terça-feira, 25 de maio de 2010

A tragédia do mar de Aral

“A HISTÓRIA da humanidade não conhece nenhum outro exemplo em que, diante dos olhos de uma única geração, um inteiro mar desaparece da face da Terra.”

Depois de fazer esse comentário, R. V. Khabibullaen, membro destacado da comunidade científica da anterior União Soviética, explicou: “Infelizmente, este é o triste destino que ameaça o mar de Aral.”

Esse enorme mar fica nas regiões desérticas do Uzbequistão e do Cazaquistão, repúblicas asiáticas da anterior União Soviética. Em 1960, abrangia cerca de 67.000 quilômetros quadrados, o que o tornava a quarta maior massa de água continental do mundo. Somente o vizinho mar Cáspio, o lago Superior, na América do Norte, e o lago Vitória, na África, eram maiores em área.

No entanto, nos últimos 30 anos, o mar de Aral diminuiu mais de um terço em área e cerca de dois terços em volume! Mais de 28.000 quilômetros quadrados do Aral, duas vezes a área do Estado de Connecticut, EUA, desapareceram. O nível do mar baixou mais de 12 metros, e a água em certos lugares recuou de 80 a 100 quilômetros da anterior orla marítima. Isto expôs um leito árido de areia inóspita em que, outrora, belas águas azuis pululavam de peixes. Povoados pesqueiros anteriormente prósperos estão agora abandonados a muitos quilômetros da praia.

Em fins da década de 50, o Aral produzia anualmente uns 45 milhões de quilos de peixes comercializáveis. Vinte e quatro espécies de peixes de água doce existiam em abundância nas águas de baixa salinidade desse mar. Cerca de 10.000 pescadores faziam a vida só no porto de Muynak, onde se industrializava 3 por cento da pesca anual da União Soviética. Mas, agora, a próspera indústria pesqueira do mar, que antes empregava 60.000 pessoas, está morta; a crescente salinidade das águas do Aral tem matado os peixes.

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