terça-feira, 18 de maio de 2010

Como salvar os bancos de corais?

CIENTISTAS do mundo inteiro acreditam que o aquecimento global é uma realidade e que vai continuar a piorar à medida que os países em desenvolvimento prosseguem na sua evolução industrial. Uns três bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) são lançados anualmente na atmosfera global pela queima de combustíveis, como carvão, óleo e madeira, para energia, e pelas queimadas de florestas. Para alguns cientistas, o chamado efeito estufa, resultante dos gases da queima de combustíveis, ameaça aquecer a atmosfera 3 a 8 graus Fahrenheit em meados do próximo século. Este aumento seria fatal para os corais e para as colônias de recifes.

Mas, a morte dos bancos de corais prejudicaria também a vida terrestre. A revista Natural History observou: “Os bancos de corais, contudo, são em si mesmos fatores-chave no cenário da estufa e podem ser tão importantes como as florestas tropicais na redução dos gases da estufa. À medida que depositam carbonato de cálcio para seus esqueletos, os corais removem um enorme volume de CO2 dos oceanos. Sem zooxantelas [algas residentes-simbióticas dos corais], a quantidade de dióxido de carbono que os corais metabolizam é reduzida drasticamente. Ironicamente, o dano causado a esse ecossistema submarino poderia acelerar o próprio processo que apressa a destruição dos corais.”

Alguns cientistas acreditam que outros gases lançados pela combustão aumentam o efeito estufa. Óxido nitroso por um lado, e clorofluorcarbonos (CFCs) de outro. De fato, cada molécula de CFC é 20 mil vezes mais eficiente em capturar o calor do que uma molécula de CO2. Os CFCs também têm sido apontados como responsáveis pelo afinamento da camada de ozônio, que protege a vida na Terra dos prejudiciais raios ultravioleta. A camada de ozônio nos Pólos Norte e Sul se afinou tanto que causou buracos. Isso são mais más notícias para os corais. Experimentos expondo pequenos bancos de corais, já estressados por água mais quente, a pequeninos aumentos na luz ultravioleta, agravou o embranqueamento. A revista Scientific American observou, com pesar: “Mesmo que as emissões de clorofluorcarbono parassem hoje, as reações químicas que causam a destruição do ozônio estratosférico continuariam por pelo menos um século. A razão é simples: os componentes permanecem esse tempo todo na atmosfera e continuariam a difundir-se na estratosfera a partir da reserva troposférica por muito tempo depois do fim das emissões.”

A nível pessoal, pode-se agir com responsabilidade não contaminando os oceanos ou as áreas costeiras com lixo ou poluentes. Se visitar um recife, acate a ordem de não tocar ou pisar nos corais. Não apanhe nem compre souvenirs de corais. Se andar de barco perto de recifes tropicais, desça âncora no leito arenoso ou em ancoradouros flutuantes providenciados pelas autoridades marinhas. Não ande em alta velocidade nem revolva o fundo com a hélice do barco. Não lance esgoto do barco no mar; procure docas e ancoradouros adequados. Bill Causey, administrador do Santuário Marinho Nacional Looe Key (Flórida, EUA) observou: “O homem provavelmente está criando o problema que causa o desequilíbrio. Temos de conscientizar-nos de seu globalismo. Se continuarmos a aumentar a conscientização pública a respeito da ameaça de perdermos um importante ecossistema, talvez possamos mudar as coisas.”

A nível regional, fazem-se e aplicam-se leis de proteção aos bancos de corais. O Estado americano da Flórida multa os donos de navios que danificam seus recifes. Os donos de um cargueiro, que esfacelou muitos metros quadrados de corais ao encalhar, pagaram uma multa de 6 milhões de dólares. Parte do dinheiro foi usado para restaurar o habitat marinho. No presente, usando adesivos especiais, os biólogos tentam reatar corais que foram danificados por um navio, em 1994. Outra multa, de 3,2 milhões de dólares, foi aplicada a uma empresa por danos causados a um recife, na Flórida, por um de seus cargueiros. Outros países estão aplicando sanções similares. Lugares famosos para a prática do mergulho, como as Ilhas Caimã, no Caribe, têm áreas delimitadas para esse fim. A Austrália criou o seu Parque Marinho do Recife da Grande Barreira para controlar essa atividade ali. Mas, como se tem observado, quanto mais mergulhadores, tanto mais danos aos recifes.

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