PARA entender a importância daquilo que os pesquisadores do Alvin viram, precisamos aprender um pouco mais sobre a estrutura da Terra. Segundo se sabe, o solo sob os nossos pés é composto de uma camada rígida (chamada litosfera), assentada sobre uma massa de rochas derretidas que se desloca lentamente. Aparentemente, essa rígida camada externa tem em média uns 100 quilômetros de profundidade e corresponde a apenas 0,6% do volume do planeta. A parte mais externa dela, a crosta, é irregular, mais grossa sob os continentes e mais fina (com apenas uns 6 quilômetros) debaixo do sistema de cadeias mesoceânicas.
Além disso, essa sólida camada externa não é inteiriça, como a casca intacta de um ovo. Parece estar quebrada em várias placas grandes e rígidas, e em muitas outras menores, todas chamadas placas tectônicas. Elas formam os continentes e as bacias oceânicas. As placas se movem umas em relação às outras. Nos pontos em que se separam, elas se afinam e formam vales de fenda nas cadeias mesoceânicas. Mundialmente, as placas se deslocam em média uns três centímetros por ano.
De acordo com a teoria das placas tectônicas, à medida que se separam ao longo do sistema de cadeias, as placas permitem que as rochas incandescentes do manto, a região abaixo da crosta, aflorem no leito oceânico. O material quente forma uma nova crosta oceânica ao longo da zona do vale da fenda, mas isso não faz as placas se fundirem. Elas continuam a se separar, fazendo com que o sistema de vales de fenda se pareça a uma imensa ferida que nunca cicatriza.
Ao passo que numa das extremidades da placa, nas cadeias mesoceânicas, se formam camadas novas, a outra extremidade lentamente desliza para baixo da placa vizinha e mergulha no manto quente, onde é assimilada. O ponto onde uma placa desce sob outra é chamado de zona de subdução. As zonas de subdução contêm algumas das mais profundas fossas do mundo. A fossa das Marianas, na costa de Guam, no oceano Pacífico, por exemplo, tem uns 11.000 metros de profundidade. Se o monte Everest, a montanha mais alta em terra seca, fosse colocado dentro dessa fossa, seu cume ainda ficaria mais de 2.000 metros abaixo do nível do mar!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Vida Vegetal e Animal
No frio como que dum congelador, sobrevive pouca vida vegetal. Devido à longa noite antártica, as 800 variedades de plantas — líquens, musgos, algas de água doce, bactérias, bolores, cogumelos e fungos que vivem na área terrestre ficam em estado latente por longos períodos. Mas, tornam-se quase que instantaneamente fotossintéticos durante os breves surtos de verão de apenas alguns dias, semanas, ou de um mês ou dois.
Por outro lado, embora a vegetação seja esparsa, abundam os animais; mas, tanto o número como o tamanho das espécies terrestres são reduzidos. Quase todos os animais são vistos próximo da orla da camada de gelo ou na água, quer vivendo no oceano quer obtendo dele seu sustento. Os animais que dependem do solo para alimento e abrigo são algumas espécies microscópicas, junto com pequeninos insetos e aranhas. O maior destes é uma mosca, parente da mosca-doméstica comum, que tem cerca de 3 milímetros de comprimento. Além dos pingüins que não voam, há a gaivota do Pólo Sul e o petrel antártico. Na Antártida e nas regiões ilhoas subantárticas, há andorinhas-do-mar, albatrozes, corvos-marinhos, gaivotas e outras aves. Algumas aves às vezes penetram no interior do continente.
A andorinha-do-mar do Ártico é o maior navegador do mundo. Gasta seis meses do ano na Antártida e seis meses no Ártico, voando 17.700 quilômetros do norte para gozar o verão da Antártida. Assim, consegue viver quase que em perpétua luz do dia.
Cinco das dezessete variedades de pingüins que há no mundo podem ser encontradas aqui. O pingüim Adélia e o pingüim-imperador são os únicos que se reproduzem no continente. O pingüim Adélia, (tendo em média 38 centímetros de altura e pesando de 4,5 a 6,800 quilos) parece obter orientação de um mecanismo relacionado ao sol e dum relógio biológico.
O pingüim-imperador, o irmão grande do Adélia, parece testar a temperatura do “refrigerador” até o limite. Esta ave de aparência sóbria pesa de 25 a 45 quilos, e atinge quase 1,20 metros de altura. A mamãe pingüim põe seu único ovo no rigor do inverno. Quando está pronta para isso, ela se dirige para o sul, na escuridão frígida da longa noite hibernal. Quase logo depois que põe seu único ovo, a mãe o coloca cuidadosamente sobre os pés palmados do pai e lhe atribui o encargo de incubar o ovo, o que ele faz por transportá-lo por dois meses sobre seus amplos pés, por baixo duma dobra quente de pele abdominal. Enquanto o pai prospectivo jejua, ao cuidar de seu dever, a mãe se dirige ao norte, para o mar, juntando alimento. Quando ela volta, está pronta para alimentar o filhote, o que faz por regurgitar parte do alimento que ingeriu. O pingüim-imperador é a única ave que não acompanha a banquisa de gelo que se expande no inverno, ao se estender para o norte, mas fica lá atrás, no meio de terríveis nevascas violentas da noite de quase seis meses, debaixo de condições em que seria impossível construir ninhos, como fazem outras aves.
Na água gélida que cerca a Antártida, encontramos milhões de focas de diversas variedades. Tais animais sentem-se perfeitamente felizes em seu ambiente, insulados por uma camada de gordura que também lhes fornece uma reserva alimentar e contribui para que a foca bóie quando na água. Dispõem de ricos “pastos” nas águas que pululam de peixes. Há várias espécies de baleias que também encontram alimento abundante nas espichas do crustáceo krill, semelhante ao camarão. Os peixes que vivem próximo do leito oceânico são peculiares à Antártida, 90 por cento destes não sendo encontrados em nenhuma outra parte da terra.
Mergulhadores, usando roupas de mergulho revestidos de 13 milímetros de insulação, trabalhando em água a 2 graus centígrados abaixo de zero durante uma hora de cada vez, juntaram espécimes de 130 variedades conhecidas de peixes antárticos e outra vida marinha. Muitos, como o polvo, não possuem sangue vermelho e alguns são semitransparentes. Outros peixes têm sangue vermelho que não congela em temperaturas extremamente baixas. Numa ocasião recente, um mergulhador descobriu lavas de enguias de 1,20 a 1,50 metros de comprimento — vinte vezes o tamanho de qualquer outra enguia recém-nascida conhecida pelo homem.
De outubro a fevereiro, o tempo é moderado, mas, exceto na Península Antártica, que se estende até a 966 quilômetros da América do Sul, a temperatura jamais sobe acima do ponto de congelamento. Nesse período, várias espécies de diminutos insetos são aquecidos para viver só por alguns dias, e então voltam de novo ao estado dormente. Há pulgas da neve e ácaros de oito patas. Os cientistas descobriram que seus corpos produzem uma substância chamada glicerol. Trata-se duma substância química às vezes usada como anticongelante. Nestes pequenos insetos, ela preserva sua vida durante o inverno antártico.
Pulgas e insetos suscitam a questão da doença. A velha história de que não existem germes na Antártida é um engano. O continente pode ser tão branco quanto o interior de uma sala de cirurgia, mas pode-se achar uma abundância de bactérias nele. A 27 metros abaixo da superfície do Pólo Sul, os microbiologistas descobriram alguns germes que parecem ter sido presos ali há centenas de anos. Usando máscaras faciais e instrumentos esterilizados, tiveram cuidado de evitar misturar as bactérias modernas com essas do século dezenove. Encontraram estafilococos, uma espécie de bactéria que pode provocar grave infecção. A menos que a técnica falha ou o equipamento deficiente tenham deixado escapar alguns dos germes dos próprios cientistas, estas bactérias já existiam na Antártida em 1860. Ademais, os micróbios no gelo não estavam mortos, mas revitalizaram-se no laboratório assim que aquecidos.
O frio extremo e a secura da atmosfera da Antártida, contudo, exercem um efeito muito preservativo. Relata a Encyclopædia Britannica: “Várias carcaças mumificadas de foca, principalmente de focas-caranguejeiras [uma espécie de foca que come crustáceos] têm sido encontradas a distâncias de até 48 quilômetros do mar, e em elevações de até cerca de 914 metros nos vales secos de McMurdo. Não encontrando alimento em tais incursões pelo interior, as focas-caranguejeiras por fim morreram, e suas carcaças coriáceas foram preservadas pela frieza e aridez do clima.”
Por outro lado, embora a vegetação seja esparsa, abundam os animais; mas, tanto o número como o tamanho das espécies terrestres são reduzidos. Quase todos os animais são vistos próximo da orla da camada de gelo ou na água, quer vivendo no oceano quer obtendo dele seu sustento. Os animais que dependem do solo para alimento e abrigo são algumas espécies microscópicas, junto com pequeninos insetos e aranhas. O maior destes é uma mosca, parente da mosca-doméstica comum, que tem cerca de 3 milímetros de comprimento. Além dos pingüins que não voam, há a gaivota do Pólo Sul e o petrel antártico. Na Antártida e nas regiões ilhoas subantárticas, há andorinhas-do-mar, albatrozes, corvos-marinhos, gaivotas e outras aves. Algumas aves às vezes penetram no interior do continente.
A andorinha-do-mar do Ártico é o maior navegador do mundo. Gasta seis meses do ano na Antártida e seis meses no Ártico, voando 17.700 quilômetros do norte para gozar o verão da Antártida. Assim, consegue viver quase que em perpétua luz do dia.
Cinco das dezessete variedades de pingüins que há no mundo podem ser encontradas aqui. O pingüim Adélia e o pingüim-imperador são os únicos que se reproduzem no continente. O pingüim Adélia, (tendo em média 38 centímetros de altura e pesando de 4,5 a 6,800 quilos) parece obter orientação de um mecanismo relacionado ao sol e dum relógio biológico.
O pingüim-imperador, o irmão grande do Adélia, parece testar a temperatura do “refrigerador” até o limite. Esta ave de aparência sóbria pesa de 25 a 45 quilos, e atinge quase 1,20 metros de altura. A mamãe pingüim põe seu único ovo no rigor do inverno. Quando está pronta para isso, ela se dirige para o sul, na escuridão frígida da longa noite hibernal. Quase logo depois que põe seu único ovo, a mãe o coloca cuidadosamente sobre os pés palmados do pai e lhe atribui o encargo de incubar o ovo, o que ele faz por transportá-lo por dois meses sobre seus amplos pés, por baixo duma dobra quente de pele abdominal. Enquanto o pai prospectivo jejua, ao cuidar de seu dever, a mãe se dirige ao norte, para o mar, juntando alimento. Quando ela volta, está pronta para alimentar o filhote, o que faz por regurgitar parte do alimento que ingeriu. O pingüim-imperador é a única ave que não acompanha a banquisa de gelo que se expande no inverno, ao se estender para o norte, mas fica lá atrás, no meio de terríveis nevascas violentas da noite de quase seis meses, debaixo de condições em que seria impossível construir ninhos, como fazem outras aves.
Na água gélida que cerca a Antártida, encontramos milhões de focas de diversas variedades. Tais animais sentem-se perfeitamente felizes em seu ambiente, insulados por uma camada de gordura que também lhes fornece uma reserva alimentar e contribui para que a foca bóie quando na água. Dispõem de ricos “pastos” nas águas que pululam de peixes. Há várias espécies de baleias que também encontram alimento abundante nas espichas do crustáceo krill, semelhante ao camarão. Os peixes que vivem próximo do leito oceânico são peculiares à Antártida, 90 por cento destes não sendo encontrados em nenhuma outra parte da terra.
Mergulhadores, usando roupas de mergulho revestidos de 13 milímetros de insulação, trabalhando em água a 2 graus centígrados abaixo de zero durante uma hora de cada vez, juntaram espécimes de 130 variedades conhecidas de peixes antárticos e outra vida marinha. Muitos, como o polvo, não possuem sangue vermelho e alguns são semitransparentes. Outros peixes têm sangue vermelho que não congela em temperaturas extremamente baixas. Numa ocasião recente, um mergulhador descobriu lavas de enguias de 1,20 a 1,50 metros de comprimento — vinte vezes o tamanho de qualquer outra enguia recém-nascida conhecida pelo homem.
De outubro a fevereiro, o tempo é moderado, mas, exceto na Península Antártica, que se estende até a 966 quilômetros da América do Sul, a temperatura jamais sobe acima do ponto de congelamento. Nesse período, várias espécies de diminutos insetos são aquecidos para viver só por alguns dias, e então voltam de novo ao estado dormente. Há pulgas da neve e ácaros de oito patas. Os cientistas descobriram que seus corpos produzem uma substância chamada glicerol. Trata-se duma substância química às vezes usada como anticongelante. Nestes pequenos insetos, ela preserva sua vida durante o inverno antártico.
Pulgas e insetos suscitam a questão da doença. A velha história de que não existem germes na Antártida é um engano. O continente pode ser tão branco quanto o interior de uma sala de cirurgia, mas pode-se achar uma abundância de bactérias nele. A 27 metros abaixo da superfície do Pólo Sul, os microbiologistas descobriram alguns germes que parecem ter sido presos ali há centenas de anos. Usando máscaras faciais e instrumentos esterilizados, tiveram cuidado de evitar misturar as bactérias modernas com essas do século dezenove. Encontraram estafilococos, uma espécie de bactéria que pode provocar grave infecção. A menos que a técnica falha ou o equipamento deficiente tenham deixado escapar alguns dos germes dos próprios cientistas, estas bactérias já existiam na Antártida em 1860. Ademais, os micróbios no gelo não estavam mortos, mas revitalizaram-se no laboratório assim que aquecidos.
O frio extremo e a secura da atmosfera da Antártida, contudo, exercem um efeito muito preservativo. Relata a Encyclopædia Britannica: “Várias carcaças mumificadas de foca, principalmente de focas-caranguejeiras [uma espécie de foca que come crustáceos] têm sido encontradas a distâncias de até 48 quilômetros do mar, e em elevações de até cerca de 914 metros nos vales secos de McMurdo. Não encontrando alimento em tais incursões pelo interior, as focas-caranguejeiras por fim morreram, e suas carcaças coriáceas foram preservadas pela frieza e aridez do clima.”
Estudos Meteorológicos
A abertura da Antártida deleitou os olhos dos cientistas, visto ser excitantemente diferente. Ao passo que a zona ártica é constituída na maior parte do oceano, a Antártida o é de solo. Isto parcialmente explica seu clima mais frio. A temperatura mais fria já registrada na terra foi a de congelantes 88,3 graus centígrados abaixo de zero na Base russa de Vostok, em agosto de 1960. Até o dia de hoje, este é o único continente em que o homem não pode viver de forma permanente, sem depender de recursos externos.
O tempo na Antártida ajuda a controlar o clima de todo o globo. Os cientistas verificam que o gigantesco “refrigerador” produz mais ar frio do que qualquer outro lugar do mundo. O ar congelado desce pelas encostas polares em direção da costa, aumentando até transformar-se em rajadas de 225 a 233 quilômetros horários ao longo da costa. Com efeito, o vento frio provou-se o fator mais debilitante na exploração da Antártida. Por fim, este vento varre o Chile e a Argentina e partes da Austrália e da Nova Zelândia, contribuindo assim grandemente para “condicionar o ar” de nosso lar, a Terra.
O Oceano Antártico faz parte do único grande oceano da terra. Entra em confluência com os Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Mas, possui caraterísticas peculiares. É mais frio e menos salgado do que os oceanos ao norte. As gélidas águas oceânicas se movem para o norte, daí mergulham por baixo das águas mais quentes na “convergência”, onde o Oceano Antártico entra em confluência com os oceanos setentrionais e se espalham bem ao norte, além do equador. Quando as águas que fluem para o sul, nas partes oestes dos outros oceanos, se unem com as frias águas antárticas, elas se voltam para o leste, formando a Corrente Circumpolar, que percorre uma trajetória irregular completa em torno da terra, na vizinhança dos 47° a 61° da latitude sul. Os oceanógrafos medem as correntes, testam seu conteúdo mineral, tiram medidas de temperatura em vários níveis e verificam profundidades por meio de ondas sonoras que ricocheteiam no leito oceânico. Tais informações, junto com correntes aéreas e atividades das geleiras, resultam valiosas na meteorologia e em outras ciências.
O tempo na Antártida ajuda a controlar o clima de todo o globo. Os cientistas verificam que o gigantesco “refrigerador” produz mais ar frio do que qualquer outro lugar do mundo. O ar congelado desce pelas encostas polares em direção da costa, aumentando até transformar-se em rajadas de 225 a 233 quilômetros horários ao longo da costa. Com efeito, o vento frio provou-se o fator mais debilitante na exploração da Antártida. Por fim, este vento varre o Chile e a Argentina e partes da Austrália e da Nova Zelândia, contribuindo assim grandemente para “condicionar o ar” de nosso lar, a Terra.
O Oceano Antártico faz parte do único grande oceano da terra. Entra em confluência com os Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Mas, possui caraterísticas peculiares. É mais frio e menos salgado do que os oceanos ao norte. As gélidas águas oceânicas se movem para o norte, daí mergulham por baixo das águas mais quentes na “convergência”, onde o Oceano Antártico entra em confluência com os oceanos setentrionais e se espalham bem ao norte, além do equador. Quando as águas que fluem para o sul, nas partes oestes dos outros oceanos, se unem com as frias águas antárticas, elas se voltam para o leste, formando a Corrente Circumpolar, que percorre uma trajetória irregular completa em torno da terra, na vizinhança dos 47° a 61° da latitude sul. Os oceanógrafos medem as correntes, testam seu conteúdo mineral, tiram medidas de temperatura em vários níveis e verificam profundidades por meio de ondas sonoras que ricocheteiam no leito oceânico. Tais informações, junto com correntes aéreas e atividades das geleiras, resultam valiosas na meteorologia e em outras ciências.
Antártida, o maior “refrigerador” do mundo
IMAGINE só abrir a porta dum refrigerador que tenha ficado fechado por milhares de anos e, ao abrir a porta, descobrir algo novo em cada prateleira, algo que jamais tinha antes sido visto pelos olhos humanos! Tal visão se tornou realidade para o homem há cerca de 160 anos atrás, quando a Antártida, o maior “refrigerador” do mundo, foi realmente divisada e então aberta aos olhos da civilização moderna.
Os astronautas que viram a terra do espaço nos contam que uma das caraterísticas mais distintivas de nosso planeta é o lençol de gelo da Antártida. Abrange 14.244.934 quilômetros quadrados, área maior do que os Estados Unidos e a América Central combinados. Os cientistas descobriram que possui, em média, 1.981 metros de espessura, e contém mais de 90 por cento do gelo do mundo. Apenas cerca de 5 por cento da área terrestre da Antártida é visível. Se nosso “refrigerador” recém-explorado fosse degelado, isso elevaria o nível dos oceanos em 46 a 61 metros, inundando todo porto marítimo e litoral baixo do mundo. Desaparecida a cobertura de gelo, há áreas da Antártida que ficariam sob a água, tornando menor este continente.
Os astronautas que viram a terra do espaço nos contam que uma das caraterísticas mais distintivas de nosso planeta é o lençol de gelo da Antártida. Abrange 14.244.934 quilômetros quadrados, área maior do que os Estados Unidos e a América Central combinados. Os cientistas descobriram que possui, em média, 1.981 metros de espessura, e contém mais de 90 por cento do gelo do mundo. Apenas cerca de 5 por cento da área terrestre da Antártida é visível. Se nosso “refrigerador” recém-explorado fosse degelado, isso elevaria o nível dos oceanos em 46 a 61 metros, inundando todo porto marítimo e litoral baixo do mundo. Desaparecida a cobertura de gelo, há áreas da Antártida que ficariam sob a água, tornando menor este continente.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Migração de icebergs
Depois que se desprendem, a corrente oceânica leva a maioria dos icebergs numa longa viagem antes de carregar alguns deles para o oeste e para o sul e por fim para o mar de Labrador, apelidado de Corredor dos Icebergs. Os icebergs que sobrevivem aos aproximadamente dois anos de deriva, desde o local onde são formados, passando pelo Atlântico aberto e na direção de Labrador e da Terra Nova, têm vida curta. Flutuando em águas quentes, vão se desintegrando devido ao derretimento, à erosão e mais fragmentação.
O que acontece tipicamente é o seguinte: durante o dia, o gelo derrete e a água se acumula em fissuras. À noite, a água congela e se expande nessas rachaduras e faz com que pedaços do iceberg se partam. Isso muda de maneira súbita o formato do iceberg, alterando seu centro de gravidade. A massa de gelo subseqüentemente desliza para a água, deixando à vista uma escultura de gelo inteiramente nova.
Com a continuidade deste ciclo e a redução ainda maior do tamanho dos castelos de gelo por fragmentação, eles produzem seus próprios mini-icebergs, com cerca da metade do tamanho de uma casa média; outros do tamanho de um aposento pequeno, que emitem um som peculiar ao flutuar nas ondas. Alguns destes podem aparecer até em águas rasas do litoral e em enseadas.
Sejam quais forem as circunstâncias, o meio ambiente das águas mais sulinas logo se encarrega de desintegrar rapidamente o iceberg em pequenos fragmentos de gelo de água doce e fundi-lo no enorme oceano. Mas até que isso aconteça, é melhor tratar os icebergs com cautela.
O que acontece tipicamente é o seguinte: durante o dia, o gelo derrete e a água se acumula em fissuras. À noite, a água congela e se expande nessas rachaduras e faz com que pedaços do iceberg se partam. Isso muda de maneira súbita o formato do iceberg, alterando seu centro de gravidade. A massa de gelo subseqüentemente desliza para a água, deixando à vista uma escultura de gelo inteiramente nova.
Com a continuidade deste ciclo e a redução ainda maior do tamanho dos castelos de gelo por fragmentação, eles produzem seus próprios mini-icebergs, com cerca da metade do tamanho de uma casa média; outros do tamanho de um aposento pequeno, que emitem um som peculiar ao flutuar nas ondas. Alguns destes podem aparecer até em águas rasas do litoral e em enseadas.
Sejam quais forem as circunstâncias, o meio ambiente das águas mais sulinas logo se encarrega de desintegrar rapidamente o iceberg em pequenos fragmentos de gelo de água doce e fundi-lo no enorme oceano. Mas até que isso aconteça, é melhor tratar os icebergs com cautela.
Origem e ciclo de vida
Os icebergs são como cubos de gelo, gigantes, de água doce. Vêm das geleiras e das calotas de gelo do Norte e da Antártida. Sabia que a calota glacial da Antártida produz cerca de 90% dos icebergs da Terra? E produz também os maiores icebergs. Eles atingem até 100 metros acima da superfície da água e podem medir mais de 300 quilômetros de comprimento e 90 quilômetros de largura. O peso dos icebergs grandes pode variar entre 2 milhões e 40 milhões de toneladas. E como os flocos de neve, não há dois icebergs iguais. Alguns são tabulares ou achatados. Outros são cuneiformes, pontiagudos ou arredondados.
Em geral, vê-se apenas cerca de um sétimo a um décimo da massa do iceberg, a parte que fica acima da água. Isso vale especialmente para os icebergs achatados. É muito semelhante a um cubo de gelo flutuando num copo d’água. Essa proporção entre gelo exposto e gelo submerso varia, dependendo da forma do iceberg.
Os icebergs da Antártida geralmente são achatados e têm paredes retas, enquanto os icebergs do Ártico são em geral irregulares e torreados. Esses últimos, que na maioria se originam da grande calota glacial que recobre a Groenlândia, constituem a maior ameaça para o homem, visto que podem ir parar nas rotas dos transatlânticos.
Exatamente como os icebergs se formam? Nas regiões norte e sul da Terra, o acúmulo de neve e de chuva congelante geralmente é maior do que o degelo e a evaporação. Isto faz com que as camadas de neve que se acumulam sobre a terra se transformem em gelo glacial. Ano após ano, à medida que vai nevando e chovendo, forma-se uma massa de gelo contínua. Isso dá origem a enormes banquisas que cobrem vastas áreas de terra, como a Groenlândia. Por fim, o gelo fica tão espesso e duro que faz a geleira pesada deslizar bem devagar de declives elevados para vales, e daí, para o mar. Descrevendo essa migração, Bernard Stonehouse declarou no livro North Pole, South Pole (Pólo Norte, Pólo Sul): “O gelo endurecido é elástico, mas se deforma com facilidade; sob pressão seus cristais hexagonais se alinham e deslizam uns sobre os outros para criar o movimento e o deslizamento súbito que associamos às geleiras.”
Imagine um rio de gelo movendo-se por terreno irregular bem lentamente, como se fosse melado frio. Já com rachaduras verticais profundas, essa calota glacial gigante sofrerá novas influências e produzirá um fenômeno sensacional quando chegar ao litoral. Com os efeitos combinados das marés alta e baixa, das ondas e da erosão submarina, um enorme bloco de gelo de água doce que pode estender-se por uns 40 quilômetros mar adentro se partirá ruidosamente da geleira. Nasce um iceberg! Certo observador chamou de “castelo de cristal flutuante”.
No Ártico, formam-se entre 10.000 e 15.000 icebergs por ano. Todavia, poucos, em termos de comparação, alcançam as águas sulinas do litoral da Terra Nova. O que acontece com os que chegam lá?
Em geral, vê-se apenas cerca de um sétimo a um décimo da massa do iceberg, a parte que fica acima da água. Isso vale especialmente para os icebergs achatados. É muito semelhante a um cubo de gelo flutuando num copo d’água. Essa proporção entre gelo exposto e gelo submerso varia, dependendo da forma do iceberg.
Os icebergs da Antártida geralmente são achatados e têm paredes retas, enquanto os icebergs do Ártico são em geral irregulares e torreados. Esses últimos, que na maioria se originam da grande calota glacial que recobre a Groenlândia, constituem a maior ameaça para o homem, visto que podem ir parar nas rotas dos transatlânticos.
Exatamente como os icebergs se formam? Nas regiões norte e sul da Terra, o acúmulo de neve e de chuva congelante geralmente é maior do que o degelo e a evaporação. Isto faz com que as camadas de neve que se acumulam sobre a terra se transformem em gelo glacial. Ano após ano, à medida que vai nevando e chovendo, forma-se uma massa de gelo contínua. Isso dá origem a enormes banquisas que cobrem vastas áreas de terra, como a Groenlândia. Por fim, o gelo fica tão espesso e duro que faz a geleira pesada deslizar bem devagar de declives elevados para vales, e daí, para o mar. Descrevendo essa migração, Bernard Stonehouse declarou no livro North Pole, South Pole (Pólo Norte, Pólo Sul): “O gelo endurecido é elástico, mas se deforma com facilidade; sob pressão seus cristais hexagonais se alinham e deslizam uns sobre os outros para criar o movimento e o deslizamento súbito que associamos às geleiras.”
Imagine um rio de gelo movendo-se por terreno irregular bem lentamente, como se fosse melado frio. Já com rachaduras verticais profundas, essa calota glacial gigante sofrerá novas influências e produzirá um fenômeno sensacional quando chegar ao litoral. Com os efeitos combinados das marés alta e baixa, das ondas e da erosão submarina, um enorme bloco de gelo de água doce que pode estender-se por uns 40 quilômetros mar adentro se partirá ruidosamente da geleira. Nasce um iceberg! Certo observador chamou de “castelo de cristal flutuante”.
No Ártico, formam-se entre 10.000 e 15.000 icebergs por ano. Todavia, poucos, em termos de comparação, alcançam as águas sulinas do litoral da Terra Nova. O que acontece com os que chegam lá?
Os palácios de cristal do mar
DO CORRESPONDENTE DE DESPERTAI! NO CANADÁ
“ICEBERG bem à frente!”, grita o marujo, ansioso, do posto de observação. A tripulação na ponte de comando do navio reage imediatamente. A rotação dos motores é invertida para evitar a colisão. Mas é tarde demais. Há um rombo fatal a estibordo do navio.
Menos de três horas depois, o Atlântico Norte traga o maior transatlântico de luxo do mundo, na época. Em 15 de abril de 1912, apenas cinco dias após o início de sua viagem inaugural Europa—América do Norte, o Titanic vai parar no leito do oceano, quatro quilômetros abaixo da superfície. Cerca de 1.500 passageiros e a tripulação morrem no mar.
E o que sobrou do bloco de gelo maciço? Ficou praticamente incólume! Apenas a ponta colidiu com o Titanic. No dia seguinte, as equipes de resgate viram-no flutuando rumo ao sul, em direção a águas mais cálidas, como se nada tivesse acontecido. O desaparecimento do iceberg, seu derretimento gradual no vasto oceano, logo seria esquecido. O naufrágio do Titanic, porém, ainda é lembrado como uma traumática tragédia marítima.
Icebergs: são tão atraentes e majestosos, e ainda assim tão rígidos! Já os viu de perto e sentiu o efeito que eles exercem no homem e na natureza? Gostaria de saber por que e como eles se formam? E o que é feito para proteger as pessoas no mar de se depararem com um iceberg? (Veja o quadro “Patrulha Internacional das Águas Geladas”.)
“ICEBERG bem à frente!”, grita o marujo, ansioso, do posto de observação. A tripulação na ponte de comando do navio reage imediatamente. A rotação dos motores é invertida para evitar a colisão. Mas é tarde demais. Há um rombo fatal a estibordo do navio.
Menos de três horas depois, o Atlântico Norte traga o maior transatlântico de luxo do mundo, na época. Em 15 de abril de 1912, apenas cinco dias após o início de sua viagem inaugural Europa—América do Norte, o Titanic vai parar no leito do oceano, quatro quilômetros abaixo da superfície. Cerca de 1.500 passageiros e a tripulação morrem no mar.
E o que sobrou do bloco de gelo maciço? Ficou praticamente incólume! Apenas a ponta colidiu com o Titanic. No dia seguinte, as equipes de resgate viram-no flutuando rumo ao sul, em direção a águas mais cálidas, como se nada tivesse acontecido. O desaparecimento do iceberg, seu derretimento gradual no vasto oceano, logo seria esquecido. O naufrágio do Titanic, porém, ainda é lembrado como uma traumática tragédia marítima.
Icebergs: são tão atraentes e majestosos, e ainda assim tão rígidos! Já os viu de perto e sentiu o efeito que eles exercem no homem e na natureza? Gostaria de saber por que e como eles se formam? E o que é feito para proteger as pessoas no mar de se depararem com um iceberg? (Veja o quadro “Patrulha Internacional das Águas Geladas”.)
domingo, 1 de agosto de 2010
Navegando de olho no céu
Como os antigos navegadores usavam os corpos celestes para guiar suas embarcações? O nascente e o poente indicavam o leste e o oeste. Ao amanhecer, os marinheiros podiam perceber o aparente desvio do Sol em relação ao dia anterior, comparando a localização do nascente com as estrelas que se desvaneciam. À noite, podiam determinar sua posição observando a Estrela Polar, que parece ficar quase que diretamente acima do Pólo Norte após o anoitecer. No Hemisfério Sul, uma constelação brilhante conhecida como Cruzeiro do Sul ajudava-os a localizar o Pólo Sul. De modo que, numa noite de céu limpo, navegantes de todos os mares podiam verificar seu rumo usando pelo menos um ponto de referência no céu.
Mas esses não eram os únicos marcos estelares. Os polinésios e outros marinheiros do Pacífico, por exemplo, podiam ler o céu noturno como se fosse um mapa rodoviário. Uma de suas técnicas envolvia estabelecer um rumo em direção ao nascente ou ao poente de alguma estrela, que eles sabiam estar na mesma direção do seu destino. Durante toda a noite, esses navegadores também verificavam a posição relativa de outras estrelas para ter certeza de que estavam viajando na direção certa. Se o seu rumo estivesse errado, o céu mostrava-lhes como corrigi-lo.
Esse sistema era confiável? Numa época em que os marinheiros europeus costumavam navegar próximo ao litoral com medo de despencar da borda de uma Terra plana, os marujos do Pacífico, ao que tudo indica, faziam longas travessias no meio do oceano entre ilhotas minúsculas. Por exemplo, mais de 1.500 anos atrás, navegadores polinésios deixaram as ilhas Marquesas e rumaram para o norte, atravessando o enorme oceano Pacífico. Quando desembarcaram no Havaí, haviam viajado 3.700 quilômetros! O folclore das ilhas conta as idas e vindas dos antigos polinésios entre o Havaí e o Taiti. Alguns historiadores dizem que esses relatos não passam de lendas. Apesar disso, marinheiros da atualidade conseguiram refazer a viagem, orientando-se pelas estrelas, vagas oceânicas e outros fenômenos naturais — sem instrumentos.
Mas esses não eram os únicos marcos estelares. Os polinésios e outros marinheiros do Pacífico, por exemplo, podiam ler o céu noturno como se fosse um mapa rodoviário. Uma de suas técnicas envolvia estabelecer um rumo em direção ao nascente ou ao poente de alguma estrela, que eles sabiam estar na mesma direção do seu destino. Durante toda a noite, esses navegadores também verificavam a posição relativa de outras estrelas para ter certeza de que estavam viajando na direção certa. Se o seu rumo estivesse errado, o céu mostrava-lhes como corrigi-lo.
Esse sistema era confiável? Numa época em que os marinheiros europeus costumavam navegar próximo ao litoral com medo de despencar da borda de uma Terra plana, os marujos do Pacífico, ao que tudo indica, faziam longas travessias no meio do oceano entre ilhotas minúsculas. Por exemplo, mais de 1.500 anos atrás, navegadores polinésios deixaram as ilhas Marquesas e rumaram para o norte, atravessando o enorme oceano Pacífico. Quando desembarcaram no Havaí, haviam viajado 3.700 quilômetros! O folclore das ilhas conta as idas e vindas dos antigos polinésios entre o Havaí e o Taiti. Alguns historiadores dizem que esses relatos não passam de lendas. Apesar disso, marinheiros da atualidade conseguiram refazer a viagem, orientando-se pelas estrelas, vagas oceânicas e outros fenômenos naturais — sem instrumentos.
Quando a vida dependia da navegação por estima
Os primeiros marujos tinham de confiar na navegação por estima. Isso exigia que o navegador estivesse a par de três informações, conforme a gravura abaixo: (1) o ponto de partida do navio, (2) a velocidade e (3) o rumo (direção do movimento). Saber o ponto de partida era fácil. Mas como se poderia determinar o rumo?
Em 1492, Cristóvão Colombo usou uma bússola para verificar seu rumo. Mas as bússolas só se tornaram disponíveis na Europa no século 12 EC. Sem a bússola, os navegadores consultavam o Sol e as estrelas. Quando nuvens ocultavam a visão, os marinheiros orientavam-se pelas vagas oceânicas longas e regulares produzidas por ventos constantes. Eles prestavam atenção à posição do nascente e do poente do Sol e das estrelas em relação a essas vagas.
E como eles estimavam a velocidade? Um modo era medir o tempo que o navio levava para passar por um objeto que alguém na proa jogasse na água. Posteriormente, um método mais preciso envolvia soltar no mar um pedaço de madeira amarrado a uma corda graduada por nós feitos a intervalos regulares. A madeira, flutuando na água, puxava a corda conforme o navio avançava. Depois de um tempo predeterminado, a corda era recolhida e os nós que haviam sido puxados pela madeira eram contados. Este número indicava a velocidade do navio em nós — milhas marítimas por hora — unidade de medida que ainda é utilizada hoje em dia. Sabendo a velocidade, o navegador poderia calcular a distância percorrida pelo navio em um dia. Em uma carta náutica, um mapa do mar, ele traçava então uma linha para indicar seu avanço ao longo do rumo escolhido.
É claro que correntes marinhas e ventos laterais podiam desviar o navio do curso. Por isso, o navegador calculava e anotava periodicamente as correções de rumo necessárias para manter o navio na direção certa. Todo dia ele continuava a anotar de onde havia parado — medindo, calculando e marcando no mapa o trecho percorrido. Quando o navio finalmente soltava âncora, essas anotações diárias formavam um registro permanente de como havia chegado ao seu destino. Foi navegando por estima que Colombo fez o trajeto de ida e volta entre a Espanha e a América do Norte há mais de 500 anos. Suas cartas cuidadosamente traçadas tornam possível que navegantes atuais refaçam sua viagem memorável.
Em 1492, Cristóvão Colombo usou uma bússola para verificar seu rumo. Mas as bússolas só se tornaram disponíveis na Europa no século 12 EC. Sem a bússola, os navegadores consultavam o Sol e as estrelas. Quando nuvens ocultavam a visão, os marinheiros orientavam-se pelas vagas oceânicas longas e regulares produzidas por ventos constantes. Eles prestavam atenção à posição do nascente e do poente do Sol e das estrelas em relação a essas vagas.
E como eles estimavam a velocidade? Um modo era medir o tempo que o navio levava para passar por um objeto que alguém na proa jogasse na água. Posteriormente, um método mais preciso envolvia soltar no mar um pedaço de madeira amarrado a uma corda graduada por nós feitos a intervalos regulares. A madeira, flutuando na água, puxava a corda conforme o navio avançava. Depois de um tempo predeterminado, a corda era recolhida e os nós que haviam sido puxados pela madeira eram contados. Este número indicava a velocidade do navio em nós — milhas marítimas por hora — unidade de medida que ainda é utilizada hoje em dia. Sabendo a velocidade, o navegador poderia calcular a distância percorrida pelo navio em um dia. Em uma carta náutica, um mapa do mar, ele traçava então uma linha para indicar seu avanço ao longo do rumo escolhido.
É claro que correntes marinhas e ventos laterais podiam desviar o navio do curso. Por isso, o navegador calculava e anotava periodicamente as correções de rumo necessárias para manter o navio na direção certa. Todo dia ele continuava a anotar de onde havia parado — medindo, calculando e marcando no mapa o trecho percorrido. Quando o navio finalmente soltava âncora, essas anotações diárias formavam um registro permanente de como havia chegado ao seu destino. Foi navegando por estima que Colombo fez o trajeto de ida e volta entre a Espanha e a América do Norte há mais de 500 anos. Suas cartas cuidadosamente traçadas tornam possível que navegantes atuais refaçam sua viagem memorável.
Navegando com o mar, o céu e o vento
VOCÊ tem medo de cair da borda da Terra? É provável que não. Contudo, há evidências de que no passado alguns marinheiros temiam exatamente isso. Muitos só navegavam mantendo terra firme à vista. Mas outros marujos, mais corajosos, deixaram seus temores para trás e rumaram para o mar aberto.
Há cerca de 3.000 anos, navegantes fenícios deixaram os portos de seu país, na costa oriental do Mediterrâneo, para negociar na Europa e no Norte da África. No quarto século AEC, um explorador grego chamado Píteas circunavegou toda a Grã-Bretanha e talvez tenha alcançado a Islândia. E muito tempo antes de os navios europeus entrarem no oceano Índico, marinheiros árabes e chineses vindos do Oriente já o atravessavam. De fato, o primeiro europeu a navegar para a Índia, Vasco da Gama, chegou lá com segurança contando com a ajuda de um piloto árabe, Ibn Majid, que guiou os navios portugueses na travessia de 23 dias pelo oceano Índico. Como aqueles navegadores antigos se orientavam no mar?
Há cerca de 3.000 anos, navegantes fenícios deixaram os portos de seu país, na costa oriental do Mediterrâneo, para negociar na Europa e no Norte da África. No quarto século AEC, um explorador grego chamado Píteas circunavegou toda a Grã-Bretanha e talvez tenha alcançado a Islândia. E muito tempo antes de os navios europeus entrarem no oceano Índico, marinheiros árabes e chineses vindos do Oriente já o atravessavam. De fato, o primeiro europeu a navegar para a Índia, Vasco da Gama, chegou lá com segurança contando com a ajuda de um piloto árabe, Ibn Majid, que guiou os navios portugueses na travessia de 23 dias pelo oceano Índico. Como aqueles navegadores antigos se orientavam no mar?
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