domingo, 1 de agosto de 2010

Navegando de olho no céu

Como os antigos navegadores usavam os corpos celestes para guiar suas embarcações? O nascente e o poente indicavam o leste e o oeste. Ao amanhecer, os marinheiros podiam perceber o aparente desvio do Sol em relação ao dia anterior, comparando a localização do nascente com as estrelas que se desvaneciam. À noite, podiam determinar sua posição observando a Estrela Polar, que parece ficar quase que diretamente acima do Pólo Norte após o anoitecer. No Hemisfério Sul, uma constelação brilhante conhecida como Cruzeiro do Sul ajudava-os a localizar o Pólo Sul. De modo que, numa noite de céu limpo, navegantes de todos os mares podiam verificar seu rumo usando pelo menos um ponto de referência no céu.

Mas esses não eram os únicos marcos estelares. Os polinésios e outros marinheiros do Pacífico, por exemplo, podiam ler o céu noturno como se fosse um mapa rodoviário. Uma de suas técnicas envolvia estabelecer um rumo em direção ao nascente ou ao poente de alguma estrela, que eles sabiam estar na mesma direção do seu destino. Durante toda a noite, esses navegadores também verificavam a posição relativa de outras estrelas para ter certeza de que estavam viajando na direção certa. Se o seu rumo estivesse errado, o céu mostrava-lhes como corrigi-lo.

Esse sistema era confiável? Numa época em que os marinheiros europeus costumavam navegar próximo ao litoral com medo de despencar da borda de uma Terra plana, os marujos do Pacífico, ao que tudo indica, faziam longas travessias no meio do oceano entre ilhotas minúsculas. Por exemplo, mais de 1.500 anos atrás, navegadores polinésios deixaram as ilhas Marquesas e rumaram para o norte, atravessando o enorme oceano Pacífico. Quando desembarcaram no Havaí, haviam viajado 3.700 quilômetros! O folclore das ilhas conta as idas e vindas dos antigos polinésios entre o Havaí e o Taiti. Alguns historiadores dizem que esses relatos não passam de lendas. Apesar disso, marinheiros da atualidade conseguiram refazer a viagem, orientando-se pelas estrelas, vagas oceânicas e outros fenômenos naturais — sem instrumentos.

Nenhum comentário: