domingo, 30 de maio de 2010

Praticar Surfe Dentro dum Estilo de Vida Melhor

“Na época em que praticava surfe, e usava drogas, eu era afligido por perguntas sobre o lado espiritual da vida. Queria respostas a perguntas tais como: Por que existimos? Há vida após a morte? Se fomos feitos para viver em harmonia com a natureza e com Deus, por que é a humanidade tão propensa à destruição? Na minha busca examinei várias filosofias orientais, mas não me satisfizeram. Daí, um par de surfistas com o qual eu trabalhava começou a estudar a Bíblia com os estudantes da Bíblia. Logo fiquei impressionado com a mudança de atitude deles. Tornaram-se menos agressivos e parecia que desenvolviam uma genuína preocupação para com seu próximo — nesse caso, para comigo!

“Certo dia discutíamos as condições mundiais quando um dos homens mostrou-me um texto em 2 Timóteo, capítulo 3, onde menciona os ‘últimos dias’ e descreve como seriam as atitudes das pessoas. Isto realmente me impressionou porque pude relacionar isso com o nosso tempo. Ao progredir no entendimento da Bíblia passei a aprender sobre esse amoroso Deus, Deus, que tomará medidas para ‘arruinar os que arruínam a terra’. (Revelação 11:18) Pude ver assim que era necessário o homem harmonizar sua vida com o propósito de Deus. Isso significava que eu tinha de fazer mudanças no meu estilo de vida. Deixei de levar uma vida imoral e abandonei as drogas. Em 1974, antes do meu acidente, fui batizado como servo dedicado de Deus, um dos estudantes da Bíblia.

“Naturalmente, meu amor pelo surfe não diminuiu e eu o praticava sempre que podia. Mas não mais dominava minha vida, como antes, e eu podia usufruí-lo em relação com o Criador e suas grandes obras, uma das quais são os oceanos.

“Meu acidente não afetou minha crença em Deus e em suas promessas de transformar esta terra sob o governo justo de seu reino por Cristo. Com saúde restaurada na futura nova ordem de Deus, aguardo usufruir de novo as emoções das ondas. No ínterim, minha esposa e eu fazemos tudo que podemos para ajudar outros, incluindo surfistas, a conhecerem o verdadeiro Deus, Deus, e seu Filho, Cristo Jesus, através de quem é possível a salvação deste corrupto sistema de coisas.”

Quão Seguro É o Surfe?

Eu me perguntava a respeito disso e decidi indagar a opinião do ex-surfista John Wright. Ele está especialmente em condições de responder, como verá.

“Aos onze anos eu já deslizava sobre ondas na costa australiana. Quando uma equipe de surfistas da Califórnia visitou Sídnei, no verão de 1956, a febre do surfe realmente pegou. Simplesmente observar aqueles californianos realizar as suas proezas realmente inspirava a nós, jovens — ‘cornering’, ‘andar na prancha’, ‘giros’, ‘head dips’ — eles faziam tudo parecer tão fácil!

“Quando fiquei mais velho, meu apetite pelas grandes ondas da Califórnia e do Havaí foi aguçado. Aos vinte e um anos, saí da universidade e comecei a trabalhar e economizar para minha primeira viagem aos EUA. Quando finalmente consegui, descobri que o estilo de vida dos surfistas em geral não era muito diferente do que na Austrália — festas com bebedeiras, rixas, moral dissoluta e abuso de drogas. Brigas por causa de ondas eram comuns.

“Mas, talvez se pergunte, que dizer da segurança? Obviamente, no surfe você leva muitos tombos, mas, em geral na água. Assim, se for bom nadador, normalmente não há perigo real. Mas sempre existem as circunstâncias imprevistas que podem atingir a qualquer um em qualquer época. Tome meu caso como exemplo.

“Certo dia, em 1975, ao testar uma nova prancha numa praia local, eu fazia uma ‘reentrada’ numa onda de um pouco mais de um metro. A onda passou por um banco de areia raso e a sua crista me lançou de cabeça na areia. Todo o peso do corpo caiu em cima do pescoço. Levantei-me e em seguida caí de bruços na água, a uma profundidade de uns trinta centímetros. Deitado ali, eu me perguntava por que não podia me mexer.

“Quando ia perdendo o fôlego, um colega surfista que pegara a onda antes de mim viu-me flutuando ali e veio socorrer-me. Ele me virou de costas e me arrastou boiando até a praia. A essa altura uma pequena multidão já se ajuntara na praia. O tempo que eu esperava pela ambulância parecia horas. Foi a última vez que deslizei numa prancha de surfe. Eu quebrara o pescoço. Desde então tenho sido um quadriplégico.

“A idéia de ficar confinado a uma cadeira de rodas me afligia muito. Gradualmente, com a ajuda da fisioterapia, recuperei muito das funções dos braços e das mãos e posso andar com a ajuda de muletas, graças também ao constante incentivo de minha querida esposa, com a qual me casei em janeiro de 1980.

“Embora não possa praticar o surfe, gosto de nadar, o que me ajuda a ficar em boa forma, e ainda gosto de apreciar o surfe e os muitos surfistas habilidosos que deslizam sobre as ondas perto de nossa casa que dá vistas para o mar na costa oriental da Austrália.

“Há alguma lição para se aprender de minha infeliz experiência? Acidentes podem acontecer em qualquer esporte devido a circunstâncias imprevistas. Se eu tivesse batido naquele banco de areia com as mãos em vez de com a cabeça, a história teria sido diferente. Obviamente, você não pode brincar com as forças cegas da natureza. Uma onda, arrastando toneladas de água, pode gerar uma força tremenda. É por isso que o surfista precisa saber ajustar-se ao fluxo e ao ritmo da onda. Também é útil conhecer o tipo de terreno sob as ondas e estar preparado para medidas de emergência, se necessário.

“Quando recordo meus dias de surfista, vêm-me à mente muitos momentos felizes e emocionantes. Era um prazer ajustar-se aos sempre mutantes movimentos das ondas. Mas havia também os aspectos negativos de um estilo de vida que incluía vício de drogas e moral dissoluta. Além disso, existe a agressividade e a competição.

“Sou também obrigado a refletir sobre outro aspecto do surfe. Supõe-se que todo esporte seja uma recreação, um passatempo, uma mudança na rotina normal da vida. Naturalmente, se alguém é profissional, é diferente. Mas, tenho de admitir que o surfe era mais do que isso para mim. Era uma ocupação integral consumidora de tempo e energia. Dias inteiros eram gastos praticando surfe, na espera do ‘tubo’ perfeito, a onda realmente grande. Posso ver agora a facilidade com que se tornou uma atividade egocêntrica, dificilmente preocupando-me com qualquer outra pessoa. E no fim da semana, ou do mês, que havia para mostrar? Naturalmente, como recreação nas horas de folga o surfe é tão bom quanto qualquer outro esporte. Agora, porém, como cristão ativo inclino-me a dizer que não deve ser praticado a ponto de excluir outras pessoas e responsabilidades.

Há Alguns Inconvenientes?

Para responder a essa pergunta dirijo-me a meu segundo informante, Rob McTavish, bem conhecido no mundo do surfe como desenhador de pranchas.

“A prática do surfe me levou a viajar por todo o mundo e vi as mudanças que se introduziram nas últimas duas décadas. Nem todas foram para melhor.

“No início da década de 60 desenvolveu-se um inteiro estilo de vida em torno desse esporte, um estilo contrário à cultura materialista de vencer a todo custo. Muitos surfistas abandonaram carreiras promissoras e juntaram seus recursos para custear a gasolina em sua busca de boas ondas pelo mundo afora. O dinheiro não era considerado tão importante. Basicamente, os surfistas naquela época simplesmente tentavam usufruir as dádivas naturais do sol e do surfe.

“À medida que avançavam os anos 60, muitos surfistas foram arrastados para a contracultura, o movimento hippie, e, naturalmente, às drogas que a acompanham. Tenho visto muitos anteriormente dedicados saudáveis surfistas acabarem como escórias humanas de degradação e vício.

“Outro fator negativo no esporte tem sido a competição, o comercialismo e o profissionalismo crescentes. Isso tem sido mais evidente desde a inovação da prancha curta, em 1967. Essa prancha pequena levou os aspectos de deslizar sobre ondas a níveis inteiramente novos de emoção. Para fazê-la deslizar são necessárias ondas mais poderosas e isso significa viajar a lugares como o Havaí e a Indonésia em busca dos grandes vagalhões do meio do oceano, que formam as ondas realmente de alta qualidade.

“Havendo mais surfistas, introduziu-se um espírito agressivo. Multidões de surfistas acotovelam-se e disputam as melhores ondas. Isso pode amiúde levar a brigas e empurrões.

“Talvez se pergunte o que acontece quando um surfista fica mais velho e a competição por ondas se torna mais difícil. Muitos acabam num dilema. Talvez tenham gasto toda sua adolescência e chegado aos 30 perseguindo ondas, e, então, com esposa e filhos descobrem que não estão muito bem qualificados para ganhar a vida. Outros se estabeleceram na vida vendendo drogas e por fim tornaram-se parte do novo ‘sistema’, igual ao que se opunham nos anos sessenta.”

É Monótono o Surfe?

“Alguns perguntam: ‘Não é monótono o surfe, simplesmente ficar esperando na água por uma boa onda e fazer a mesma coisa vez após vez? De modo algum. Cada vagalhão do mar é diferente. Cada banco de areia forma uma quebra de ondas diferente. Todas as ondas em que se desliza variam, não só em extensão e potência, mas em velocidade, textura e índice de quebra. Certamente não há lugar para monotonia!

“Que dizer sobre os custos do surfe? Custa muito começar? Não, realmente. De fato, um de seus atrativos para os jovens é que oferece muito por pouco dinheiro. Para começar, o mar é grátis. Naturalmente, você primeiro tem de estar ali. Daí, tudo o que precisa comprar é uma prancha de surfe e um traje de mergulho, se a água for fria. Se não, qualquer roupa de natação serve.”

O surfe — que está envolvido?

Conforme depoimento ao correspondente de “Despertai!” na Austrália

QUAL a sensação que se tem ao deslizar suavemente nas ondas de uma bela praia banhada pelo sol? Milhares de pessoas em todo o mundo sentem regularmente essa emoção. São os surfistas, e praticar o surfe é seu prazer especial na vida. Convidei três amigos australianos para que explicassem os atrativos especiais do surfe. Ao ler suas experiências, você captará também uma oportuna palavra de cautela. Darei primeiro a oportunidade a John Gittins dar o seu depoimento.

“Fui acordado pelo trovoar de enormes ondas martelando as rochas vulcânicas abaixo de mim. O ruído me entusiasmava, mas, ao mesmo tempo me assustava um pouco. Por quê? Porque logo eu estaria testando minha perícia e energia deslizando naqueles monstros aquáticos.

“Ainda meio adormecido, procurei meu calção de surfe “ateando no interior escuro de meu pequeno furgão. Ao abrir a porta do furgão, meus mais ardentes sonhos se realizaram. Ondas perfeitas de 3 a 4 metros sucediam-se em harmoniosa formação lá embaixo na bela baía de Honolua, na ilha de Maui, Havaí. O que eu contemplava era um sonho dos surfistas.

“Eu já havia praticado surfe em alguns dos principais pontos de surfe na Austrália, na África do Sul e na Europa. Agora no Havaí, eu estava na Meca dos surfistas. Diante de meus olhos estavam as maiores, as mais poderosamente bem talhadas ondas que eu já vira. Com a prancha debaixo dos braços, desci correndo a trilha entre os cactos silvestres em direção ao mar. Uma rápida mas cuidadosa olhada nas ondas que se aproximavam indicou que havia um período de remanso, dando exatamente o tempo necessário para a corrida final até um rochedo que servia de trampolim e, em seguida, ali estava eu — na bela, fria e límpida ressaca havaiana.

“Saí remando e, no momento exato, fui de encontro à face de uma das grandes ondas. O incrível impulso quando a onda tomou conta e a suave velocidade da descida ainda estão bem vivos na minha mente. Desviando da base da onda subi rasgando a longa muralha verde, deslizando na sua beirada a uma velocidade maior do que eu já alcançara antes. O bramido da onda trovejante me atingia em cheio. Por um momento pensei que tudo estava perdido ao passo que a impetuosa crista da onda me rodeava. Mas, finalmente deslizei até a extremidade, saí por trás da onda desvanecente para as águas profundas da baía. Que emoção foi isso!

“Ora, praticar surfe talvez não seja a idéia que você forma do prazer, mas, a maioria das pessoas pelo menos gostam de ficar olhando. Os amantes de fotografia, com as suas objetivas zoom ficam realmente entusiasmados. E onde quer que havia grandes ondas, é mais do que provável que ali também haja surfistas. Muitos viajam o mundo todo apenas em busca de boas ondas para deslizar. De fato, o surfe é agora um esporte profissional, com seu próprio sistema de pontos e cada vez maiores prêmios em dinheiro.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Morde—solta

O tubarão-branco costuma abocanhar a presa, soltá-la e depois esperar que ela morra para comê-la. Esse hábito dá a chance de salvar a vítima, no caso de um humano. E isso já aconteceu, graças a companheiros corajosos, mostrando assim como é bom seguir o conselho de nunca nadar sozinho.

Mas tentar salvar a vítima seria quase um suicídio se não fosse por outro hábito do tubarão-branco. O cheiro de sangue não o deixa voraz como no caso de outros tubarões. E por que será que o tubarão-branco usa essa tática morde—solta?

É por causa dos olhos, especula um cientista. O tubarão-branco, diferentemente dos outros tubarões, não possui membranas que cobrem o olho para protegê-lo, mas gira os olhos para trás logo antes de atacar. No momento do impacto, o olho fica exposto a um possível golpe das nadadeiras de uma foca. É por isso que é hábito do tubarão-branco desferir um rápido golpe mortal e depois soltar.

É bom ter em mente também que o tubarão-branco se comporta como bebê — tudo é levado à boca para uma avaliação inicial. “O triste é que a mordida inicial de um grande-tubarão-branco pode ter conseqüências trágicas”, explica John West, biólogo marinho em Sydney, Austrália.

O tubarão-branco é um animal perigoso, mas não é nenhum monstro esfomeado louco por carne humana. Um mergulhador à procura de conchas orelhas-do-mar, nas 6.000 horas que passou debaixo da água, só viu dois tubarões-brancos e nenhum deles o atacou. Muito pelo contrário, a tendência deles é fugir dos humanos.

O explorador dos oceanos, Jacques Yves Cousteau, e um companheiro, ao mergulharem nas águas costeiras das ilhas do Cabo Verde de repente se confrontaram com um imenso tubarão-branco. “A reação [dele] foi a menos previsível”, escreveu Cousteau. “Apavorado, o monstro soltou uma nuvem de excremento e sumiu em uma velocidade incrível.” A conclusão dele: “Analisando as experiências que tivemos com o tubarão-branco, fico perplexo com a disparidade que existe entre o que o público imagina sobre essa criatura e o que vimos a seu respeito.”

Predador de humanos?

Há 368 espécies conhecidas de tubarão, mas apenas 20 são perigosas. E entre essas só quatro são responsáveis pela maioria dos 100 ataques contra humanos registrados a cada ano no mundo todo, dos quais 30 são fatais. Essas quatro espécies são o cabeça-chata, o que talvez já fez mais vítimas, o tubarão-tigre, o galha-branca oceânico e o tubarão-branco.

Por incrível que pareça, cerca de 55% — e em alguns lugares do mundo, cerca de 80% — dos que foram atacados por tubarões-brancos sobreviveram. Como tantos conseguiram escapar desse predador tão temido?

A força reside no sangue quente

O sistema circulatório da família Lamnidae de tubarões, que inclui o mako, o cação e o tubarão-branco é muito diferente do que o da maioria dos outros tubarões. A temperatura do sangue deles é de 3 a 5 graus Celsius acima da temperatura da água. Seu sangue mais quente acelera a digestão e aumenta a força e a resistência. O mako, que se alimenta de peixes rápidos do oceano, como o atum, chega a atingir uma velocidade de 100 quilômetros por hora, em arrancadas curtas.

Ao nadar, os tubarões ganham impulso por meio das duas barbatanas peitorais. Se nadarem muito devagar, eles afundam como uma aeronave e isto apesar da flutuação causada pelo óleo armazenado num fígado tão grande que chega a um quarto do peso total do tubarão. Por outro lado, para poder respirar, muitas espécies de tubarão não podem parar de nadar, visto que deste modo a água rica em oxigênio entra pela boca e pelas guelras. Isso explica o porquê do sorriso cruel do tubarão.

Descrição

O nome é grande-tubarão-branco, mas na realidade só a parte de baixo do corpo é branca ou clara. O dorso é geralmente cinza-escuro. As duas cores se encontram nas laterais do peixe formando uma linha irregular que varia de tubarão a tubarão. Essa particularidade favorece a camuflagem, mas também ajuda os cientistas a identificar tubarões específicos.

Qual o tamanho de um tubarão-branco adulto? “O comprimento dos maiores tubarões-brancos medidos corretamente é de 5,80 metros a 6,40 metros”, diz o livro Great White Shark (Grande-Tubarão-Branco). Um peixe desse tamanho pode pesar mais de duas toneladas. Mas, graças às barbatanas triangulares encurvadas para trás, junto com o tronco semelhante a um torpedo, esses monstros deslizam na água como mísseis. A cauda quase simétrica, projetada para aumentar a força, é outra raridade no mundo dos tubarões, visto que a maioria das outras espécies de tubarão tem cauda bem assimétrica.

O que mais distingue o tubarão-branco e o que mais apavora é a enorme cabeça cônica, os olhos pretos e frios e a boca com fileiras sucessivas de dentes afiados, serrilhados e triangulares. À medida que essas “facas” de dois gumes trincam ou caem, uma ‘correia dental’ empurra dentes da fileira de trás para substituir os da frente.

O grande-tubarão-branco ameaçado

O maior peixe carnívoro do mundo, o grande-tubarão-branco, é talvez o animal mais temido pelo homem. Apesar disso, atualmente é uma espécie protegida em todas ou em algumas das águas costeiras da África do Sul, da Austrália, do Brasil, dos Estados Unidos, da Namíbia e também no mar Mediterrâneo. Outros países e estados também têm planos para protegê-lo. Mas por que proteger um assassino? A questão, como veremos, não é tão simples assim e a imagem que se faz do tubarão-branco nem sempre se baseia em fatos.

O GRANDE-TUBARÃO-BRANCO, a orca e o cachalote estão no topo da cadeia alimentar marinha. Na família dos tubarões, ele é o rei, o supertubarão. Ele come de tudo — peixes, golfinhos e até tubarões, mas à medida que fica mais velho, maior e mais lento, ele passa a preferir focas, pingüins e carniça — especialmente baleias mortas.

A maioria dos tubarões, quando quer localizar alimento, usa todos os sentidos: a excelente visão, o olfato apurado e a audição aguçada, quase nada escapando aos seus ouvidos.

Células sensoras nas laterais do corpo ajudam a audição. Nada escapa a esse sistema de escuta especialmente sintonizado para captar vibrações violentas — como um peixe se debatendo na ponta de um arpão. Por esta razão, os mergulhadores que pescam com arpão fazem bem em tirar imediatamente da água peixes que se debatem ou que sangram.

Os tubarões também têm um sexto sentido. Graças às ampolas de Lorenzini, minúsculos dutos distribuídos em volta do nariz, eles detectam de longe campos elétricos gerados pelas batidas do coração, pelo movimento das guelras, ou dos músculos de presas potenciais. Esse sexto sentido é tão aguçado que torna os tubarões sensíveis à interação do campo magnético da Terra com o oceano. Assim, eles têm um senso de direção sabendo onde fica o norte e onde fica o sul.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Terra Moribunda e Pessoas Doentes

Tragicamente, a terra está sendo envenenada pela concentração de sais no solo. Quando o solo do deserto é irrigado, o sol quente evapora grande parte da água, concentrando os sais no solo. Além disso, quando enormes quantidades de água de irrigação embebem o solo, isto gradualmente eleva o nível do lençol freático. E quando a água contaminada atinge as raízes das plantas, as raízes são prejudicadas pela toxicidade da água. Isto é o que está acontecendo na bacia do Aral. “O mesmo flagelo que contribuiu para o declínio das primitivas civilizações mesopotâmicas”, explicou certo escritor, “reclama mais uma vítima”.

As pessoas também estão sendo envenenadas. Pesticidas e herbicidas infiltram-se e contaminam a água de poços. Assim, muitos bebem água que contém perigosas substâncias químicas, e as conseqüências são trágicas. “A literatura médica local”, comenta a revista World Watch, “está repleta de casos de defeitos congênitos, aumento de doenças hepáticas e renais, de gastrite crônica, de crescente mortalidade infantil e de elevados índices de câncer”.

O Dr. Leonid Elpiner, especialista em problemas de saúde na região do mar de Aral, caracterizou as doenças que ocorrem ali como “AIDS de pesticidas”. Ele disse: “O principal objetivo, cremos, já não é salvar o mar de Aral. É salvar a população.”

Um editor da revista National Geographic, William S. Ellis, um dos primeiros americanos a visitar a região, escreveu: “O mar é uma tragédia ambiental em andamento — no mínimo igual, dizem muitos, à catástrofe nuclear de Chernobyl, em 1986.” Numa reunião em Muynak, alguém chegou a dizer que é “dez vezes pior”.

De fato, o que está acontecendo ao mar de Aral é uma tragédia. No entanto, não foi intencional. Os administradores tinham boas intenções. Tentavam fazer o deserto vicejar para alimentar o povo. Mas a execução de seus planos causou terrível sofrimento, ultrapassando em muito os benefícios.

Refletindo na tragédia do mar de Aral, certo escritor comentou sobre a responsabilidade humana de deixar a Terra para gerações futuras “como um lugar bem cuidado e mais dignificado”. Infelizmente tem ocorrido o oposto aqui, como evidenciam as dramáticas mudanças que começaram na bacia do Aral há mais de 30 anos.

Benefícios com Tristes Conseqüências

A principal plantação é de algodão, com cerca de metade das terras dedicadas a ele. Antes da dissolução da União Soviética, 95 por cento do algodão usado provinha das terras irrigadas da bacia do Aral. Ademais, havia um excedente para exportação que fornecia divisas necessárias. A região também produzia cerca de 40 por cento do arroz da União Soviética.

Além disso, a bacia do Aral tornou-se o principal fornecedor do país de frutas e hortaliças frescas, como a Califórnia o é para os Estados Unidos. E surgiram oportunidades de emprego para a população, de 40 milhões de pessoas, em rápido crescimento naquela região. Todavia, pouco se pensou em como o meio ambiente seria afetado.

Por exemplo, os canais de irrigação não eram forrados de concreto. Devido a isso, grande parte da água vazava para o solo arenoso mesmo antes de chegar às plantações. Além disso, usavam-se grandes quantidades de perigosos pesticidas, e, para facilitar a colheita de algodão, utilizavam-se potentes herbicidas para desfolhar as plantas.

Assim, o prejuízo para o meio ambiente foi grande, atingindo muito mais do que a ruína da indústria pesqueira do mar de Aral. Por exemplo, todo ano dezenas de milhões de toneladas de areia e de sal agitadas pelo vento, dos 28.000 quilômetros quadrados do leito exposto, causam tempestades suficientemente grandes para serem vistas do espaço.

A precipitação dessas tempestades, na forma de pó ou de chuva, contém níveis tóxicos de sais, pesticidas e outros componentes. Partes da bacia do Aral recebem anualmente até meia tonelada por acre dessa mistura de sal e areia. E já se detectou pó do Aral até na costa ártica da Rússia.

Outra perspectiva assustadora é o efeito que o minguante mar de Aral tem exercido no clima. A influência moderadora do mar sobre o clima tem diminuído tanto que as temperaturas de verão são mais elevadas e as de inverno são mais baixas. Na primavera, as geadas se prolongam, e, no outono, ocorrem mais cedo, encurtando a temporada de cultivo.

Além disso, a deterioração do Aral tem causado a destruição em massa da vida animal. Mais de 170 espécies de animais viviam nas proximidades do Aral há poucos anos; agora, há menos de 40. Em princípios da década de 60, conseguia-se todo ano mais de 600.000 peles de rato-almiscarado; agora, praticamente não se consegue nenhuma. O aumentado teor de minerais na água do mar tem matado os animais do deserto que a bebem.

Por Que o Mar Está Desaparecendo

Desde tempos imemoriais, desembocam no Aral dois grandes rios, o Amu-Daria e o Sir-Daria. A água desses rios procede do degelo glacial das montanhas do nordeste do Afeganistão e da Quirguízia. No entanto, para transformar a árida bacia do Aral numa importante região agrícola, a água foi desviada por canais de irrigação, de modo que quase nada fluísse para o mar.

O chamado projeto do mar de Aral foi inaugurado em 1960, e em pouco tempo a terra irrigada expandiu-se para cerca de 6,8 milhões de hectares, duas vezes o Estado da Califórnia, EUA. O deserto vicejou em plantações, mas logo o mar passou a desaparecer.

Têm os benefícios superado o prejuízo causado ao mar?

Vista sem Paralelo

Surpreendentemente, Muynak, cuja população diminuiu de mais de 30.000 para cerca de 20.000, fica agora a mais de 30 quilômetros do minguante Aral! Um visitante dos Estados Unidos, ao aproximar-se da cidade, de avião, relatou ter visto “o que parecia navios de brinquedo inclinados no deserto”. Ao observar mais de perto a região, depois de aterrissar, comentou: “Dezenas de enormes traineiras de ferro e outros barcos estão inclinados e parcialmente enterrados, como se tivessem sido atirados quilômetros interior adentro por uma gigantesca onda de maremoto.”

Quando as águas do mar passaram a recuar, abriu-se um canal para que os barcos no porto de Muynak pudessem ter acesso ao mar aberto. Mas o prefeito da cidade comentou: “No inverno de 1974, o mar recuou rapidamente, e, na primavera, os barcos, que em geral eram então lançados ao mar, estavam encalhados, e foi impossível movê-los.”

O que causou essa tragédia?

A tragédia do mar de Aral

“A HISTÓRIA da humanidade não conhece nenhum outro exemplo em que, diante dos olhos de uma única geração, um inteiro mar desaparece da face da Terra.”

Depois de fazer esse comentário, R. V. Khabibullaen, membro destacado da comunidade científica da anterior União Soviética, explicou: “Infelizmente, este é o triste destino que ameaça o mar de Aral.”

Esse enorme mar fica nas regiões desérticas do Uzbequistão e do Cazaquistão, repúblicas asiáticas da anterior União Soviética. Em 1960, abrangia cerca de 67.000 quilômetros quadrados, o que o tornava a quarta maior massa de água continental do mundo. Somente o vizinho mar Cáspio, o lago Superior, na América do Norte, e o lago Vitória, na África, eram maiores em área.

No entanto, nos últimos 30 anos, o mar de Aral diminuiu mais de um terço em área e cerca de dois terços em volume! Mais de 28.000 quilômetros quadrados do Aral, duas vezes a área do Estado de Connecticut, EUA, desapareceram. O nível do mar baixou mais de 12 metros, e a água em certos lugares recuou de 80 a 100 quilômetros da anterior orla marítima. Isto expôs um leito árido de areia inóspita em que, outrora, belas águas azuis pululavam de peixes. Povoados pesqueiros anteriormente prósperos estão agora abandonados a muitos quilômetros da praia.

Em fins da década de 50, o Aral produzia anualmente uns 45 milhões de quilos de peixes comercializáveis. Vinte e quatro espécies de peixes de água doce existiam em abundância nas águas de baixa salinidade desse mar. Cerca de 10.000 pescadores faziam a vida só no porto de Muynak, onde se industrializava 3 por cento da pesca anual da União Soviética. Mas, agora, a próspera indústria pesqueira do mar, que antes empregava 60.000 pessoas, está morta; a crescente salinidade das águas do Aral tem matado os peixes.

sábado, 22 de maio de 2010

Levando uma vida de baleia

Do correspondente de “Despertai!” no Havaí, EUA

CUSTOSO perfume, cosméticos, ração animal, margarina — o que têm em comum? Cada um talvez tenha sido feito, pelo menos em parte, de produtos da baleia. Com efeito, a baleia tanto contribuiu para a fabricação de tais coisas que é uma espécie em perigo.

Os havaianos acolhem as baleias por outro motivo. Vêem o aparecimento de famílias da baleia como sinal de que haverá abundância de peixes. A cada dezembro ou janeiro, as grandes baleias-corcundas retornam aqui por quatro meses, fazendo exibições marinhas espetaculares ao largo da costa da ilha havaiana de Maui. As baleias de doze a quinze metros de comprimento brincam e soltam seu esguicho, pulando como fazem as crianças num parquinho.

As baleias vêm a Maui para ter seus baleotes em segurança, em clima mais tépido, e para dar os primeiros treinos aos baleotes. Não se sabe por que a mamãe baleia escolhe as mais rochosas das praias de Maui para dar à luz seu filhote de três a quatro e meio metros, mas, enquanto dá à luz, o papai dá um espetáculo e tanto de ginástica! Alguns afirmam que o papai desvia a atenção dos tubarões para longe da ‘maternidade’.

Maravilhas e mistérios das profundezas

DENTRO de um minissubmarino chamado Alvin, dois cientistas e um piloto mergulham no oceano Pacífico ao largo da costa do Equador. Seu destino? Um lugar chamado vale da fenda das Galápagos. Equipado com holofotes, câmeras e vários instrumentos científicos, o Alvin desce 2.800 metros no oceano, chegando a um mundo nunca antes visto por olhos humanos, onde a noite é eterna.

Já se perguntou o que existe nas montanhas, nos canyons e nos vales de fenda nas profundezas escuras dos oceanos? Em caso afirmativo, você vai gostar de ler a respeito das descobertas que começaram a ser feitas em 1977 com a expedição pioneira do Alvin, descrita acima. Talvez fique surpreso ao saber o que aquela tripulação viu. Mesmo cientistas muito bem treinados acharam que estavam chegando a outro planeta.

O objetivo da missão do Alvin era encontrar fontes hidrotermais — gêiseres submarinos que lançam jatos de água quente no oceano. O vale da fenda das Galápagos era um lugar promissor porque faz parte de um vale de fenda submarino com intensa atividade vulcânica, delimitado por uma cordilheira complexa que dá a volta no globo, chamada sistema de cadeias mesoceânicas. Com mais de 65.000 quilômetros de extensão, esse sistema colossal serpenteia ao redor do planeta inteiro, como se fosse a costura de uma bola de tênis. Se os oceanos secassem, essa seria “facilmente a característica mais notável da superfície do planeta, estendendo-se por uma área maior do que a abrangida por todas as maiores cordilheiras terrestres juntas”, escreve Jon Erickson no livro Marine Geology (Geologia Marinha).

Uma das características mais notáveis do sistema de cadeias mesoceânicas é que se trata basicamente de um sistema duplo: duas cordilheiras paralelas, erguendo-se 3.000 metros acima do leito oceânico. Entre as cordilheiras encontram-se os maiores abismos da Terra: canyons com 20 quilômetros de largura e 6 quilômetros de profundidade — quatro vezes mais profundos do que o Grand Canyon, na América do Norte! No fundo desses abismos, encontram-se vales de fenda com intensa atividade vulcânica. Quando os cientistas começaram a estudar a seção atlântica do sistema de cadeias, chamada de Cadeia do Meio do Atlântico, seus instrumentos revelaram atividade vulcânica tão intensa “que parecia que a Terra estava vomitando suas entranhas”, diz Erickson.

Depois de 90 minutos de descida, o Alvin nivelou pouco acima do leito oceânico e os tripulantes ligaram os holofotes. Não é de admirar que os cientistas pensassem que estavam num outro planeta. As luzes revelaram muitas fontes termais tremeluzentes no leito do mar, onde normalmente a água é quase congelada. O que se encontrou junto a elas era ainda mais estranho: inteiros ecossistemas de seres vivos antes desconhecidos. Dois anos depois, os pesquisadores a bordo do Alvin descobriram chaminés superaquecidas, ou fumarolas, na Crista do Pacífico Oriental, ao largo da costa do México. Muitas dessas chaminés tinham formas fantasmagóricas, algumas com até nove metros de altura. Diversos animais vistos na fenda das Galápagos foram encontrados também ali. No próximo artigo, vamos analisar mais atentamente essas surpreendentes formas de vida e o mundo de condições extremas e inimagináveis onde elas habitam.
● O PEIXE DOTADO DE BEXIGA NATATÓRIA. Muitos peixes possuem bexigas natatórias cheias de gás. Quando os peixes descem, a pressão da água comprime o gás e reduz o tamanho da bexiga natatória. Se o peixe sobe, a pressão da água diminui, o gás se expande e a bexiga aumenta. Quando muda o tamanho da bexiga, também muda o tamanho do peixe. Assim, quando ele desce, a pressão aumentada reduz seu volume, o que significa que aumenta sua densidade média, e isto reduz sua flutuabilidade. Quando ele sobe, seu volume aumenta, o que reduz sua densidade média, e isto eleva sua flutuabilidade. Assim, a bexiga natatória funciona para manter a densidade do peixe igual à densidade da água do mar em sua volta, habilitando o peixe a flutuar em qualquer profundidade. Mas, não é sempre assim tão simples. A uma profundidade de 6.500 pés, a pressão comprimiu o volume da bexiga a apenas 1/200 de seu volume na superfície, o gás dentro dela é 200 vezes mais denso, e a flutuabilidade quase que desapareceu. Todavia, os peixes pairam, sem mover-se, ao dobro dessa profundidade, o gás existente em suas bexigas natatórias exercendo a pressão de mais de 7.000 libras por polegada quadrada para compensar a pressão do mar! Todavia, como é que retêm a flutuabilidade? Mui lentamente, podem acrescentar gás às bexigas natatórias, à medida que vão mais fundo, e reabsorvê-lo ao ascenderem. Mas, como é que os peixes nas profundezas podem acrescentar gás às bexigas quando a pressão dentro delas já é tão elevada? Não existe resposta. O mecanismo desta bomba de gás ainda constitui um enigma.

“Suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade.” (Romanos 1:20) Por certo, a sabedoria de Deus, voltada para um objetivo, é revelada nestes animais marinhos dotados de flutuabilidade.
● O CALAMAR DE ÁGUAS PROFUNDAS. Este gigantesco calamar pode ser a fonte das lendárias fábulas sobre monstros marinhos que agarram os navios com seus tentáculos. Já foram encontrados corpos com mais de 3 metros de comprimento — os quais, se incluíssem os tentáculos, teriam quase 20 metros! Dentre os animais, seus olhos são os maiores que se conhece — uns 40 centímetros de ponta a ponta! Ele se move rapidamente por propulsão a jato. O calamar, semelhante ao náutilo e à siba, pode ajustar-se a diferentes profundidades do mar, mas o faz de forma diferente. Os dois terços superiores do corpo constituem grande cavidade, a celoma. É cheia dum líquido. Se este líquido é removido, o calamar afunda. O líquido supre ao animal a sua densidade neutra na água do mar. A análise demonstra que possui elevadíssima concentração de amônia, de cerca de 8 gramas por litro. Por que isto se dá? Diferente dos mamíferos, o calamar excreta seus resíduos nitrogenados em forma de amônia em vez de uréia. Esta amônia sofre difusão da corrente sanguínea no líquido da celoma, onde se dissocia em íons de amônia. Estes íons têm pouco peso e tornam o líquido mais leve que a água do mar, dando flutuabilidade ao calamar. A revista Scientific American compara isso com o batiscafo de Auguste Piccard, que desce nas profundezas oceânicas. A câmara ampla do batiscafo, cheia de gasolina, mais leve do que a água do mar, mantém a câmara de observação suspensa abaixo dela. Similarmente, o líquido da celoma do calamar de águas profundas serve como aparelho de flutuação. Mas o calamar já tinha isto primeiro, porque seu Criador pensou nisso primeiro.
● A SIBA. A siba comum é encontrada em águas do Mediterrâneo e do leste do Atlântico. Um grande espécime pode ter um corpo de até 60 centímetros de comprimento, seus oito braços se estendendo por outros 25 a 30 centímetros, e, adicionalmente, dois longos tentáculos podem estender-se muito além destes braços para pegar itens alimentícios. Para locomover-se, possui nadadeiras alongadas, ao longo das laterais do corpo, além de um funil, ou sifão, que lhe fornece a propulsão a jato. Como o náutilo dotado de câmaras, a siba também possui um mecanismo parecido a um submarino para variar de flutuabilidade. Mas, diferente das câmaras nacaradas do náutilo, a flutuabilidade da siba compõe-se do osso, o osso de siba (concha). Localiza-se logo abaixo da pele, por toda a extensão das costas da siba. Trata-se de uma estrutura macia, gredosa, tendo até cem finas placas mantidas separadas por colunas, e em forma dum favo de muitas câmaras. É este osso que atua como tanque de flutuação da siba. À medida que a siba cresce e fica mais pesada, adicionam-se mais câmaras ao osso da siba, a fim de aumentar sua capacidade de flutuabilidade. (Incidentalmente, é este osso que é colocado nas gaiolas dos pássaros.) Por um processo de osmose, a siba consegue bombear água para fora das cavidades de seu osso, ou deixar que a água entre. Desta forma, pode variar sua flutuabilidade a fim de subir ou baixar no oceano. Em princípio, as cavidades de seu osso de siba são semelhantes aos tanques de lastro dos submarinos. A siba geralmente permanece a uns 30 a 75 metros de profundidade, mas pode descer a 180 metros.
● O NÁUTILO DOTADO DE CÂMARAS. O náutilo (ou argonauta) já submergia há indizíveis milhares de anos antes de o homem sequer estar na Terra para sonhar com tal maravilha. Desde a infância, constrói sua própria casa, adicionando aposentos sempre maiores à medida que vai crescendo. Separa com um septo as câmaras vazias, que vai deixando para trás, até que sua linda concha tenha formado uma espiral externa de cerca de 25 centímetros de diâmetro. A maior parte dela é decorada por brilhantes faixas marrons, semelhantes às da zebra, e, na última e maior das câmaras, que se abre para o mar, é que o náutilo vive. Em seu rastro, talvez deixe 30 ou mais câmaras, antigas residências dos dias em que era mais jovem. Mas, cada vez que o náutilo se muda para aposentos novos e maiores, deixa para trás parte de si mesmo — um sifão (termo latino para “pequeno cano”). E cada vez que o náutilo separa com um septo uma câmara, deixa pequeno orifício no septo. Através destes orifícios o sifão do náutilo enfia-se através das câmaras, chegando até a retornar à primeira e diminuta câmara. São tais compartimentos e o sifão que passa por elas que dão ao náutilo sua capacidade de submergir. As câmaras servem como tanques de flutuação. Estão cheias de gás. O sifão que passa por elas pode acrescentar água, ou pode remover água. Pode variar a proporção de gás/água e assim modificar a flutuabilidade. Assim, o náutilo consegue ficar perto da superfície ou a uns 600 metros de profundidade, ou flutuar em qualquer nível intermediário.

Submarinos e batiscafos da natureza

“Nosso orgulho devido às mais recentes descobertas do homem precisa ser temperado com o conhecimento de que outros animais podem já estar usando-as desde tempos imemoriais.” — Scientific American, julho de 1960.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quarta-feira, 10 de abril: O “Titanic” saiu de Southampton na sua viagem de estréia, com aproximadamente 2.200 pessoas a bordo. Após breves escalas na França e na Irlanda, foi em direção de Nova Iorque.

Domingo, 14 de abril: O tempo esfriou muito. O “Titanic”, após receber aviso sobre “icebergs” à frente, seguiu viagem a 22 nós. Pouco antes da meia-noite, chocou-se com um “iceberg” cerca de 160 quilômetros ao sul das margens da Terra Nova.

Segunda-feira, 15 de abril: O “Titanic” naufragou apenas 2 horas e 40 minutos após o impacto, com uma perda de 1.500 vidas. O navio se encontrava 2.570 quilômetros ao nordeste de seu destino.
O “Titanic”, de 269 metros de comprimento, era o maior navio dos mares. Seu deslocamento excedia ao dos navios de combate contemporâneos em 5.000 toneladas. Seu casco se dividia em 16 compartimentos à prova de água, e, porque quatro destes podiam ser inundados sem que o navio se afundasse, acreditava-se que fosse insubmersível. “Quanto à segurança, . . . o ‘Titanic’ era a última palavra em matéria de construção.” (“Times” de Nova Iorque, de 16/4/1912) Mas o “iceberg” fatal fez um corte de 90 metros no lado do navio, inundando cinco de seus compartimentos à prova de água, e o “insubmersível’ “Titanic” foi a pique.

“Eu sobrevivi ao naufrágio do Titanic”

TUDO começou quando eu estava visitando meus pais idosos e meu tio em Jacksonville, na Flórida, E.U.A. Foi pouco antes de meu tio morrer recentemente. Como de costume, fomos ao Salão do Reino das Testemunhas de Jeová no domingo de manhã para assistir a um discurso público. Ouvimos um excelente discurso: “Será um dos Sobreviventes dos ‘Últimos dias’?” A caminho de volta para casa, meu tio disse: “Esse discurso me fez lembrar do tempo em que sobrevivi a um terrível desastre.” Pausou por um momento, daí disse: “Sabem, eu sobrevivi ao naufrágio do Titanic.”

Mais tarde, pedi a meu tio, Louis Garrett, que me contasse a sua experiência no Titanic.

“Deixe-me voltar ao início”, disse ele. “Nasci em 1900, em Hakoor, Líbano, um vilarejo na região montanhosa que fica cerca de 130 a 140 quilômetros ao norte de Beirute. Minha família possuía e operava um moinho de pedra movido à força hidráulica que moía trigo para a produção de farinha. Meu pai era o moleiro do vilarejo. Minha família decidiu emigrar para os Estados Unidos. Em 1904, minha mãe e minhas duas irmãs deixaram o Líbano. Mais tarde, em 1906, meu irmão mais velho foi para os Estados Unidos. Em 1912, para completar a emigração da família, meu pai, minha irmã e eu devíamos partir para os Estados Unidos.

“Em março de 1912, viajamos de navio até Marselha, França. Enquanto estávamos lá, reservamos passagens no Titanic para irmos a Nova Iorque na sua viagem de estréia. A data da viagem era 10 de abril de 1912. Meu pai teve de ficar em Marselha, porque não passou no exame médico requerido por causa de uma infecção nos olhos.” Meu tio sorriu e exclamou: “As coisas aconteceram de um modo muito afortunado para ele!”

“Minha irmã tinha 14 anos”, prosseguiu ele, “e eu tinha 12 quando embarcamos no Titanic. Ficamos tristes de deixar papai para trás, mas estávamos emocionados de estar a bordo do R.M.S. Titanic, o maior, o mais rápido e o mais luxuoso navio da época — e também se dizia que era insubmersível! Havia mais de 2.200 pessoas a bordo, inclusive algumas das pessoas mais ricas e mais influentes da época. Muitos estavam no Titanic para celebrar a sua viagem de estréia. Era a coisa chique a fazer para os socialmente proeminentes. A velocidade do navio foi como se esperava. A chegada a Nova Iorque estava prevista para quarta-feira, 17 de abril. As águas estavam calmas e o tempo tipicamente um tanto frio para abril.

“No domingo, 14 de abril, nosso quinto dia no mar, o tempo ficou excepcionalmente frio — tão intensamente frio que não havia muitas pessoas no convés superior do navio. Ouvimos dizer que haviam sido dados avisos sobre icebergs (massas de gelo flutuantes) naquela área. Não se esperava avistar algum na rota do navio, portanto o Titanic manteve sua velocidade máxima. Entretanto, o comandante do Californian, outro navio no Atlântico do Norte, avisou por rádio o Titanic sobre serem avistados icebergs no nosso caminho. Isto foi desconsiderado. O preço pago pelo excesso de confiança da parte do comandante Smith, quase 700 co-tripulantes e mais de 800 passageiros, foi realmente muito elevado.

“Às 23,45 horas aproximadamente, no domingo de 14 de abril, eu e minha irmã acordamos devido a uma sacudida. Ela estava no beliche de cima na cabina e exclamou: ‘Aconteceu alguma coisa!’

“‘Torne a dormir’, eu lhe disse. ‘Você se preocupa demais.’ Pouco depois, um senhor idoso, que ficamos conhecendo no navio e que tinha interesse paterno por nós, veio à nossa cabina e disse calmamente: ‘Saiam da cabina e vão ao convés superior. Não se preocupem em levar seus pertences agora. Poderão buscar mais tarde.’

“Nossas passagens eram de terceira classe, o que significava que só podíamos ir até o convés da segunda classe. Mas os da segunda e da terceira classe não podiam ultrapassar um portão vigiado que dava para o convés superior da primeira classe. Todavia, foi-nos dito que seria prudente irmos ao convés superior da primeira classe, a fim de termos mais probabilidade de entrar num barco salva-vidas. O único meio de podermos fazer isso era por subirmos pela escada de ferro desde o convés da terceira classe embaixo até cinco ou seis conveses acima aos barcos salva-vidas. Fizemos isso com muita dificuldade, pois foi difícil para minha irmã trepar na escada de ferro. Mas, com a ajuda de outros, conseguimos.

“Que cena! A maioria dos barcos salva-vidas já tinham partido. A tripulação só permitia que mulheres e crianças entrassem nos barcos salva-vidas — não havia suficientes para todos. Vimos mulheres chorando, não querendo deixar seus maridos; maridos implorando a suas esposas e filhos que se apressassem a entrar nos barcos salva-vidas. Em meio a este total pandemônio e histeria em massa estávamos eu e minha irmã, duas crianças imigrantes, que não sabiam falar inglês, terrivelmente assustadas, chorando e procurando ajuda.

“O último barco salva-vidas estava sendo lotado. Um cavalheiro de meia-idade estava com a esposa grávida, bem jovem. Ele a ajudou a entrar no barco salva-vidas, daí olhou para o convés e viu outros que queriam embarcar nele. Beijou a esposa, despedindo-se dela, e, ao retornar ao convés, agarrou a primeira pessoa que encontrou no caminho. Felizmente, eu estava ali no lugar certo e na hora certa, e ele me colocou no barco salva-vidas. Eu gritei pela minha irmã que tinha ficado paralisada de terror. Com a ajuda de outros, ela também foi empurrada para dentro do barco salva-vidas. Quem era o cavalheiro bravo que fez este ato de bondade? Ficamos sabendo que era John Jacob Astor IV. Ele tinha então 48 anos e sua esposa, Madeleine, 19 anos. Estavam viajando para os Estados Unidos porque queriam que seu filho nascesse ali. Muitas histórias foram escritas nos jornais contando como John Jacob Astor deu a sua vida por um jovem imigrante. Os registros da história da família Astor indicam que, segundo a Sra. Astor, o Sr. Astor discutiu com um dos tripulantes que tentara impedi-lo de ajudar a esposa a entrar no barco salva-vidas. Ele fez isso mesmo assim. E, como já mencionei, beijou-a e, voltando ao convés, começou a ajudar outros a entrar no barco salva-vidas.

“Sentia-me feliz de estar no barco salva-vidas, mas, mesmo assim tinha pena dos que foram deixados no Titanic. Olhando para trás para o enorme e belo navio, pude vê-lo de outro ângulo e, estando ainda acesas algumas luzes, pude ver o tamanho e a beleza do navio. Na calada da noite, sendo o som conduzido tão bem por cima das águas, podíamos ouvir a banda tocar no convés e as pessoas cantar: ‘Mais perto de Ti, meu Deus.’ A tripulação remou o mais longe possível do navio. Havia temores de que aconteceria uma sucção quando o navio fizesse seu mergulho final até as profundezas do oceano. Isso não aconteceu, tampouco houve uma explosão como alguns pensaram que haveria. As águas estavam extraordinariamente calmas naquela noite, o que foi bom, pois a maior parte dos barcos salva-vidas estava sobrecarregada de gente.

“O Titanic afundou por volta das 2,20 horas da madrugada, no dia 15 de abril de 1912, segundo os registros. Eu o vi submergir no oceano para seu fim horrível. O momento em que afundou deixou em mim uma recordação de uma coisa que me persegue até hoje. Foi o barulho lúgubre de pessoas que gemiam e gritavam freneticamente pedindo socorro, ao serem lançadas nas águas geladas. Quase todos morreram do frio das águas. O barulho durou cerca de 45 minutos e, daí, foi se desvanecendo.”

Meu tio calou-se por um momento, relembrando. Depois prosseguiu: “Enviara-se um SOS por volta da meia-noite. Foi recebido pelo S. S. Carpathia, da Cunard White Star Line. Ele se achava a uns 93 quilômetros de distância e virou imediatamente para o lado contrário de sua rota, que era em direção a Gibraltar, e veio a todo vapor para socorrer. Chegou por volta das 4:30 horas da madrugada. É curioso que o S. S. Californian se achava a apenas 32 quilômetros do local onde o Titanic naufragou, mas o operador do rádio não recebeu o sinal SOS porque estava de folga. Relatos posteriores diziam que o Californian viu realmente luzes de foguetes de sinalização dentro da noite, mas pensou-se que os passageiros do Titanic estivessem lançando fogos de artifício em celebração de sua viagem de estréia.

“O Carpathia completou as operações de salvamento por volta das 8,30 horas da manhã. Nosso barco salva-vidas foi um dos últimos a ser salvo. Após sermos levados a bordo do navio, sermos agasalhados, terem-nos dado chá quente e fazerem sentir-nos bem, eu me sentia feliz de estar vivo, embora estivesse com um casaco e sapatos grandes demais para mim.

“Mais tarde, o comandante do Carpathia convidou todos os sobreviventes a ir ao convés para ver o iceberg. Na minha mente de 12 anos de idade ficou gravado o tamanho dele como sendo da altura de uma casa de dois andares, muito mais larga e com uma enorme chaminé. O navio nos conduziu até Nova Iorque antes de continuar sua viagem até Gibraltar, um gesto bondoso da parte da direção da Cunard White Star Line. Chegamos a Nova Iorque às 20,30 horas de quinta-feira, 18 de abril, e fomos levados às docas da Cunard White Star.

“Relembrando aquelas longas horas no barco salva-vidas, parece agora um milagre termos alcançado com segurança o Carpathia. O frio cortante era quase insuportável. Ficamos todos juntinhos para nos conservar quentes. As pessoas eram bondosas umas com as outras. Lembro-me de como ventava no convés do Carpathia. Os ventos chegavam a atingir diversos nós por hora. Felizmente, os ventos haviam deixado de soprar por tempo suficiente para a missão de resgate. Se as águas não tivessem permanecido calmas e tranqüilas durante esse período, é duvidoso que as operações de salvamento tivessem sido tão bem-sucedidas.”

“Morreu alguém nos barcos salva-vidas?” perguntei.

“Só sei de uma pessoa no nosso barco salva-vidas que morreu de frio. O corpo foi envolvido num lençol e lançado fora do barco.”

“Havia homens no seu barco salva-vidas?”

“Só mulheres e crianças, segundo a ordem da tripulação, com exceção de poucos membros da tripulação que serviram como remadores. Havia um casal jovem com um bebê, que ludibriou a tripulação. A esposa era muito arguta; ela vestiu o jovem marido de mulher, cobriu-lhe a cabeça com um xale e lhe entregou o bebê. Ele estava num barco salva-vidas e ela no nosso. Ambos foram resgatados pelo Carpathia.

“Ao chegarmos a Nova Iorque, esperávamos ser levados à ilha Ellis para passar pelo serviço de imigração. Entretanto, isto foi dispensado por causa da dor e do sofrimento que os sobreviventes já haviam suportado. Fomos entregues à Cruz Vermelha para sermos reunidos a nossas famílias. Meu irmão mais velho, Isaac, estava em Nova Iorque e nosso encontro foi marcado de uma mistura de sentimentos de alegria e de tristeza. Meu pai ainda se encontrava na França. Entretanto, concluímos que, se ele estivesse conosco no Titanic, não sobreviveria, por causa da norma de deixarem entrar apenas mulheres e crianças nos barcos salva-vidas. Talvez até mesmo tivesse dificultado nossa sobrevivência. Teríamos achado difícil abandonar papai a bordo do Titanic e procurar nossa própria segurança. Felizmente para ele, três meses mais tarde, chegou em segurança num outro navio.”

Meu tio pausou, perdido nos seus pensamentos sobre essa terrível experiência. Finalmente, interrompi seu devaneio. “O senhor sobreviveu àquela tragédia. Bem, quando aprendeu sobre esta iminente tribulação dos ‘últimos dias’?”

“Passemos de 1912 para 1930”, disse ele. “Um colportor procedente de Brooklyn, Nova Iorque, visitara Jacksonville, na Flórida, onde residiam a família de meu irmão mais velho e minha família, composta de minha esposa, meu filho e eu. Meu irmão mais velho vinha estudando a Bíblia com Testemunhas de Jeová que falavam árabe. Ele próprio se tornara Testemunha ativa. O colportor, chamado George Kafoory, realizava diversas reuniões para as pessoas de língua árabe. Eu recebi um exemplar do livro A Harpa de Deus em árabe. Após muitos debates com meu irmão, fiquei tão aborrecido que lhe disse por fim: ‘Eu o repudio como irmão, porque você abandonou a sua antiga religião grega ortodoxa. Não posso crer que você nunca mais fará o sinal da cruz, o símbolo da Trindade.’

“Eu amava meu irmão e fiquei profundamente perturbado com esta brecha entre nós. Passados meses, deparei com aquele livro A Harpa de Deus que eu havia adquirido. Tinha ajuntado pó mas eu o abri e me pus a lê-lo no começo da tarde e prossegui até depois da meia-noite. A verdade da Palavra de Deus começou a penetrar no meu coração. Passei a assistir a um estudo que era feito para pessoas de língua árabe e fui batizado em 1933.

“Mais um acontecimento se destaca em minha vida. Foi em 1949 que tive condições financeiras para fazer uma viagem com a qual vinha sonhando por vários anos. Eu tinha um meio-irmão mais velho no Líbano a quem eu desejava visitar e partilhar com ele a esperança do Reino. No vôo de volta ao Líbano, nossa rota nos levou por cima da Groenlândia e também bem perto acima do local onde o Titanic naufragara. Fiquei tomado de emoção ao olhar para baixo para as águas geladas do Atlântico e refletir sobre aquela ocasião triste.

“Uma aeromoça, notando as lágrimas que me rolavam na face, inclinou-se para mim calmamente, deu-me uma batidinha no braço e perguntou: ‘Está-se sentindo mal? Posso ajudá-lo?’ Respondi: ‘Não, só estava pensando no tempo em que tinha 12 anos. Eu estava a bordo de um grande navio, o Titanic, que foi a pique e mais de 1.500 pessoas perderam a vida nessas mesmas águas lá embaixo. Ainda não consigo esquecer aquela madrugada frenética e os gritos de socorro que vinham do meio da escuridão e daquelas águas geladas’. ‘Como é triste’, disse a linda aeromoça de cabelos escuros. ‘Lembro-me de ter lido sobre o desastre do Titanic.’

“Completei a viagem até o Líbano. Felizmente, meu meio-irmão mais velho se interessava pela Bíblia. Ele também se tornou mais tarde uma testemunha cristã, dedicada, de Jeová.”

Meu tio Louis concluiu sua história com uma expressão de esperança de que o reino de Deus substituirá o atual sistema satânico de coisas.

“A verdade da Palavra de Deus”, declarou ele, “tem sido uma força orientadora em minha vida. Agradeço a Jeová que me poupou a vida no desastre do Titanic e que tenho tido a oportunidade de servi-lo agora nestes críticos ‘últimos dias’”. Ele morava perto de seu irmão mais velho e a esposa deste, e junto com eles serviu a Jeová o melhor que pôde até o dia de sua morte. Nunca cessou de orar para que a vontade de Deus seja feita na terra como no céu. (Mateus 6:9, 10) Ele tinha forte esperança de que, se morresse antes do Armagedom, Deus o ressuscitaria do poder da sepultura por meio de uma ressurreição para a vida.

Explorar o Mar Nunca É Enfadonho

O Criador colocou infinita variedade de coisas nas superfícies terrestres da Terra que podem manter a mente dos homens ocupada por tempo indefinido, ao pesquisarem tais maravilhas. Não são menores as maravilhas oceânicas. Encontram-se as mais estranhas criaturas, e todas elas desempenham sua parte essencial no padrão de interdependência, embora, em alguns casos, ainda continue sendo mistério como é que o fazem.

Por exemplo, há a espécie de lampreia, criatura em forma de enguia, com três corações, um dos quais não possui nervos Sua boca é simplesmente uma cavidade redonda. Possui dentes em sua língua e uma única narina. A lampreia habita no fundo oceânico, usualmente semi-enterrada na lama. Tal peixe segrega tanto muco viscoso que, se uma lampreia de 25 a 38 centímetros for colocada num pequeno balde de água, e então este for agitado, dentro de alguns segundos poder-se-á erguer todo o seu conteúdo como um grande bloco de muco viscoso. A flexível lampreia também pode dar um nó com seu corpo. Com que fim? Para que possa aplicar maior força de alavanca contra um peixe moribundo, a fim de penetrar nele com sua língua em forma de grosa. O muco também torna a lampreia uma criatura escorregadia, esquiva de se lidar. Mas, por puxar a si mesma através do nó, ela pode livrar-se de sua própria camada viscosa. Isto elimina o excesso de muco, de modo que não bloqueie as vitais fendas branquiais.

Uma criatura bem conhecida, porém incomum, é a craca. Certa variedade de craca é muitíssimo odiada pelos marujos por seu hábito de cimentar-se quase que irremovivelmente aos cascos dos navios, reduzindo sua velocidade e provocando a resistência que consome combustível. Esta criaturinha fabrica uma cola tão forte que uma película de apenas 0,0762 milímetros de grossura possui uma “capacidade de aderência” de 493 quilos por centímetro quadrado! Esta cola é, na realidade, um cimento que resiste ao calor e ao frio, a ácidos e bases fortes, a solventes orgânicos ou à água. Grudará de forma permanente quase qualquer combinação de substâncias. Visto que endurece e se cura na água salgada, poderia ser útil na medicina. Os dentistas a achariam o cimento ideal para reter as restaurações dentárias. Seria, provavelmente útil na cirurgia plástica, e para emendar ossos fraturados. Tal cimento forte e durável teria amplas utilizações industriais. Os cientistas tentam com vigor analisar e sintetizar esta excelente substância adesiva, mas até agora não tiveram êxito.

A craca, depois de reproduzir-se e desenvolver-se do estágio de larva, fixa-se num (realmente “sobre um”) provável “lar” por meio de seu cimento permanente. Sua carapaça em forma de vulcão possui quatro placas deslizantes que se abrem na “cratera” para deixar que seus pés plumosos se estendam, a fim de puxar plâncton até sua boca. As cracas se grudam a rochas, conchas, baleias, navios, até mesmo a manchas endurecidas de óleo. Há, na realidade, cracas que se fixam em outras cracas.

Muitas cracas possuem tanto os órgãos masculinos como os femininos, porém a maioria das espécies mais comuns não fertilizam a si mesmas. Visto estarem permanentemente ancoradas, como podem encontrar um cônjuge? Para as cracas, isto não representa nenhum problema real. Visto que vivem numa comunidade muito congestionada, tudo que têm de fazer é selecionar um vizinho adequado para a reprodução. Daí, cobrem tal distância por meio de longo tubo retrátil.

Há uma espécie de craca que não se gruda aos navios, mas escolhe rochas submersas. Esta craca é muito mais apreciada por muitos, não só por deixar os navios em paz, mas também por crescer até atingir um peso de 1,400 quilos, e ser uma guloseima, tendo sabor bem parecido ao da lagosta e do caranguejo.

De tudo isto, temos de concordar que o salmista falou verazmente há muito, quando cantou:

“Os que descem ao mar nos navios,

Fazendo negócios nas vastas águas,

São os que têm visto os trabalhos de Jeová

E as suas obras maravilhosas nas profundezas.” — Sal. 107:23, 24.

Os que pesquisam abaixo da superfície do oceano, nas próprias profundezas, vêem maravilhas ainda mais surpreendentes. Descobriram muitas coisas que resultaram benéficas para o homem que vive na terra seca, e, mesmo assim, admitem que não chegaram sequer a ‘arranhar a superfície’. Há muito mais a ser descoberto sobre as maravilhas das profundezas do mar, inesgotável depósito de informações, de alimentos, de riquezas e de infindável deleite para aqueles que têm o prazer de ‘descer ao mar’ para pesquisar suas maravilhas.

Poupadores Marinhos de Energia

Ao passo que muitas das criaturinhas oceânicas obtêm seu alimento sem grande dose de movimento, e algumas, como os peixes limpadores, obtêm alimentos que lhes são trazidos, algo diferente acontece com os grandes peixes de alto mar. Ali, se o peixe há de conseguir ou não alimento suficiente depende, em grande parte, de sua velocidade. Assim, como seria de esperar, muitos peixes são nadadores velozes. Tem sido extremamente difícil cronometrar com exatidão a velocidade máxima dos nadadores velozes. Isto acontece porque a velocidade, amiúde, não é mantida. Usualmente, trata-se apenas de um salto rápido, como um relâmpago, ou dum impulso súbito, exigido para a captura duma presa alerta. Mas, mediram-se as velocidades dos peixes por certas distâncias, embora seja difícil de se alcançar a exatidão absoluta. O ativo atum, o único peixe cuja temperatura corporal é maior do que a temperatura do mar, nada com constância, porque seu corpo é mais pesado que a água do mar. Os atuns parecem conseguir nadar indefinidamente a cerca de 14 quilômetros horários. Certo relatório afirma que o agulhão-bandeira pode atingir até cerca de 80 quilômetros horários. A barracuda também é rapidíssima. Diz-se que os peixes-voadores conseguem atingir uma velocidade de até 56 quilômetros horários antes de saltarem fora d’água para planarem por certa distância no ar. Crê-se que o atum, o golfinho e o macaíra azul sejam ainda mais rápidos. Até a raia grande, que nada por bater suas “asas”, pode alcançar velocidade suficiente para saltar a uma grande distância fora da água.

Na verdade, tais peixes são “massas” de energia e de músculos. Mas, isso não basta para se explicar sua velocidade. O problema é que a água é cerca de 800 vezes mais densa do que o ar. Também é cerca de cinqüenta vezes mais viscosa, provocando muito maior resistência. Nos navios, a resistência — causada pela água e turbulência constituem fatores principais, exigindo grande gasto de energia para “abrir caminho” pela água. Os projetistas de navios têm tentado inventar um meio de vencer tal problema. Pesquisam questões assim: Como é que os peixes velozes, assim como o atum, realmente conseguem atingir maior velocidade do que aquela que os matemáticos afirmam que deveriam? Como é que o atum e o tubarão deslizam tão suavemente pela água, sem turbulência?

Algumas respostas já são conhecidas. Primeiro de tudo, tais peixes são altamente aerodinâmicos. Os projetistas de submarinos já copiaram isto. Os peixes que nadam rápido também podem envolver o corpo com as nadadeiras. As escamas se adaptam evidentemente à pressão aquosa para eliminar a turbulência. Mas, o segredo primário de sua velocidade, que por muito tempo era um mistério, jaz na construção de sua pele, que é elástica e flexível. A pele dura e courácea do golfinho parece estar sobre um colchão de óleo, fazendo-a ceder a correntes turbulentas, desta forma as contrabalançando. Em adição, a pele de muitos dos velozes nadadores marinhos é porosa e revestida de muco, que forma filamentos que permitem que o peixe deslize pela água, deixando-a suave e quase que parada. Experimentadores que tentam aplicar tais princípios à construção de navios têm usado substâncias formadoras de filamentos e verificaram que conseguiram reduzir a resistência da água em até 70 por cento! O custo deste método, contudo, é proibitivo.

Parcerias Estranhas, mas Bem Sucedidas

A interdependência é a chave da vida oceânica. Por vezes, encontramos este princípio aplicado de forma mui inesperada. Há centenas de casos de uma espécie de “parceria” ou arranjo cooperativo entre diferentes criaturas. Por exemplo, há animais marinhos que executam serviços de “médico” ou de “limpador” para com outros. Entre estes acham-se o brilhantemente colorido camarão limpador e o peixe-anjo juvenil, que remove os parasitas de outros peixes. Estes peixes “médicos” esperam em seu “consultório” no recife — usualmente um nicho do coral — que seus “pacientes” cheguem, aguardando sua vez.

O salmonete amarelo, para exemplificar, move-se em cardumes até o habitat dum “médico”, um peixe-anjo juvenil francês. Espera pacientemente na areia, aguardando sua vez. Quando chega sua vez, cada salmonete fica vermelho. Depois de receber tratamento, retorna à sua cor branca e amarelada normal, e o próximo “paciente” fica vermelho.

Alguns peixes solicitam serviço por se erguerem eretos sobre a cabeça ou seu rabo. Certos limpadores cuidam de uma ampla variedade de criaturas, de fato, alguns camarões até mesmo farão uma limpeza numa mão ou unhas dum humano. Outros limpadores são seletivos, especializando-se só em certos “fregueses” ou tipos de peixes.

Nesta atividade cooperativa, chamada simbiose, ambas as partes derivam benefícios. A parte tratada fica limpa de parasitas, de earne doente e de bactérias, e quaisquer feridas que tenha começam a sarar. O limpador, por sua vez, obtém comida.

Na maioria dos casos, o peixe limpador não é prejudicado pelo peixe a quem serve. Em geral, o tratado resposta os serviços que obtém. Por exemplo, a moréia e alguns outros peixes permitem que o limpador penetre em sua boca e lhe limpe os dentes. A anêmona-do-mar permite que o camarão limpador se arraste seguramente por entre seus tentáculos venenosos, realizando seus serviços para o˜ benefício da anêmona e obtendo proteção, bem como algum alimento que surja diante da anêmona. O pequenino peixe-palhaço e o maria-mole são outros que habitam junto com a anêmona. O peixe-flecha vive entre os espinhos pontiagudos do ouriço-do-mar. A mortífera caravela permite que o Nomeus, um peixinho, faça sua casa entre a proteção de seus perigosos tentáculos, que normalmente deixam paralisados outros peixes e os levam à boca da caravela.

Uma parceria cômica, mas mutuamente proveitosa, é alcançada entre o paguro e a anêmona. Ocasionalmente, o paguro permite que a anêmona se agarre às suas costas ou à sua concha. Desta forma, a anêmona vai de “cavalinho” até onde há alimento disponível, ao passo que o paguro é protegido de seus inimigos pelos acessórios venenosos da anêmona.

Até mesmo o voraz tubarão possui um parceiro, a rêmora. O alto da cabeça da rêmora é um grande disco de sucção. Como “taxa” para limpar o tubarão, ela adere ao lado inferior do tubarão e, assim, pode estar por perto para obter seu quinhão das sobras quando o tubarão acha uma refeição.

Extraordinários Construtores

O homem é um grande construtor. Por meio de computadores e com o auxílio de plantas pormenorizadas, explosivos, gigantescas máquinas de terraplenagem, guindastes gigantes e artífices de toda espécie, ele ergue estruturas de grande tamanho e beleza. Todavia, há construtores no oceano cujos esforços, em alguns sentidos, ultrapassam de muito os do homem. É como se o Criador desejasse impressionar no homem que a habilidade criadora provém de Deus, e que quaisquer aptidões que o homem tenha, ele as recebeu de Deus. O homem não pode jactar-se corretamente de sua própria sabedoria. — Jer. 9:23, 24; 1 Cor. 4:7.

De grande destaque entre as estruturas oceânicas são as lindas formações coralinas. No Oceano Pacífico, especialmente, existem centenas de ilhas e atóis coralinos (ilhas que fecham um círculo ao redor duma lagoa) e apenas em anos relativamente recentes o homem conseguiu entender, em certo grau, exatamente como se processou tal construção.

Os corais são minúsculos animais chamados pólipos, a maioria deles tendo apenas uma fração de milímetro, embora alguns atinjam até 30 centímetros de diâmetro. Os pólipos têm corpos cilíndricos, com a boca numa ponta. A outra ponta se fixa no fundo do mar. Por retiraram o cálcio da água do mar, formam esqueletos de calcário. Quando morrem, seus esqueletos são sobrepostos por outros. Incontáveis bilhões de pólipos contribuíram com seus esqueletos para formar ilhas e recifes submarinos. O Recife da Grande Barreira, ao largo da costa nordeste da Austrália, é a maior formação coralina do mundo — cerca de 2.000 quilômetros de comprimento. Tais recifes podem constituir grave perigo para os navios. Mas, também podem servir de proteção, no sentido de proverem águas tranqüilas entre o recife e o continente.

Um “jardim coralino” submarino é uma das mais lindas vistas oceânicas. Possuindo matizes brilhantes, vermelhos, alaranjados, beges, amarelos, violáceos e verdes, encontram-se corais numa ampla variedade de padrões. Alguns parecem árvores ramificadas com estrelas nas pontas; alguns se parecem a folhas, samambaias ou leques; outros os se parecem com cogumelos, com cúpulas ou diminutos órgãos tubulares. Um jardim de coral é o lar de muitos outros animais — anêmonas do mar, medusas e todos os tipos de peixes de cores brilhantes, que vivem dentro de seus lindos castelos de corais ou por perto deles.

Os recifes coralinos submarinos têm sido chamados de “talvez a mais complexa comunidade de todas da natureza”. Disse o Professor John D. Isaacs, diretor de pesquisas sobre a vida marinha do Instituto Seripps de Oceanografia: “Partindo de seus alicerces de antigas montanhas vulcânicas, que afundam lentamente, as criaturas dos bancos de corais ergueram as maiores estruturas orgânicas que existem. Até mesmo o menor atol ultrapassa em muito a qualquer dos maiores feitos de engenharia humana, e uma grande estrutura de atol, em massa real, aproxima-se do total de todas as construções do homem que agora existem.” Pause e pense por um momento no que isso significa exatamente.

Já viu maravilhas de Deus nas profundezas do mar?

O HOMEM consegue realizar coisas maravilhosas pelo uso de seu cérebro. Mas, usualmente, cópia as coisas naturais ou verifica que seus inventos e aparelhos já têm sido usados durante séculos no mundo vegetal e animal. E há muitos fenômenos naturais que o homem não consegue imitar. Nas vastas profundezas oceânicas, encontramos tais maravilhas numa série infindável.

Considere, como apenas um exemplo destas maravilhas, o fenômeno da luminescência a frio. Peixes luminescentes de espécies diferentes conseguem uma conversão quase 100% perfeita da energia em luz — portanto, nenhum calor. Alguns insetos terrestres também possuem tal habilidade, mas, no oceano, encontramo-la do modo mais diversificado na forma e na utilização — para proteção, para capturar seu alimento e para a reprodução.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bom mergulho!

Na superfície, procure aprender a respirar com ritmo constante — inspire fundo, então expire devagar. Seus pulmões se beneficiarão disso. Lembre-se de que o segredo de um mergulho agradável não é quão longe ou quão rápido você nada, mas o quanto você vê e explora ao nadar. Quando desejar mergulhar, aprenda a relaxar e reter o máximo de oxigênio que puder, para poder ficar mais tempo embaixo d’água. Mas não tente bater recordes de permanência embaixo d’água.

Ao nadar, deslize na água, deixando os braços soltos. Use apenas as nadadeiras, batendo-as de forma longa e num ritmo constante, mantendo os joelhos um pouquinho dobrados. A princípio, será preciso concentrar-se para fazer isso sem esforço e com suavidade, mas em pouco tempo, os movimentos se tornarão automáticos. E se a máscara ficar embaçada? Um modo simples de evitar isso é esfregar um pouco de saliva na máscara antes de colocá-la. Basta enxaguar a máscara depois de alguns segundos, e verá como o vidro permanecerá limpo por um bom tempo.

Pode ser que de vez em quando você sinta dor no ouvido médio durante o mergulho. Isso se chama pressão do ouvido médio. É causada por diferença de pressão no tímpano. Em geral, a dor começa depois de se descer um ou dois metros. Não a ignore nem continue a descer, esperando que ela passe. Ela se tornará pior quanto mais fundo você for, e a pressão pode até romper seu tímpano. O Padi Diver Manual, publicação especializada em mergulho, recomenda que a pressão seja equalizada a cada metro ou menos antes de se sentir dor. Isso é feito apertando-se o nariz e soprando sem muita força. É por isso que a máscara deve ter equalizador, para que se possa apertar o nariz sem ter de tirar a máscara. Com experiência, esse procedimento se torna bem fácil, quase mecânico. No entanto, se começar a sentir dor, é melhor voltar à superfície, porque depois não adiantará nada tentar equalizar a pressão.

Como recreação, o mergulho livre é saudável, educativo e divertido. É uma excelente maneira de se combinar exercício, ar fresco e sol, e é recomendável para praticamente todas as faixas etárias. Aprender a reconhecer e identificar o nome de ao menos um pequeno número de animais marinhos, em si, já torna o mergulho livre um desafio para os que gostam disso. Porém, para muitos, como Tôni, que não faz muito mergulhou em Fiji, o puro prazer de “estar em outro mundo, de cores extasiantes”, já é tudo. Sua amiga, Lena, concorda: “Fiquei tão emocionada com a beleza em minha volta que esqueci onde estava!”

Dicas úteis para usar o snorkel

Como já explicado, o snorkel permite que a pessoa respire enquanto nada, sem levantar o rosto. E se você quiser mergulhar mais fundo? Isso também é possível, mas primeiro você precisa inspirar fundo. Naturalmente, abaixo da superfície, a água vai entrar no snorkel. É possível que você já tenha visto um jato de água sair do snorkel quando um mergulhador volta à superfície. Trata-se de um método usado para desobstruir o snorkel. É bem fácil de aprender mas exige um forte sopro, e por isso o mergulhador deve emergir ainda com bastante ar nos pulmões para conseguir expelir a água do snorkel.

Há ainda outro método, que alguns consideram ser melhor, mas que exige um pouco mais de prática. É assim: depois de mergulhar, ao se aproximar da superfície, olhe diretamente para cima. A extremidade do snorkel vai ficar um pouco para baixo. Com a cabeça nessa posição, bastará soprar sem muita força para expelir a água de dentro do snorkel. Mantenha a cabeça nessa posição até que o rosto esteja quase na superfície. Nesse momento, abaixe o rosto e expire. O snorkel continuará desobstruído, e você conseguirá respirar sem dificuldade.

Não se alarme se ocasionalmente, quando uma onda passar, entrar água no snorkel, embora você esteja na superfície. Se isso acontecer, simplesmente assopre com força para expelir a água.

Equipamento necessário

O equipamento necessário para a prática do mergulho livre é relativamente simples e barato: uma máscara de mergulho, nadadeiras e o próprio snorkel. É claro que se estiver planejando mergulhar no inverno ou em águas muito frias, provavelmente precisará de uma roupa de mergulho, o que aumentará os gastos consideravelmente. Vamos considerar apenas esses três itens básicos necessários para se começar.

A máscara deve ajustar-se bem ao rosto, não deixar vazar água e ser confortável. Deve também ter um equalizador, que é uma série de recessos que permitem tapar o nariz sem tirar a máscara. A razão disso será explicada depois. A máscara deve ter bom campo de visão e pouco volume, isto é, o vidro deve ficar perto do rosto, diminuindo o volume de ar dentro. As máscaras mais confortáveis são feitas de silicone. Atualmente também é possível adquirir máscaras com lentes corretivas para míopes.

A seguir, as nadadeiras, uma para cada pé. Em geral, são feitas de borracha, com formato de pé de pato, e servem para aumentar a velocidade ao nadar. Existem dois modelos de nadadeira: a de calçadeiras fixas e a aberta, de tiras. Se precisar de proteção nos pés para atravessar rochas cobertas de cracas ou leitos de coral em águas rasas para chegar a águas mais profundas, então necessitará do modelo aberto. Você pode usá-lo por cima do calçado e mergulhar. A nadadeira de calçadeira fixa é calçada diretamente no pé e pode ser usada se não se precisar de nenhuma outra proteção nos pés.

Por fim, o snorkel. A melhor opção é um tubo simples, com formato de J, especialmente para os iniciantes, visto que a característica mais importante é a facilidade de respirar. Um manual sobre mergulho sugere que o tipo mais aceitável deve ter um orifício de pelo menos 2 centímetros de diâmetro e de 30 a 35 centímetros de comprimento.

Mas não tem perigo mesmo?

Um entusiasta que pratica o mergulho livre há mais de 20 anos, sem jamais ter sofrido um acidente, sugere que o maior perigo desse esporte é dirigir seu carro até a praia! Na água, a segurança depende mais da pessoa do que do esporte. Se não souber nadar bem, não se aventure além de águas calmas e rasas, e nunca vá aonde não lhe der pé. Há muito para ver em apenas um metro de água. Conforme for ganhando prática e confiança, poderá ir mais para o fundo, mas mesmo então deve sempre estar acompanhado de outro mergulhador capaz. A maioria dos mergulhadores experientes tem por norma jamais se aventurar para longe da praia ou em águas profundas sozinho. E além de ser uma questão de segurança, é mais relaxante e agradável mergulhar acompanhado.

É verdade que pode levar algum tempo até se acostumar a respirar pelo snorkel com o rosto submerso, mas, se perseverar, descobrirá que realmente não é difícil. Alguns iniciantes praticam numa piscina ou em praias de águas rasas, onde não existem ondas. Alguns praticam até na banheira.

Duas modalidades de exploração

Há basicamente dois métodos populares de explorar o mundo submarino: o mergulho livre e o autônomo, ou com escafandro.

No mergulho livre, o mergulhador usa na boca um snorkel, canudo curvo que fica fora d’água quando ele nada com o rosto submerso, na superfície da água. O snorkel permite ao mergulhador respirar sem tirar o rosto da água. Uma máscara protege seus olhos.

Já o termo escafandro refere-se a um equipamento que consiste num cilindro, ou cilindros, que contêm ar comprimido, ligado a aparelhagem para respirar. Assim, é óbvio que o mergulho autônomo é para quem está interessado em ir bem abaixo da superfície, é muito mais complicado, e pode ser bem caro.

O mergulho livre, recreação mais simples e bem mais barata, também permite ver os encantos singulares do mundo submarino, mesmo da superfície. Um entusiasta do mergulho livre narra assim sua primeira aventura: “Ainda me lembro vividamente da primeira vez que eu mergulhei através de um cardume compacto de milhares de peixinhos, quando eu tinha apenas 14 anos. Os peixes pareciam formar um túnel vivo enquanto eu deslizava através deles. Eles eram prateados e refletiam o sol, criando um belo efeito. Fiquei extasiada. E assim começou um namoro vitalício com o mergulho livre.”

Explorando com segurança o mundo sob as ondas

Do correspondente de Despertai! na Austrália

EXISTE um mundo superinteressante que comparativamente poucos já viram ao vivo. Fica logo abaixo da superfície do mar. É o mundo sob as ondas, pronto para ser explorado. ‘É perigoso?’, talvez pergunte. ‘Preciso saber nadar bem antes de visitar esse interessante mundo submarino? Estou fora se não souber nadar?’

terça-feira, 18 de maio de 2010

Solução Para a Escassez de Alimentos?

No entanto, a necessidade de mais alimento é imediata, visto que muitos dentre a humanidade já estão passando fome. Pode o cultivo dos mares ser desenvolvido para suprir essa necessidade?

Os indícios são de que não pode. Conforme observou a revista BioScience: “É urgente afirmar, neste ponto, que a volta imediata da maricultura provavelmente contribua muito pouco para aliviar a fome dos povos subnutridos do mundo. É improvável que as exigências calóricas dos povos famintos do mundo possam jamais ser satisfeitas pelo mar. A contribuição para o alívio imediato da fome de proteínas será, no máximo, pequena.”

As melhores perspectivas para o cultivo da água parecem se achar no interior, onde, no presente, é muitíssimo produtivo. Isto se dá especialmente em vista da ameaça de que a poluição talvez arruíne o mar como fonte segura de alimento.

Sem dúvida, no futuro, muito mais será feito para se desenvolver a arte da aqüicultura, e muitas pessoas serão beneficiadas. Mas, não se pode depender dela para solucionar a crítica escassez de alimentos por parte do homem.

A Verdadeira Maricultura Se Acha na Infância

Como se pode ver, a produção de alimentos pela aqüicultura provém principalmente de tanques de água doce e salobre. O verdadeiro cultivo do mar — a verdadeira maricultura — tem produzido pouca coisa. A maioria dos esforços de cultivar o mar têm sido experimentais, ou se acham apenas no estágio dos planos. Os ilhéus japoneses, que dependem do mar para obter 60 por cento de suas proteínas ingeridas, são especialmente ativos nesta pesquisa.

Represar áreas do mar para reter peixes não é, compreensivelmente, um projeto nada pequeno. No entanto, no Mar Interior de Seto, no Japão, tem sido feito — acham-se em operação fazendas do mar. Em uma fazenda, 72 hectares foram represados por cercas de fios ou redes em águas elevadas e seis hectares em águas rasas. Os olhetes, que crescem ao tamanho de mercado em questão de oito ou nove meses, são criados em alta densidade nestas fazendas fechadas.

Fechar uma área do mar é um verdadeiro desafio. Tem-se visualizado o fechamento de áreas por se lançar uma mangueira de plástico no leito do mar, pontilhada de pequenos buracos e ligada a um reservatório de ar. As bolhas de ar que subam serviriam qual cortina para manter afastada a indesejável vida marinha, e para prender os animais da fazenda.

Tem-se também observado que, no Oceano Pacífico, há atóis de coral em que anéis de recifes coralinos cercam lagoas rasas. Cientistas japoneses propuseram a criação de atum — peixe que pode alcançar centenas de quilos — em tais atóis selados.

Outra via de investigação tem sido a fertilização da água para sustentar os peixes. Em uma experiência, um cano de plástico de uns 9 centímetros foi estendido por cerca de um quilômetro e meio ao largo de Sta. Cruz, nas Ilhas Virgens. A água fria, rica em nutrientes, lançada nos tanques à beira-mar logo pululou de diminutas plantas, tornando-se ideal para a produção de peixes. Um cientista propôs uma draga marinha que trouxesse nutrientes das profundezas do mar e os distribuísse próximo da superfície. Daí, os peixes que talvez pululassem na área, devido ao “ressurgimento” artificial, poderiam ser colhidos.

Na Escócia, conseguiu-se êxito experimental na maricultura por se usar a descarga de água quente de uma usina de energia atômica. Por elevar a temperatura da água numa área fechada do mar, tanto a taxa de metabolismo como o apetite dos peixes — neste caso, solha e linguado — aumentaram, acelerando grandemente seu crescimento. No entanto, ao comentar esta experiência bem sucedida, a revista Sea Frontiers (Fronteiras do Mar) observou de forma interessante:

“‘Cultivar o mar’ é uma frase vista com freqüência, como se isto fosse uma extensão fácil do cultivo do solo. Com efeito, no tempo atual, os problemas são mais comuns do que os resultados, e a criação comercial de uma única espécie sequer representa tremendo esforço.” Assim, lembra-se-nos que a maricultura ainda se acha em sua infância.

Cultivar Moluscos

A maioria dos moluscos, entre 4 a 5 milhões de toneladas métricas por ano, são tirados do mar pelos métodos convencionais de pesca. Mas, a cultura de ostras, camarões e outros moluscos também se torna comum, sendo que os japoneses lideram os progressos. Por exemplo, foram pioneiros no uso de culturas em suspensão para as ostras, práticas que agora se espalha para o resto do mundo.

Depois de sua incubação, as diminutas larvas de ostras nadam brevemente de um lado para outro em busca dum objeto duro adequado para se fixarem permanentemente nele a fim de se transformarem em forma adulta. No Japão, aperfeiçoou-se a prática de suspender fios de balsas de bambu em águas até com quinze metros de profundidade. Penduram-se nestes fios conchas de mexilhões espacejadas. As larvas de ostras, que se fixam às conchas de mexilhões aos bilhões são, depois de algumas semanas, reduzidas pelos cultivadores à densidade apropriada. À medida que as ostras crescem, adicionam-se flutuadores às balsas para evitar que afundem devido ao peso crescente.

Este método de suspensão possui várias vantagens. Protege as ostras dos predadores e de se depositarem no fundo do mar. E também permite que as ostras se alimentem do alimento suspenso na inteira coluna d’água. Usando este método, a colheita anual da Bacia de Hiroxima, no Japão, atinge até mais 56.500 quilos de carne de ostras por hectare!

Os crustáceos que se movem, tais como o camarão, são difíceis de cultivar. Por séculos, têm sido capturados camarões pequenos nas águas costeiras do Extremo Oriente e levados para tanques de água salobre para ali amadurecer até o tamanho de mercado. Não obstante, no Japão, a verdadeira maricultura de camarão é praticada com êxito em escala comercial. Ali, produzem-se camarões agora sob controle, desde os ovos até o mercado.

As fêmeas portadoras de ovos são apanhadas e mantidas em tanques de água do mar cuidadosamente controlados, onde liberam seus ovos. Antes de atingirem a madureza, os filhotes atravessam diversos estágios de larvas, durante os quais são mantidos em tanques interiores de água aquecida. Mais tarde, são transferidos para tanques ao ar livre, com arranjos para arejamento e circulação da água, a fim de amadurecerem para o mercado. Há agora várias fazendas de cultura de camarão no Japão, mas a maioria delas obtém o camarão quando ainda pequeno, visto que não possuem o equipamento técnico para criá-los desde o ovo.

Cascudos, Trutas e Salmões

Nos EUA, avanços significativos foram obtidos em se criar peixes para alimento. Na última década, a aqüicultura de cascudos progrediu de apenas um punhado de aqüicultores que aprenderam a arte por errarem até acertarem até tornar-se uma indústria de vertiginoso crescimento. Por volta de 1970, havia uns 23.500 hectares de tanques, principalmente na área do delta do Mississipi. Tais tanques produziam cerca de 35 mil toneladas de cascudos! Isto representa uma colheita de quase 1.500 quilos por hectare, muito mais que os 340 a 570 quilos de carne de vaca por hectare produzidos no bom pasto.

A truta e o salmão também são importantes na aqüicultura, especialmente a truta arco-íris. No Vale do Rio das Cobras, em Idaho, EUA, vasto lago submarino torna possível rápido fluxo de água na temperatura correta (14,4° C) para os tanques de peixes, o que é ideal para a criação de trutas. E, por fornecer uma dieta especial às trutas arco-íris, obtém-se uma fantástica colheita anual de mais de 450.000 quilos de peixes por hectare! Colheitas similares por hectare têm sido conseguidas na Indonésia por se confinar a carpa em gaiolas de bambu numa corrente que corre rapidamente, e que é rica em dejeções.

Criar salmões envolve mais a técnica de “viveiros” que a de “cultura”. O salmão procria nos rios, emigra para o mar a fim de amadurecer e, levado pelo instinto, volta a seu lugar de nascimento anos depois para desovar. Pela seleção e alimentação especial, o salmão de rápido crescimento e robusto tem sido desenvolvido. Assim, ao invés de gastar os quatro anos usuais no oceano para amadurecer, alguns da nova variedade voltam a seu local de nascimento em apenas um ano. Visualiza-se que grandes cardumes artificiais de salmões serão produzidos, os quais poderão ser colhidos ao voltarem para sua casa, depois de um ano mais ou menos de pastagem no mar.

Outro Método Todavia, alguns ainda acham que as águas da terra apresentam a solução para a escassez de alimentos. Observam que frotas pesqueiras singram os mares à procura de sua presa, assim como certa vez era comum os homens caçarem animais na terra. Mas, maior produtividade alimentar foi conseguida quando se transferiu a ênfase para a criação de animais terrestres, ao invés de caçá-los. Acha-se que similar transferência de ênfase poderia aumentar a produtividade do mar. O método de criar criaturas marinhas em cativeiro é chamado aqüicultura (cultura da água) ou maricultura (cultura do mar). A aqüicultura recentemente captou a curiosidade pública. Mas, quais são suas perspectivas? Podem as criaturas que vivem na água ser criadas para servir de alimento, assim como o são o gado, porcos e outros animais terrestres? O que já tem sido feito neste campo? Será a aqüicultura a solução para se aliviar a escassez mundial de alimentos?

Todavia, alguns ainda acham que as águas da terra apresentam a solução para a escassez de alimentos. Observam que frotas pesqueiras singram os mares à procura de sua presa, assim como certa vez era comum os homens caçarem animais na terra. Mas, maior produtividade alimentar foi conseguida quando se transferiu a ênfase para a criação de animais terrestres, ao invés de caçá-los. Acha-se que similar transferência de ênfase poderia aumentar a produtividade do mar. O método de criar criaturas marinhas em cativeiro é chamado aqüicultura (cultura da água) ou maricultura (cultura do mar).

A aqüicultura recentemente captou a curiosidade pública. Mas, quais são suas perspectivas? Podem as criaturas que vivem na água ser criadas para servir de alimento, assim como o são o gado, porcos e outros animais terrestres? O que já tem sido feito neste campo? Será a aqüicultura a solução para se aliviar a escassez mundial de alimentos?
Todavia, alguns ainda acham que as águas da terra apresentam a solução para a escassez de alimentos. Observam que frotas pesqueiras singram os mares à procura de sua presa, assim como certa vez era comum os homens caçarem animais na terra. Mas, maior produtividade alimentar foi conseguida quando se transferiu a ênfase para a criação de animais terrestres, ao invés de caçá-los. Acha-se que similar transferência de ênfase poderia aumentar a produtividade do mar. O método de criar criaturas marinhas em cativeiro é chamado aqüicultura (cultura da água) ou maricultura (cultura do mar).

A aqüicultura recentemente captou a curiosidade pública. Mas, quais são suas perspectivas? Podem as criaturas que vivem na água ser criadas para servir de alimento, assim como o são o gado, porcos e outros animais terrestres? O que já tem sido feito neste campo? Será a aqüicultura a solução para se aliviar a escassez mundial de alimentos?

Potencial Alimentar dos Mares

A quantidade de alimentos tirados das águas da terra aumenta dramaticamente. De menos de 19 milhões de toneladas métricas em 1950, a colheita anual aumentou para mais de 60 milhões de toneladas métricas. Isto talvez pareça uma grande quantidade. No entanto, calcula-se que equivale a pouco mais de 3 por cento do alimento humano total produzido. Pode o mar produzir muito mais?

Alguns, observando a amplitude do mar — cobre cerca de três quartos da terra — afirmam que pode. Mas, há um fato que alguns deixam de considerar. E este é que a maior parte do mar é virtualmente improdutiva de alimento, assim como a maior parte do solo.

O novo livro Environment — Resources, Pollution & Society (Ambiente — Recursos, Poluição e Sociedade), editado por W. W. Murdoch, observa: “O alto mar — calculadamente 90 por cento do oceano — é considerado um deserto biológico, contribuindo quase que nada para a atual pesca mundial e oferecendo pouco potencial para o futuro.” A maioria das criaturas marinhas vivem e são apanhadas nas relativamente rasas águas costeiras. Com efeito, os peixes se concentram em certas áreas próximas da costa. Por quê?

As áreas muito piscosas dispõem da correta combinação de vento, correntes e a inclinação da plataforma continental que traz das profundezas oceânicas a água carregada de nutrientes da vida marinha decomposta. Ao atingir os níveis do oceano em que a luz solar penetra, os nutrientes “ressurgentes” resultam da rápida proliferação das diminutas plantas e animais flutuantes de que se alimentam os peixes. Assim, a fonte acima-citada observa: “As áreas ressurgentes formam apenas cerca de 0,1 por cento do oceano, mas produzem a metade das reservas piscosas do mundo.”

De que significado é a concentração dos peixes em pequenas áreas do oceano e sua escassez nas demais partes? É como o biólogo William Ricker, especialista em pesca, avisou: O mar não é “um reservatório ilimitado de energia alimentar”. E o explorador submarino Jacques-Yves Costeau avisou, ao voltar de uma exploração mundial submarina, de que a vida nos oceanos diminuiu em 40 por cento desde 1950 devido à pesca em demasia e à poluição.

Assim, aparentemente, o homem não pode contar com os métodos convencionais de pesca a fim de aumentar grandemente as suas reservas alimentares. Com efeito, baseados em relatórios tais como o de Costeau, há perigo de que menos alimento se torne disponível nos mares, no futuro.

As águas da terra — uma solução para a escassez de alimentos?

A AVOLUMANTE população da terra significa dezenas de milhares de novas bocas a alimentar a cada ano. Todavia, até mesmo agora, muitas pessoas morrem de fome, e outras estão famintas. Onde pode ser obtido o alimento para satisfazer a todos?

Crê-se comumente que as águas da terra sejam a fonte adequada. Certo escritor asseverou: “Não há necessidade de que ninguém passe fome na terra quando há uma reserva ampla, praticamente inexplorada e possivelmente ilimitada de alimento no mar.” Mas, será isso verdade? Dispõem os mares de suficiente reserva de alimentos?

Vão todas as nações se unir na luta?

A nível global, cientistas e líderes alarmados concluem que a solução não depende de uma nação, nem mesmo de um grupo de nações. A poluição é arrastada ao redor do globo por correntes circulatórias de ar e de água, causando impacto nos recifes. As nações não têm jurisdição além das suas próprias águas territoriais. Poluentes despejados em alto-mar acabam chegando aos litorais. É preciso um esforço e uma solução global unificados.

Sem dúvida, muitas pessoas sinceras e capazes no mundo continuarão a lutar para salvar os estupendos tesouros coralíneos da Terra. É claro e desesperadamente necessário um governo mundial sensível ao meio ambiente da Terra e que zele por ele. Felizmente, o próprio Criador salvará o meio ambiente global. Ao fazer os primeiros humanos, Deus disse: “Tenham eles em sujeição os peixes do mar [e toda outra vida marinha].” (Gênesis 1:26) Visto que Deus nunca abusou da vida marinha e nem a explorou, sua ordem à humanidade forçosamente significava que o homem devia cuidar do meio ambiente global. A Bíblia prediz: “Há novos céus [o Reino celestial de Deus] e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:13) No futuro próximo, esse governo celestial vai limpar completamente essa Terra poluída, incluindo seus oceanos. Daí, os cidadãos do Reino de Deus cuidarão e usufruirão plenamente dos belos oceanos e de seus habitantes marinhos.

Como salvar os bancos de corais?

CIENTISTAS do mundo inteiro acreditam que o aquecimento global é uma realidade e que vai continuar a piorar à medida que os países em desenvolvimento prosseguem na sua evolução industrial. Uns três bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) são lançados anualmente na atmosfera global pela queima de combustíveis, como carvão, óleo e madeira, para energia, e pelas queimadas de florestas. Para alguns cientistas, o chamado efeito estufa, resultante dos gases da queima de combustíveis, ameaça aquecer a atmosfera 3 a 8 graus Fahrenheit em meados do próximo século. Este aumento seria fatal para os corais e para as colônias de recifes.

Mas, a morte dos bancos de corais prejudicaria também a vida terrestre. A revista Natural History observou: “Os bancos de corais, contudo, são em si mesmos fatores-chave no cenário da estufa e podem ser tão importantes como as florestas tropicais na redução dos gases da estufa. À medida que depositam carbonato de cálcio para seus esqueletos, os corais removem um enorme volume de CO2 dos oceanos. Sem zooxantelas [algas residentes-simbióticas dos corais], a quantidade de dióxido de carbono que os corais metabolizam é reduzida drasticamente. Ironicamente, o dano causado a esse ecossistema submarino poderia acelerar o próprio processo que apressa a destruição dos corais.”

Alguns cientistas acreditam que outros gases lançados pela combustão aumentam o efeito estufa. Óxido nitroso por um lado, e clorofluorcarbonos (CFCs) de outro. De fato, cada molécula de CFC é 20 mil vezes mais eficiente em capturar o calor do que uma molécula de CO2. Os CFCs também têm sido apontados como responsáveis pelo afinamento da camada de ozônio, que protege a vida na Terra dos prejudiciais raios ultravioleta. A camada de ozônio nos Pólos Norte e Sul se afinou tanto que causou buracos. Isso são mais más notícias para os corais. Experimentos expondo pequenos bancos de corais, já estressados por água mais quente, a pequeninos aumentos na luz ultravioleta, agravou o embranqueamento. A revista Scientific American observou, com pesar: “Mesmo que as emissões de clorofluorcarbono parassem hoje, as reações químicas que causam a destruição do ozônio estratosférico continuariam por pelo menos um século. A razão é simples: os componentes permanecem esse tempo todo na atmosfera e continuariam a difundir-se na estratosfera a partir da reserva troposférica por muito tempo depois do fim das emissões.”

A nível pessoal, pode-se agir com responsabilidade não contaminando os oceanos ou as áreas costeiras com lixo ou poluentes. Se visitar um recife, acate a ordem de não tocar ou pisar nos corais. Não apanhe nem compre souvenirs de corais. Se andar de barco perto de recifes tropicais, desça âncora no leito arenoso ou em ancoradouros flutuantes providenciados pelas autoridades marinhas. Não ande em alta velocidade nem revolva o fundo com a hélice do barco. Não lance esgoto do barco no mar; procure docas e ancoradouros adequados. Bill Causey, administrador do Santuário Marinho Nacional Looe Key (Flórida, EUA) observou: “O homem provavelmente está criando o problema que causa o desequilíbrio. Temos de conscientizar-nos de seu globalismo. Se continuarmos a aumentar a conscientização pública a respeito da ameaça de perdermos um importante ecossistema, talvez possamos mudar as coisas.”

A nível regional, fazem-se e aplicam-se leis de proteção aos bancos de corais. O Estado americano da Flórida multa os donos de navios que danificam seus recifes. Os donos de um cargueiro, que esfacelou muitos metros quadrados de corais ao encalhar, pagaram uma multa de 6 milhões de dólares. Parte do dinheiro foi usado para restaurar o habitat marinho. No presente, usando adesivos especiais, os biólogos tentam reatar corais que foram danificados por um navio, em 1994. Outra multa, de 3,2 milhões de dólares, foi aplicada a uma empresa por danos causados a um recife, na Flórida, por um de seus cargueiros. Outros países estão aplicando sanções similares. Lugares famosos para a prática do mergulho, como as Ilhas Caimã, no Caribe, têm áreas delimitadas para esse fim. A Austrália criou o seu Parque Marinho do Recife da Grande Barreira para controlar essa atividade ali. Mas, como se tem observado, quanto mais mergulhadores, tanto mais danos aos recifes.

O Futuro da Vida Oceânica

Agora, os oceanógrafos estão altamente preocupados com o perigo para a vida marinha frente à ganância das frotas comerciais que possuem instrumentos científicos avançados para caçar, apresar e matar em escala maciça. Mas, ainda mais temida é a poluição, também resultado primário da ganância e falta de cuidados, que se espalhou em grau inacreditável, tornando águas piscosas anteriormente prolíficas em águas praticamente sem peixes.

Tais coisas entristecem-nos. Mas, o crente na Palavra de Deus tem plena confiança em Sua habilidade de encher de novo o mar com vida pululante, assim como originalmente propôs quando ordenou aos habitantes do mar: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei as águas das bacias marítimas.” (Gên. 1:22) Visto que existe tamanha interdependência entre a vida marinha (tanto a vida vegetal como a animal) e a terrestre, podemos estar seguros de que Deus fará com que tanto o mar como o solo sejam povoados de criaturas essenciais ao bem-estar e à felicidade eternos do homem. Isto Ele fará durante o reinado milenar de seu Filho, quando o homem estará em paz com a vida animal, tanto terrestre como marinha, exercendo o domínio correto e amoroso sobre ela. — Gên. 1:27, 28; Sal. 8:4-8.

Vida nas Profundezas Abissais do Leito Oceânico

No leito oceânico, a três quilômetros ou mais abaixo do nível do mar, numa temperatura quase de congelamento, as pressões são tremendas e prevalece a escuridão total. Todavia, até mesmo ali persiste a vida. Mas, parece ser num passo mais lento, e a população é muito mais escassa. Pepinos-do-mar com até 45 centímetros de comprimento arrastam-se vagarosamente sobre o fundo lamacento, “comendo” a vasa, isso é, ingerindo a vasa argilosa para obter dela os diminutos organismos, ou para pesquisar o “detrito”, matéria orgânica residual que desceu lá de cima. Há poucas criaturas tão grandes quanto um camundongo; a maioria delas são menores do que as abelhas. Redes com malha mais fina do que um centésimo de polegada captam diminutos mexilhões, vermes e crustáceos.

Alguns dos peixes e outros animais na escuridão abissal são cegos. Há criaturas que andam de modo pomposo, com patas longas e esguias, com pés penugentos, para mantê-las acima da vasa. “Ofiuróides”, aparentados das estrelas-do-mar, às vezes enchem o leito oceânico. Até mesmo em profundidades de uns 1.100 metros, ou mais, uma ocasional arraia passa nadando, procurando alimento no fundo. O leito do mar é recoberto de pistas e trilhas. Fotos tiradas a 10.900 metros na Fossa Challenger, ao sudoeste de Guam, mostram alguns animais ímpares de 2,5 ou 5 centímetros de comprimento. Alguns têm a aparência de pequeninos camarões. Nas tremendas pressões de tais profundezas, o homem ainda não consegue responder de modo afirmativo à pergunta proposta por Deus a Jó: “Andaste em busca da água de profundeza?” — Jó 38:16.