Eu me perguntava a respeito disso e decidi indagar a opinião do ex-surfista John Wright. Ele está especialmente em condições de responder, como verá.
“Aos onze anos eu já deslizava sobre ondas na costa australiana. Quando uma equipe de surfistas da Califórnia visitou Sídnei, no verão de 1956, a febre do surfe realmente pegou. Simplesmente observar aqueles californianos realizar as suas proezas realmente inspirava a nós, jovens — ‘cornering’, ‘andar na prancha’, ‘giros’, ‘head dips’ — eles faziam tudo parecer tão fácil!
“Quando fiquei mais velho, meu apetite pelas grandes ondas da Califórnia e do Havaí foi aguçado. Aos vinte e um anos, saí da universidade e comecei a trabalhar e economizar para minha primeira viagem aos EUA. Quando finalmente consegui, descobri que o estilo de vida dos surfistas em geral não era muito diferente do que na Austrália — festas com bebedeiras, rixas, moral dissoluta e abuso de drogas. Brigas por causa de ondas eram comuns.
“Mas, talvez se pergunte, que dizer da segurança? Obviamente, no surfe você leva muitos tombos, mas, em geral na água. Assim, se for bom nadador, normalmente não há perigo real. Mas sempre existem as circunstâncias imprevistas que podem atingir a qualquer um em qualquer época. Tome meu caso como exemplo.
“Certo dia, em 1975, ao testar uma nova prancha numa praia local, eu fazia uma ‘reentrada’ numa onda de um pouco mais de um metro. A onda passou por um banco de areia raso e a sua crista me lançou de cabeça na areia. Todo o peso do corpo caiu em cima do pescoço. Levantei-me e em seguida caí de bruços na água, a uma profundidade de uns trinta centímetros. Deitado ali, eu me perguntava por que não podia me mexer.
“Quando ia perdendo o fôlego, um colega surfista que pegara a onda antes de mim viu-me flutuando ali e veio socorrer-me. Ele me virou de costas e me arrastou boiando até a praia. A essa altura uma pequena multidão já se ajuntara na praia. O tempo que eu esperava pela ambulância parecia horas. Foi a última vez que deslizei numa prancha de surfe. Eu quebrara o pescoço. Desde então tenho sido um quadriplégico.
“A idéia de ficar confinado a uma cadeira de rodas me afligia muito. Gradualmente, com a ajuda da fisioterapia, recuperei muito das funções dos braços e das mãos e posso andar com a ajuda de muletas, graças também ao constante incentivo de minha querida esposa, com a qual me casei em janeiro de 1980.
“Embora não possa praticar o surfe, gosto de nadar, o que me ajuda a ficar em boa forma, e ainda gosto de apreciar o surfe e os muitos surfistas habilidosos que deslizam sobre as ondas perto de nossa casa que dá vistas para o mar na costa oriental da Austrália.
“Há alguma lição para se aprender de minha infeliz experiência? Acidentes podem acontecer em qualquer esporte devido a circunstâncias imprevistas. Se eu tivesse batido naquele banco de areia com as mãos em vez de com a cabeça, a história teria sido diferente. Obviamente, você não pode brincar com as forças cegas da natureza. Uma onda, arrastando toneladas de água, pode gerar uma força tremenda. É por isso que o surfista precisa saber ajustar-se ao fluxo e ao ritmo da onda. Também é útil conhecer o tipo de terreno sob as ondas e estar preparado para medidas de emergência, se necessário.
“Quando recordo meus dias de surfista, vêm-me à mente muitos momentos felizes e emocionantes. Era um prazer ajustar-se aos sempre mutantes movimentos das ondas. Mas havia também os aspectos negativos de um estilo de vida que incluía vício de drogas e moral dissoluta. Além disso, existe a agressividade e a competição.
“Sou também obrigado a refletir sobre outro aspecto do surfe. Supõe-se que todo esporte seja uma recreação, um passatempo, uma mudança na rotina normal da vida. Naturalmente, se alguém é profissional, é diferente. Mas, tenho de admitir que o surfe era mais do que isso para mim. Era uma ocupação integral consumidora de tempo e energia. Dias inteiros eram gastos praticando surfe, na espera do ‘tubo’ perfeito, a onda realmente grande. Posso ver agora a facilidade com que se tornou uma atividade egocêntrica, dificilmente preocupando-me com qualquer outra pessoa. E no fim da semana, ou do mês, que havia para mostrar? Naturalmente, como recreação nas horas de folga o surfe é tão bom quanto qualquer outro esporte. Agora, porém, como cristão ativo inclino-me a dizer que não deve ser praticado a ponto de excluir outras pessoas e responsabilidades.
domingo, 30 de maio de 2010
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