estimavam a velocidade? Um modo era medir o tempo que o navio levava para passar por um objeto que alguém na proa jogasse na água. Posteriormente, um método mais preciso envolvia soltar no mar um pedaço de madeira amarrado a uma corda graduada por nós feitos a intervalos regulares. A madeira, flutuando na água, puxava a corda conforme o navio avançava. Depois de um tempo predeterminado, a corda era recolhida e os nós que haviam sido puxados pela madeira eram contados. Este número indicava a velocidade do navio em nós — milhas marítimas por hora — unidade de medida que ainda é utilizada hoje em dia. Sabendo a velocidade, o navegador poderia calcular a distância percorrida pelo navio em um dia. Em uma carta náutica, um mapa do mar, ele traçava então uma linha para indicar seu avanço ao longo do rumo escolhido.
É claro que correntes marinhas e ventos laterais podiam desviar o navio do curso. Por isso, o navegador calculava e anotava periodicamente as correções de rumo necessárias para manter o navio na direção certa. Todo dia ele continuava a anotar de onde havia parado — medindo, calculando e marcando no mapa o trecho percorrido. Quando o navio finalmente soltava âncora, essas anotações diárias formavam um registro permanente de como havia chegado ao seu destino. Foi navegando por estima que Colombo fez o trajeto de ida e volta entre a Espanha e a América do Norte há mais de 500 anos. Suas cartas cuidadosamente traçadas tornam possível que navegantes atuais refaçam sua viagem memorável.
Em 1492, Cristóvão Colombo usou uma bússola para verificar seu rumo. Mas as bússolas só se tornaram disponíveis na Europa no século 12 EC. Sem a bússola, os navegadores consultavam o Sol e as estrelas. Quando nuvens ocultavam a visão, os marinheiros orientavam-se pelas vagas oceânicas longas e regulares produzidas por ventos constantes. Eles prestavam atenção à posição do nascente e do poente do Sol e das estrelas em relação a essas vagas.
E como eles estimavam a velocidade? Um modo era medir o tempo que o navio levava para passar por um objeto que alguém na proa jogasse na água. Posteriormente, um método mais preciso envolvia soltar no mar um pedaço de madeira amarrado a uma corda graduada por nós feitos a intervalos regulares. A madeira, flutuando na água, puxava a corda conforme o navio avançava. Depois de um tempo predeterminado, a corda era recolhida e os nós que haviam sido puxados pela madeira eram contados. Este número indicava a velocidade do navio em nós — milhas marítimas por hora — unidade de medida que ainda é utilizada hoje em dia. Sabendo a velocidade, o navegador poderia calcular a distância percorrida pelo navio em um dia. Em uma carta náutica, um mapa do mar, ele traçava então uma linha para indicar seu avanço ao longo do rumo escolhido.
É claro que correntes marinhas e ventos laterais podiam desviar o navio do curso. Por isso, o navegador calculava e anotava periodicamente as correções de rumo necessárias para manter o navio na direção certa. Todo dia ele continuava a anotar de onde havia parado — medindo, calculando e marcando no mapa o trecho percorrido. Quando o navio finalmente soltava âncora, essas anotações diárias formavam um registro permanente de como havia chegado ao seu destino. Foi navegando por estima que Colombo fez o trajeto de ida e volta entre a Espanha e a América do Norte há mais de 500 anos. Suas cartas cuidadosamente traçadas tornam possível que navegantes atuais refaçam sua viagem memorável.
Navegando com o mar, o céu e o vento
VOCÊ tem medo de cair da borda da Terra? É provável que não. Contudo, há evidências de que no passado alguns marinheiros temiam exatamente isso. Muitos só navegavam mantendo terra firme à vista. Mas outros marujos, mais corajosos, deixaram seus temores para trás e rumaram para o mar aberto.
Há cerca de 3.000 anos, navegantes fenícios deixaram os portos de seu país, na costa oriental do Mediterrâneo, para negociar na Europa e no Norte da África. No quarto século AEC, um explorador grego chamado Píteas circunavegou toda a Grã-Bretanha e talvez tenha alcançado a Islândia. E muito tempo antes de os navios europeus entrarem no oceano Índico, marinheiros árabes e chineses vindos do Oriente já o atravessavam. De fato, o primeiro europeu a navegar para a Índia, Vasco da Gama, chegou lá com segurança contando com a ajuda de um piloto árabe, Ibn Majid, que guiou os navios portugueses na travessia de 23 dias pelo oceano Índico. Como aqueles navegadores antigos se orientavam no mar?
Há cerca de 3.000 anos, navegantes fenícios deixaram os portos de seu país, na costa oriental do Mediterrâneo, para negociar na Europa e no Norte da África. No quarto século AEC, um explorador grego chamado Píteas circunavegou toda a Grã-Bretanha e talvez tenha alcançado a Islândia. E muito tempo antes de os navios europeus entrarem no oceano Índico, marinheiros árabes e chineses vindos do Oriente já o atravessavam. De fato, o primeiro europeu a navegar para a Índia, Vasco da Gama, chegou lá com segurança contando com a ajuda de um piloto árabe, Ibn Majid, que guiou os navios portugueses na travessia de 23 dias pelo oceano Índico. Como aqueles navegadores antigos se orientavam no mar?
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Evaporadores a céu aberto
A extração de sal no litoral atlântico da França continua basicamente a mesma de há séculos. Como se extrai o sal? O paludier, ou salineiro, passa do outono à primavera consertando os diques de argila e os canais nos paludes, e preparando os tanques de cristalização. Com a chegada do verão, o sol, o vento e as marés transformam os paludes em evaporadores a céu aberto. Na maré alta, a água do mar entra na primeira lagoa chamada vasière, onde a água é depositada e começa a evaporar. Depois, a água é vagarosamente canalizada através de uma série de tanques para se evaporar ainda mais. À medida que a água vai se tornando cada vez mais salgada, ocorre a proliferação de algas microscópicas, dando à salmoura uma coloração avermelhada temporária. Quando as algas morrem, perfumam o sal com um leve odor de violeta. Quando chega ao tanque de cristalização, a salmoura já está saturada, alcançando cerca de 260 gramas de sal por litro em vez de os 35 gramas normais por litro de água.
Devido à fragilidade natural dos paludes de maré, não é possível praticar a extração mecanizada, como a empregada nos paludes do Mediterrâneo, situados em Salin-de-Giraud e Aigues-Mortes. Usando um longo instrumento de madeira, semelhante ao rastelo, o salineiro puxa o sal para as bordas do tanque, tomando o cuidado de não raspar o fundo de argila do tanque raso. O sal, levemente acinzentado por causa da argila, é deixado para secar. Em média, o salineiro cuida de aproximadamente 60 tanques, cada qual com uma produção anual de cerca de uma tonelada e meia.
Sob certas circunstâncias, forma-se uma fina camada de sal na superfície da água, semelhante a flocos de neve. Essa fleur de sel (flor de sal), como é conhecida, representa apenas uma pequena porcentagem da produção anual, mas é muito apreciada na culinária francesa.
É claro que tudo depende dos caprichos das condições meteorológicas. Um ex-mercador de sal disse: “Nunca estamos protegidos contra as mudanças do tempo ao longo do ano. Em 1950, por exemplo, choveu o verão todo. Não conseguimos produzir o suficiente nem para encher um chapéu de palha.” Pascal, um paludier em Guérande, comentou: “Em 1997, produzi 180 toneladas de sal e 11 de ‘flor’. Este ano [1999], o tempo não estava tão bom. Produzi apenas 82 toneladas.” Ironicamente, o calor muito forte também pode ser prejudicial, fazendo com que a salmoura se superaqueça e não se cristalize.
Devido à fragilidade natural dos paludes de maré, não é possível praticar a extração mecanizada, como a empregada nos paludes do Mediterrâneo, situados em Salin-de-Giraud e Aigues-Mortes. Usando um longo instrumento de madeira, semelhante ao rastelo, o salineiro puxa o sal para as bordas do tanque, tomando o cuidado de não raspar o fundo de argila do tanque raso. O sal, levemente acinzentado por causa da argila, é deixado para secar. Em média, o salineiro cuida de aproximadamente 60 tanques, cada qual com uma produção anual de cerca de uma tonelada e meia.
Sob certas circunstâncias, forma-se uma fina camada de sal na superfície da água, semelhante a flocos de neve. Essa fleur de sel (flor de sal), como é conhecida, representa apenas uma pequena porcentagem da produção anual, mas é muito apreciada na culinária francesa.
É claro que tudo depende dos caprichos das condições meteorológicas. Um ex-mercador de sal disse: “Nunca estamos protegidos contra as mudanças do tempo ao longo do ano. Em 1950, por exemplo, choveu o verão todo. Não conseguimos produzir o suficiente nem para encher um chapéu de palha.” Pascal, um paludier em Guérande, comentou: “Em 1997, produzi 180 toneladas de sal e 11 de ‘flor’. Este ano [1999], o tempo não estava tão bom. Produzi apenas 82 toneladas.” Ironicamente, o calor muito forte também pode ser prejudicial, fazendo com que a salmoura se superaqueça e não se cristalize.
“Ouro branco”
O uso de tanques de cristalização no litoral atlântico francês remonta ao terceiro século EC. Mas foi só no final da Idade Média que a produção de sal evoluiu. O crescimento da população na Europa medieval aumentou muito o consumo de sal, que tem a propriedade de preservar carnes e peixes. Para preservar quatro toneladas de arenque, por exemplo, era necessário uma tonelada de sal. Visto que a carne era um luxo para a população em geral, o peixe salgado tornou-se a base da alimentação diária. Navios de todo o norte da Europa vinham para o litoral da Bretanha para comprar quantidades enormes de sal, que os pescadores usavam na preservação do pescado.
A riqueza obtida com esse “ouro branco” não passou despercebida pelos reis da França. Em 1340, estabeleceu-se um imposto sobre o sal, que ficou conhecido como gabela, palavra originária do árabe qabālah (imposto). Essa tributação era extremamente impopular e ocasionou revoltas sangrentas. Considerado especialmente injusto foi o fato de que o comprador era obrigado a pagar um preço alto pelo sal e a comprar uma quantia mínima estipulada, independentemente de sua real necessidade. Além disso, alguns privilegiados, tais como a nobreza e o clero, estavam isentos do imposto. Certas províncias também estavam isentas, incluindo a Bretanha, enquanto outras pagavam apenas um quarto do preço. Isso levou a grandes disparidades no valor do sal, que em algumas províncias era umas 40 vezes mais caro do que em outras.
Não é de admirar que, nessas circunstâncias, o contrabando tenha se tornado uma atividade próspera. No entanto, os que eram flagrados contrabandeando sofriam uma severa punição. Podiam ser marcados com ferro quente, ser enviados para as galés e até mesmo ser sentenciados à morte. No início do século 18, cerca de um quarto de todos os escravos de galé eram contrabandistas de sal e os outros eram criminosos comuns, desertores do exército ou protestantes perseguidos após a revogação do Edito de Nantes. Quando a Revolução de 1789 se espalhou pela França, uma das primeiras exigências foi o fim desse abominado imposto.
A riqueza obtida com esse “ouro branco” não passou despercebida pelos reis da França. Em 1340, estabeleceu-se um imposto sobre o sal, que ficou conhecido como gabela, palavra originária do árabe qabālah (imposto). Essa tributação era extremamente impopular e ocasionou revoltas sangrentas. Considerado especialmente injusto foi o fato de que o comprador era obrigado a pagar um preço alto pelo sal e a comprar uma quantia mínima estipulada, independentemente de sua real necessidade. Além disso, alguns privilegiados, tais como a nobreza e o clero, estavam isentos do imposto. Certas províncias também estavam isentas, incluindo a Bretanha, enquanto outras pagavam apenas um quarto do preço. Isso levou a grandes disparidades no valor do sal, que em algumas províncias era umas 40 vezes mais caro do que em outras.
Não é de admirar que, nessas circunstâncias, o contrabando tenha se tornado uma atividade próspera. No entanto, os que eram flagrados contrabandeando sofriam uma severa punição. Podiam ser marcados com ferro quente, ser enviados para as galés e até mesmo ser sentenciados à morte. No início do século 18, cerca de um quarto de todos os escravos de galé eram contrabandistas de sal e os outros eram criminosos comuns, desertores do exército ou protestantes perseguidos após a revogação do Edito de Nantes. Quando a Revolução de 1789 se espalhou pela França, uma das primeiras exigências foi o fim desse abominado imposto.
Sal — produto da ação do sol, mar e vento
DO REDATOR DE DESPERTAI! NA FRANÇA
ENTRE o mar e a terra, um mosaico de tanques retangulares com vários tons reflete as mudanças ocorridas no céu. Um paludier, que em francês significa “salineiro”, retira da água um produto valioso e faz pequenos montes brancos com ele, semelhantes a pirâmides, que brilham à luz do sol. Aqui nos paludes de Guérande e nas ilhas de Noirmoutier e Ré, ambas no litoral do Atlântico, os paludiers franceses continuam a usar métodos tradicionais na extração do sal.
ENTRE o mar e a terra, um mosaico de tanques retangulares com vários tons reflete as mudanças ocorridas no céu. Um paludier, que em francês significa “salineiro”, retira da água um produto valioso e faz pequenos montes brancos com ele, semelhantes a pirâmides, que brilham à luz do sol. Aqui nos paludes de Guérande e nas ilhas de Noirmoutier e Ré, ambas no litoral do Atlântico, os paludiers franceses continuam a usar métodos tradicionais na extração do sal.
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