domingo, 30 de maio de 2010

Há Alguns Inconvenientes?

Para responder a essa pergunta dirijo-me a meu segundo informante, Rob McTavish, bem conhecido no mundo do surfe como desenhador de pranchas.

“A prática do surfe me levou a viajar por todo o mundo e vi as mudanças que se introduziram nas últimas duas décadas. Nem todas foram para melhor.

“No início da década de 60 desenvolveu-se um inteiro estilo de vida em torno desse esporte, um estilo contrário à cultura materialista de vencer a todo custo. Muitos surfistas abandonaram carreiras promissoras e juntaram seus recursos para custear a gasolina em sua busca de boas ondas pelo mundo afora. O dinheiro não era considerado tão importante. Basicamente, os surfistas naquela época simplesmente tentavam usufruir as dádivas naturais do sol e do surfe.

“À medida que avançavam os anos 60, muitos surfistas foram arrastados para a contracultura, o movimento hippie, e, naturalmente, às drogas que a acompanham. Tenho visto muitos anteriormente dedicados saudáveis surfistas acabarem como escórias humanas de degradação e vício.

“Outro fator negativo no esporte tem sido a competição, o comercialismo e o profissionalismo crescentes. Isso tem sido mais evidente desde a inovação da prancha curta, em 1967. Essa prancha pequena levou os aspectos de deslizar sobre ondas a níveis inteiramente novos de emoção. Para fazê-la deslizar são necessárias ondas mais poderosas e isso significa viajar a lugares como o Havaí e a Indonésia em busca dos grandes vagalhões do meio do oceano, que formam as ondas realmente de alta qualidade.

“Havendo mais surfistas, introduziu-se um espírito agressivo. Multidões de surfistas acotovelam-se e disputam as melhores ondas. Isso pode amiúde levar a brigas e empurrões.

“Talvez se pergunte o que acontece quando um surfista fica mais velho e a competição por ondas se torna mais difícil. Muitos acabam num dilema. Talvez tenham gasto toda sua adolescência e chegado aos 30 perseguindo ondas, e, então, com esposa e filhos descobrem que não estão muito bem qualificados para ganhar a vida. Outros se estabeleceram na vida vendendo drogas e por fim tornaram-se parte do novo ‘sistema’, igual ao que se opunham nos anos sessenta.”

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