Como se pode ver, a produção de alimentos pela aqüicultura provém principalmente de tanques de água doce e salobre. O verdadeiro cultivo do mar — a verdadeira maricultura — tem produzido pouca coisa. A maioria dos esforços de cultivar o mar têm sido experimentais, ou se acham apenas no estágio dos planos. Os ilhéus japoneses, que dependem do mar para obter 60 por cento de suas proteínas ingeridas, são especialmente ativos nesta pesquisa.
Represar áreas do mar para reter peixes não é, compreensivelmente, um projeto nada pequeno. No entanto, no Mar Interior de Seto, no Japão, tem sido feito — acham-se em operação fazendas do mar. Em uma fazenda, 72 hectares foram represados por cercas de fios ou redes em águas elevadas e seis hectares em águas rasas. Os olhetes, que crescem ao tamanho de mercado em questão de oito ou nove meses, são criados em alta densidade nestas fazendas fechadas.
Fechar uma área do mar é um verdadeiro desafio. Tem-se visualizado o fechamento de áreas por se lançar uma mangueira de plástico no leito do mar, pontilhada de pequenos buracos e ligada a um reservatório de ar. As bolhas de ar que subam serviriam qual cortina para manter afastada a indesejável vida marinha, e para prender os animais da fazenda.
Tem-se também observado que, no Oceano Pacífico, há atóis de coral em que anéis de recifes coralinos cercam lagoas rasas. Cientistas japoneses propuseram a criação de atum — peixe que pode alcançar centenas de quilos — em tais atóis selados.
Outra via de investigação tem sido a fertilização da água para sustentar os peixes. Em uma experiência, um cano de plástico de uns 9 centímetros foi estendido por cerca de um quilômetro e meio ao largo de Sta. Cruz, nas Ilhas Virgens. A água fria, rica em nutrientes, lançada nos tanques à beira-mar logo pululou de diminutas plantas, tornando-se ideal para a produção de peixes. Um cientista propôs uma draga marinha que trouxesse nutrientes das profundezas do mar e os distribuísse próximo da superfície. Daí, os peixes que talvez pululassem na área, devido ao “ressurgimento” artificial, poderiam ser colhidos.
Na Escócia, conseguiu-se êxito experimental na maricultura por se usar a descarga de água quente de uma usina de energia atômica. Por elevar a temperatura da água numa área fechada do mar, tanto a taxa de metabolismo como o apetite dos peixes — neste caso, solha e linguado — aumentaram, acelerando grandemente seu crescimento. No entanto, ao comentar esta experiência bem sucedida, a revista Sea Frontiers (Fronteiras do Mar) observou de forma interessante:
“‘Cultivar o mar’ é uma frase vista com freqüência, como se isto fosse uma extensão fácil do cultivo do solo. Com efeito, no tempo atual, os problemas são mais comuns do que os resultados, e a criação comercial de uma única espécie sequer representa tremendo esforço.” Assim, lembra-se-nos que a maricultura ainda se acha em sua infância.
terça-feira, 18 de maio de 2010
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