terça-feira, 25 de maio de 2010

Terra Moribunda e Pessoas Doentes

Tragicamente, a terra está sendo envenenada pela concentração de sais no solo. Quando o solo do deserto é irrigado, o sol quente evapora grande parte da água, concentrando os sais no solo. Além disso, quando enormes quantidades de água de irrigação embebem o solo, isto gradualmente eleva o nível do lençol freático. E quando a água contaminada atinge as raízes das plantas, as raízes são prejudicadas pela toxicidade da água. Isto é o que está acontecendo na bacia do Aral. “O mesmo flagelo que contribuiu para o declínio das primitivas civilizações mesopotâmicas”, explicou certo escritor, “reclama mais uma vítima”.

As pessoas também estão sendo envenenadas. Pesticidas e herbicidas infiltram-se e contaminam a água de poços. Assim, muitos bebem água que contém perigosas substâncias químicas, e as conseqüências são trágicas. “A literatura médica local”, comenta a revista World Watch, “está repleta de casos de defeitos congênitos, aumento de doenças hepáticas e renais, de gastrite crônica, de crescente mortalidade infantil e de elevados índices de câncer”.

O Dr. Leonid Elpiner, especialista em problemas de saúde na região do mar de Aral, caracterizou as doenças que ocorrem ali como “AIDS de pesticidas”. Ele disse: “O principal objetivo, cremos, já não é salvar o mar de Aral. É salvar a população.”

Um editor da revista National Geographic, William S. Ellis, um dos primeiros americanos a visitar a região, escreveu: “O mar é uma tragédia ambiental em andamento — no mínimo igual, dizem muitos, à catástrofe nuclear de Chernobyl, em 1986.” Numa reunião em Muynak, alguém chegou a dizer que é “dez vezes pior”.

De fato, o que está acontecendo ao mar de Aral é uma tragédia. No entanto, não foi intencional. Os administradores tinham boas intenções. Tentavam fazer o deserto vicejar para alimentar o povo. Mas a execução de seus planos causou terrível sofrimento, ultrapassando em muito os benefícios.

Refletindo na tragédia do mar de Aral, certo escritor comentou sobre a responsabilidade humana de deixar a Terra para gerações futuras “como um lugar bem cuidado e mais dignificado”. Infelizmente tem ocorrido o oposto aqui, como evidenciam as dramáticas mudanças que começaram na bacia do Aral há mais de 30 anos.

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