No frio como que dum congelador, sobrevive pouca vida vegetal. Devido à longa noite antártica, as 800 variedades de plantas — líquens, musgos, algas de água doce, bactérias, bolores, cogumelos e fungos que vivem na área terrestre ficam em estado latente por longos períodos. Mas, tornam-se quase que instantaneamente fotossintéticos durante os breves surtos de verão de apenas alguns dias, semanas, ou de um mês ou dois.
Por outro lado, embora a vegetação seja esparsa, abundam os animais; mas, tanto o número como o tamanho das espécies terrestres são reduzidos. Quase todos os animais são vistos próximo da orla da camada de gelo ou na água, quer vivendo no oceano quer obtendo dele seu sustento. Os animais que dependem do solo para alimento e abrigo são algumas espécies microscópicas, junto com pequeninos insetos e aranhas. O maior destes é uma mosca, parente da mosca-doméstica comum, que tem cerca de 3 milímetros de comprimento. Além dos pingüins que não voam, há a gaivota do Pólo Sul e o petrel antártico. Na Antártida e nas regiões ilhoas subantárticas, há andorinhas-do-mar, albatrozes, corvos-marinhos, gaivotas e outras aves. Algumas aves às vezes penetram no interior do continente.
A andorinha-do-mar do Ártico é o maior navegador do mundo. Gasta seis meses do ano na Antártida e seis meses no Ártico, voando 17.700 quilômetros do norte para gozar o verão da Antártida. Assim, consegue viver quase que em perpétua luz do dia.
Cinco das dezessete variedades de pingüins que há no mundo podem ser encontradas aqui. O pingüim Adélia e o pingüim-imperador são os únicos que se reproduzem no continente. O pingüim Adélia, (tendo em média 38 centímetros de altura e pesando de 4,5 a 6,800 quilos) parece obter orientação de um mecanismo relacionado ao sol e dum relógio biológico.
O pingüim-imperador, o irmão grande do Adélia, parece testar a temperatura do “refrigerador” até o limite. Esta ave de aparência sóbria pesa de 25 a 45 quilos, e atinge quase 1,20 metros de altura. A mamãe pingüim põe seu único ovo no rigor do inverno. Quando está pronta para isso, ela se dirige para o sul, na escuridão frígida da longa noite hibernal. Quase logo depois que põe seu único ovo, a mãe o coloca cuidadosamente sobre os pés palmados do pai e lhe atribui o encargo de incubar o ovo, o que ele faz por transportá-lo por dois meses sobre seus amplos pés, por baixo duma dobra quente de pele abdominal. Enquanto o pai prospectivo jejua, ao cuidar de seu dever, a mãe se dirige ao norte, para o mar, juntando alimento. Quando ela volta, está pronta para alimentar o filhote, o que faz por regurgitar parte do alimento que ingeriu. O pingüim-imperador é a única ave que não acompanha a banquisa de gelo que se expande no inverno, ao se estender para o norte, mas fica lá atrás, no meio de terríveis nevascas violentas da noite de quase seis meses, debaixo de condições em que seria impossível construir ninhos, como fazem outras aves.
Na água gélida que cerca a Antártida, encontramos milhões de focas de diversas variedades. Tais animais sentem-se perfeitamente felizes em seu ambiente, insulados por uma camada de gordura que também lhes fornece uma reserva alimentar e contribui para que a foca bóie quando na água. Dispõem de ricos “pastos” nas águas que pululam de peixes. Há várias espécies de baleias que também encontram alimento abundante nas espichas do crustáceo krill, semelhante ao camarão. Os peixes que vivem próximo do leito oceânico são peculiares à Antártida, 90 por cento destes não sendo encontrados em nenhuma outra parte da terra.
Mergulhadores, usando roupas de mergulho revestidos de 13 milímetros de insulação, trabalhando em água a 2 graus centígrados abaixo de zero durante uma hora de cada vez, juntaram espécimes de 130 variedades conhecidas de peixes antárticos e outra vida marinha. Muitos, como o polvo, não possuem sangue vermelho e alguns são semitransparentes. Outros peixes têm sangue vermelho que não congela em temperaturas extremamente baixas. Numa ocasião recente, um mergulhador descobriu lavas de enguias de 1,20 a 1,50 metros de comprimento — vinte vezes o tamanho de qualquer outra enguia recém-nascida conhecida pelo homem.
De outubro a fevereiro, o tempo é moderado, mas, exceto na Península Antártica, que se estende até a 966 quilômetros da América do Sul, a temperatura jamais sobe acima do ponto de congelamento. Nesse período, várias espécies de diminutos insetos são aquecidos para viver só por alguns dias, e então voltam de novo ao estado dormente. Há pulgas da neve e ácaros de oito patas. Os cientistas descobriram que seus corpos produzem uma substância chamada glicerol. Trata-se duma substância química às vezes usada como anticongelante. Nestes pequenos insetos, ela preserva sua vida durante o inverno antártico.
Pulgas e insetos suscitam a questão da doença. A velha história de que não existem germes na Antártida é um engano. O continente pode ser tão branco quanto o interior de uma sala de cirurgia, mas pode-se achar uma abundância de bactérias nele. A 27 metros abaixo da superfície do Pólo Sul, os microbiologistas descobriram alguns germes que parecem ter sido presos ali há centenas de anos. Usando máscaras faciais e instrumentos esterilizados, tiveram cuidado de evitar misturar as bactérias modernas com essas do século dezenove. Encontraram estafilococos, uma espécie de bactéria que pode provocar grave infecção. A menos que a técnica falha ou o equipamento deficiente tenham deixado escapar alguns dos germes dos próprios cientistas, estas bactérias já existiam na Antártida em 1860. Ademais, os micróbios no gelo não estavam mortos, mas revitalizaram-se no laboratório assim que aquecidos.
O frio extremo e a secura da atmosfera da Antártida, contudo, exercem um efeito muito preservativo. Relata a Encyclopædia Britannica: “Várias carcaças mumificadas de foca, principalmente de focas-caranguejeiras [uma espécie de foca que come crustáceos] têm sido encontradas a distâncias de até 48 quilômetros do mar, e em elevações de até cerca de 914 metros nos vales secos de McMurdo. Não encontrando alimento em tais incursões pelo interior, as focas-caranguejeiras por fim morreram, e suas carcaças coriáceas foram preservadas pela frieza e aridez do clima.”
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
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